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segunda-feira, 18 de março de 2013

Conclave 2

O novo papa Jorge Bergoglio, como seu próprio sobrenome diz, é descendente de italianos, da região Piemonte, norte da Itália. Segundo dizem, ele adora café espresso e bagna cauda. É um prato típico da região e equivale ao fondue suíço. Símbolo da amizade, o prato teve suas origens nas antigas fazendas onde, após um intenso dia de trabalho nos campos, principalmente durante o período das vindimas, camponeses se reuniam com a família e os amigos ao redor de uma lareira e saboreavam o prato.



Ingredientes


150 g de anchovas
6 dentes de alho
200 g de azeite de oliva
50 g de manteiga
Legumes e Verduras a gosto
pimentões em tiras
cenouras em palitos
couve-flor
batatas cozidas
cebolas
talos de salsão
pão italiano
grissinis

Modo de preparar:

1 - Descasque e pique finamente os dentes de alho. Coloque-os de molho no leite, por cerca de uma hora. Facilita a digestão.

2 - Escorra e coloque numa panela misture as anchovas desalgadas e cortadas em pedaços pequenos.

3 - Complete com o azeite e leve ao fogo lento e cozinhe cuidando para que o alho não mude de cor nem que o azeite ferva.

4 - Mexa com cuidado, usando colher de madeira, até obter uma creme.
5 - Adicione a manteiga e cozinhe por mais dez minutos.
6 - Sirva imediatamente, na panela em que preparou a bagna cauda.
7 - Cada comensal molha legumes e verduras, pães e grissinis no creme quente e saboreia acompanhado por um bom vinho.

domingo, 17 de março de 2013

Conclave 1


O arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, declarou no dia 10 de março, dias antes da eleição do Papa Francisco, que "no Conclave come-se muito mal". Embora em tempos de Quaresma, o simpático americano não se importou com a Quaresma, que prevê dias de jejum e abstinência. Quais serão os pratos preferidos do americano? Hambúrguer, batatas fritas, macarrão com almôndegas? Ele parece um ótimo garfo!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Manjar Branco para Iemanjá



Iemanjá, a Rainha do Mar gosta de manjar branco e hoje, às vésperas da véspera do Ano Novo, segue a receita, simples e gostosa desse doce bem brasileiro. Ou melhor, bem europeu, pois há receitas do prato em livros de receitas europeus desde o século XV. Naquela época, porém, era um prato salgado, preparado com caldo de frango.

Ingredientes

1 lata de leite condensado
2 latas (a mesma medida do leite condensado) de leite integral
4 colheres de sopa de amido de milho
1 vidro de leite de coco
150 g de coco ralado fresco

Modo de preparar:
 Leve ao fogo médio o leite condensado, o leite e o amido e mexa sem parar com um fouet; quando estiver cozido, já grosso, adicione o leite de coco e o coco ralado, mexa por mais 2 minutos. Retire do fogo, coloque em uma forma de buraco molhada e leve para gelar. Sirva com a calda de sua preferência: ameixas pretas, açúcar queimado, frutas vermelhas.
Para Iemanjá, não acrescente calda e sirva sobre uma folha de bananeira.



(photo - Isabella Kassow)
E salve a Sereia do Mar!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Receita brasileira para São João

Bartolomé Esteban Murillo - 1665 - Museu do Prado

Ingredientes

1 xícara e meia de chá de milho para canjica
1 lata de leite condensado
a mesma medida de leite
canela em pó para polvilhar

Modo de Preparar

Deixe a canjica de molho em água fria por, no mínimo, 2 horas. Escorra a água e leve a canjica ao fogo em panela de pressão com dois litros e meio de água fria, reduzindo o fogo após a fervura. Deixe cozinhar por 1 hora. Depois de cozida, retire do fogo, deixe sair toda a pressão e abra a panela. Junte o leite condensado, o leite e deixe ferver por mais 5 minutos, mexendo de vez em quando até ficar cremosa. Despeje em uma tigela funda e sirva polvilhada com canela.
Você poderá variar o sabor desta receita, acrescentando um vidro de leite de coco e duas gemas desmanchadas em um pouco de leite, após acrescentar o leite condensado.Na região Nordeste esta receita é conhecida como Mungunzá, recebendo diversas variações de preparo.

