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domingo, 14 de outubro de 2012

A questão gastronômica é uma questão estética e filosófica: a cozinha relaciona-se com as belas-artes e com as práticas culturais das civilizações de todas as épocas. As cozinhas dos diversos períodos históricos representam-nos, tanto quanto as pinturas, as sonatas, as esculturas, as peças de teatro ou de arquitetura. E, se existem mestres e amadores, criadores de primeira e de segunda, inventores e seguidores, gênios e anões nas áreas da estética clássica, o mesmo se dá no terreno da cozinha. (...) A cozinha é uma arte sem museu nem escola, sem história oficial nem instituição passível de reproduzir seus conhecimentos e pensamentos no domínio que agrada especialmente aos que só se sentem bem acalmados pelas palavras de ordem e pelos conhecimentos gregários.
A razão gulosa.
Michel Onfray, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1999.

Timballe alla milanaise
do Livre de Cuisine, de Jules Gouffé, 1857

terça-feira, 19 de junho de 2012

Lagostas azuis?

Essas imagens causaram polêmica esse fim de semana aqui em casa. Será que era photo shop ou obra da Mãe Natureza mesmo?
Pois bem, segundo a literatura especializada, uma em 2 milhões de lagostas americanas, a Homarus americanus, é azul. Uma mutação genética faz com que a lagosta azul produza uma excessiva quantidade de uma proteína que, combinada com o vermelho carotenóide típico dos crustáceos, conhecido como astaxantina, se combinem formando o complexo de cor azul.
De acordo com a Wikipédia, em 2009 uma lagosta azul foi capturada em New Hampshire, em 2011 duas delas foram capturadas no Canadá, uma em Prince Edward Island e outra nos trerritórios de New Brunswick. Em maio desse ano, um pescador da New Scotia capturou a sua primeira lagosta azul em 33 anos de pescarias.











quarta-feira, 9 de maio de 2012

Temporada da Lagosta III

Em 2009 o Tribunal de Milão absolveu os proprietários de um famoso restaurante da cidade, acusados de maus tratos a animais vivos. A acusação se deu poque as lagostas em questão estavam expostas, vivas, em leitos de gelo. O advogado defensor do casal, Luca Giulante, alegou perante o juiz que "segundo a tradição gastronômica, o cozimento do crustáceo deve ocorrer quando ele ainda está vivo". Com tal afirmação, o juiz concedeu-lhe ganho de causa. A tradição gastronômica venceu!

Outra notícia da Itália: em janeiro deste ano, na província de Vibo Valentia, na Calábria, sul da Itália, foram lançadas ao mar, 25 mil jovens lagostas criadas em cativeiro, nas águas do Parque Regional Marinho da Costa degli Dei. O projeto foi inspirado em semelhantes iniciativas japonesas e norueguesas. Portanto, a iguaria estará garantida, mais uma vez, no prato dos gourmets italianos.