Macarrão para a Festa de São João Batista (24/6)


Hyeronimus Bosch - São João Batista - Museu Lázaro Galdiano (Madrid)


Na Idade Média cristianizaram a festa pagã do solstício do Verão como 'festa de São João Batista'. Divulgou-se em toda a Europa. Homenageavam o Santo com as fogueiras já tradicionais na época romana. No Nordeste do Brasil organizam danças de quadrilhas. Santo Padroeiro da Ordem de Malta. São João tem sido venerado pelas Igrejas Ortodoxa, Católica e Anglicana. A Maçonaria praticante do Rito Escocês Antigo e Aceite, de origem católica, também promove a 'festa de São João de Verão'.


Andrea Solari - Salomé com a cabeça do Batista

 
João Batista é descrito na Bíblia como pessoa solitária, que vivia no deserto, e comia gafanhotos e mel. O caminho desse homem estranho e recluso, profeta de grande popularidade, cruzou com a da família real da época, a do rei Herodes Antipas da Galiléia. João condenou publicamente o fato do rei ser amante da própria cunhada, Herodíades. Salomé, filha de Herodíades, dançou tão bonito diante de Herodes, que este lhe prometeu o presente que quisesse. A mãe de Salomé aproveitou a oportunidade para se vingar: anunciou que o presente seria a cabeça degolada de João Batista sobre uma badeja, por volta do ano 30.
A tradição diz ainda que ele nasceu livre do pecado original e foi santificado ainda no útero de sua mãe. João é venerado com como um dos primeiros a seguirem uma vida de austeridade monástica. Na arte ele é mostrado batizando Jesus ou com um bastão que termina em forma de cruz. No Brasil é um dos três santos celebrados com grandes festividades no Nordeste. É o padroeiro da amizade e sua festa é celebrada no dia 24 de junho.

Guido Reni - São João Batista jovem

Receita da cidade de Foggia - região Puglia, sul da Itália

Ingredientes:

400 g de macarrão formato maccheroni
400 g de tomates pelados
150 g de azeitonas verdes picadas
8 filés de enchova dessalgados
2 colheres de sopa de alcaparras dessalgadas
100 ml de azeite de oliva extra virgem
1 dente de alho picado
150 g de queijo pecorino
pimenta-do-reino a gosto
6 colheres de sopa de salsa picada

Modo de preparar:
Doure o alho picado no azeite de oliva, acrescente as enchovas picadas e refogue um pouco. adicione as alcaparras, os tomates pelados, as azeitonas picadas e cozinhe por cerca de 10 minutos, em fogo médio. Enquanto isso, coloque bastante água para ferver, adicione o sal, e assim que a água começar a ferver, acrescente o macarrão. cozinhe-o al dente, escorra e salteie os macarrões no molho preparado previamente. Coloque na travessa de serviço e finelize pulverizando com a salsa picada.






domingo, 12 de junho de 2011

Pentecostes


AFOGADO – receita tradicional da cidade de São Luiz do Paraitinga – São Paulo



A Festa do Divino Espírito Santo é uma festividade de origem portuguesa trazida para o Brasil no século XVI. É uma festa móvel, comemorada cinqüenta dias após a Páscoa no dia de Pentecostes. Tem como símbolo principal uma bandeira vermelha com uma pomba branca no centro, representando o Divino Espírito Santo. A cor vermelha da bandeira simboliza o fogo que se refere à forma pela qual o Espírito Santo se manifestou aos apóstolos e à Virgem Maria no cenáculo.

São Luís do Paraitinga localiza-se no Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo. No final do século XVIII, a região do Vale do Paraíba era a mais povoada da Capitania de São Paulo e ponto de passagem na penetração para o interior, quando os Bandeirantes iam ao sertão à caça de índios, pedras e metais preciosos. A Festa do Divino é a principal festa do calendário da cidade, e na ocasião acontece a distribuição de Afogado aos participantes dos festejos.