domingo, 28 de agosto de 2011

Curiosidade: colheres para absinto

França - séc. XIX

Esta colher perfurada é usada para dissolver um cubo de açúcar num copo de absinto.
Coloca-se  a colher por cima do copo com absinto e coloca um cubo de açúcar por cima da colher. Na era Vitoriana, pingava-se uma gota de láudano no torrão de açúcar! Despeja-se água por cima do cubo e através das perfurações da colher. Adicionar açúcar serve para adoçar a bebida e diminuir o amargor da mesma.
"Van Gogh, Rimbaud, Beaudelaire. Um trio irrepetível, com uma musa comum. Uma bebida destilada feita da erva arthemisa absynthum. No século XIX, era a bebida dos que procuravam novas sensações. Os efeitos do absinto tornam-na um pecado tentador para os artistas. Após o seu consumo, embora o corpo apresente efeitos de embriaguez, os sentidos estão apurados: os cheiros mais fortes, as cores mais intensas. A Fada Verde tem ainda o condão de concentrar o mundo inteiro num detalhe; aqueles que bebem absinto podem abstrair-se de tudo o que os rodeiam e focar-se numa melodia, numa forma, e apreciá-la com todos os sentidos. Esta qualidade explica o porquê da unânime adesão dos artistas franceses.
Poetas como Rimbaud e Verlaine atribuíam ao absinto a sua inspiração, a capacidade de se desligarem do real, de observarem o que os rodeava de uma nova perspectiva. Degas, Sarah Bernhard, Van Gogh, Lautrec, Gauguin, Manet e Monet são apenas alguns dos nomes dos que apreciavam as tertúlias inspiradas pela Fada Verde e cujo trabalho foi concebido sob a influência da musa que habitava as garrafas de absinto. Na companhia de um copo de absinto escreveram e pintaram, debateram e partilharam ideias, comentaram mundaneidades, cantaram ou declamaram poesia.
Na França da segunda metade do século XIX, o absinto era um símbolo de inspiração artística e por isso o nome “Fada Verde”, “Musa Verde” ou, nas palavras do ocultista britânico Alastair Crawley - que chegou a vir a Portugal para conhecer Pessoa - a “Deusa Verde”.
De inspiração dos vanguardistas a ópio dos mundanos e ódio de estimação de uma opinião pública alimentada por manchetes sensacionalistas, o absinto passou de bebida adorada a bebida banida nos principais estados europeus. O absinto era, claramente, uma bebida demasiado à frente para o século XIX. Rapidamente os mais hediondos crimes foram justificados pelo consumo desta bebida, constando a Fada Verde nos títulos mais escabrosos apregoados pelos ardinas. O ateísmo, a vida errática e boémia, a inconstância e, em alguns casos, até a demência, eram factores associados ao consumo de absinto. Há inclusive inúmeros relatos sensacionalistas que associam os crimes “de faca e alguidar” ao consumo de absinto.
De bebida popular em 1840, a Fada Verde foi proibida em quase todos os países europeus no princípio do século XX, à excepção do Reino Unido, Suécia, do Império Austro-Húngaro, Espanha e Portugal.
Nos anos noventa, com a liberalização da sua produção e consumo pela União Europeia, assistiu-se ao renascer das cinzas da Fada Verde que surge agora não como musa de artistas, como meio de alcançar um estádio de surrealismo, mas como catalizador de noites loucas, de binge drinking.
A bebida que hoje está associada a shots, foi em tempos a musa inspiradora de uma das mais prolíferas gerações de artistas de sempre. A segunda metade do século XIX dedicou-lhe poemas, quadros numa exaltação comum de uma musa proibida.
Hoje e Ontem
O absinto, hoje e então, poucas vezes é consumido puro. O ritual de consumo de absinto também o separa das restantes bebidas destiladas. Em Portugal, a forma mais popular de consumo de absinto é em shot. Num copo pequeno, deita-se um bocadinho de vodka (há quem ponha um cheirinho de sumo de limão). Cobre-se o copo com meia rodela de limão polvilhada de açúcar e canela. Deita-se absinto no limão e deixa-se escorrer. Com um isqueiro, deixa-se o absinto arder um bocadinho e bebe-se de um trago.
No século XIX, o absinto era também servido num copo pequeno. Juntava-se uma dose pequena da Fada Verde e colocava-se no topo do copo uma colher de absinto (uma espécie de colher com furinhos), em cima do qual era posto um cubo de açúcar. Depois vertia-se lentamente água gelada sobre o cubo de açúcar até à proporção de 3 para 1. O anis, presente no absinto, não se diluía na água o que dava à bebida um tom baço e perlado.
Origens
Atribui-se a sua criação, tal como o conhecemos e consumimos hoje, a um farmacêutico de Neuchatel, Suíça. A primeira destilaria de absinto surge pela mão de descendentes do seu criador e de Henry-Louis Pernod, tornando-se a origem de um império e referência na produção de bebidas alcoólicas que, com a junção à família Ricard, forma o império Pernod-Ricard que dura até hoje."
Texto de Isabel Calado disponível em http://www.ruadebaixo.com