Ingredientes:

¼ de xícara de azeite de oliva

2 colheres de sopa de alfavaca (manjericão grande) picada

2 colheres de sopa de cebolinha picada

2 colheres de sopa de hortelã picada

2 colheres de sopa de salsa picada

1 colher de chá de sal

1 kg de acém cortado em cubos pequenos

100 g de toucinho fresco cortado em cubos

3 litros de água

2 dentes de alho

1 cebola grande picada

2 folhas de louro

1 pitada de colorau


Modo de Preparar:

Frite a carne no azeite até dourar. Acrescente o toucinho, a cebola, o colorau, o sal, o alho, o louro e a água. Deixe cozinhar em fogo alto por 2 ou 3 horas,  ou até que a carne fique macia e desfiando. Se necessário, junte mais água (sempre quente). Quando estiver no ponto, prove o sal, adicione a alfavaca, a cebolinha, a hortelã e a salsa, mexa e sirva.
receita do livro O Céu na Boca

terça-feira, 3 de maio de 2011

Comer como um cardeal


Andrea Landini - O almoço do chef

A História dos Cardeais começa por estar ligar ao clero de Roma e já vem de longe: o título de Cardeal foi reconhecido pela primeira vez durante o pontificado de Silvestre I (314-335). O termo vem da palavra latina cardo/cardinis, que significa "eixo" e inicialmente o título de Cardeal era atribuído genericamente a pessoas ao serviço de uma igreja ou diaconia, reservando-se mais tarde aos responsáveis das igrejas titulares de Roma e das igrejas mais importantes da Itália e do mundo.
Os Cardeais nascem, assim, dos presbíteros dos 25 títulos ou igrejas paroquiais de Roma, dos 7 (posteriormente 14) diáconos regionais, 6 diáconos palatinos e dos 7 (6 no século XII) bispos suburbicários, todos eles conselheiros e colaboradores do Papa. Segundo as notas históricas do “Anuário Pontifício”, a partir do ano 1150 formaram o Colégio Cardinalício com um Decano, que é o bispo de Ostia, e um Camerlengo, na qualidade de administrador dos bens.
O Decano é eleito, como se refere no Código de Direito Canónico (CDC, Cân. 352, § 2), pelos Cardeais com o título de uma Igreja suburbicária - as sete dioceses mais próximas de Roma (Albano, Frascati, Ostia, Palestrina, Porto-Santa Ruffina e Velletri-Segni). O nome é posteriormente apresentado ao Papa, que o deve aprovar.
Durante a minha pesquisa para o livro O Céu na Boca, a seleção de receitas foi uma das tarefas mais difíceis. Primeiro pelo grande número delas ligadas à Igreja, aos Santos e ao calendário. E depois, mais difícil ainda, foi selecionar aquelas cujos ingredientes eram possíveis de ser encontrados em nosso país. Acabei por formar um grande arquivo. Pois bem, em pesquisas para outras finalidades, acabei encontrando uma série de imagens, de quadros que retratavam cardeais à mesa. E aqui vai uma seleção de receitas inéditas e de imagens.

Andrea Landini - Favor e Graça - Burlington Paintings, Londres

Café do Cardeal - receita napolitana

1 xícara de café expresso
2 colheres de café de nata batida
1 pitada de chocolate amargo em pó

Sobre o café expresso, coloque a nata batida, uma pitada de chocolate amargo e sirva com biscoitos.


Victor Marais-Milton - Anno Domini - Burlington Paintings, Londres

Bacalhau à moda do cardeal – receita portuguesa

Ingredientes:
500 g de bacalhau demolhado, limpo e em lascas
1 xícara de chá de azeite extra virgem de oliva
½ xícara de chá de água
2 pimentões verdes sem sementes em rodelas
1 pimenta-malagueta em rodelas
2 cebolas em rodelas
6 tomates em rodelas
sal a gosto

Modo de preparar:
Em uma panela, fazer camadas alternadas de cebola, pimentão, bacalhau e o tomate. Regar com azeite. Temperar com sal e a pimenta. Juntar a água, tampar e deixar no fogo baixo até o bacalhau ficar macio. Servir em seguida.

Franck Moss Bennet- Late but welcome, 1931 - Burlington Paintings, Londres


Pàccheri del Cardinale – receita napolitana

Ingredientes:
500 gr de pàccheri (pasta curta de grande diâmetro)
2 kg de tomate italiano pomodori maturi San Marzano
150 ml de caldo de carne
2 folhas de louro
½ colher de chá de tomilho
1 pimenta vermelha
100 g de manteiga
50 de queijo parmesão ralado
300 g de creme de leite
Sal a gosto

Modo de preparar:
Afervente os tomates, pele-os e bata-os no liquidificador ou processador. Numa panela, a fogo médio, coloque os tomates batidos e o caldo de carne, o louro, o tomilho e a pimenta picada. Cozinhe em fogo lento até que se reduza à metade. Desligue o fogo, adicione a manteiga, o creme de leite e o parmesão, e misture tudo muito bem. Cozinhe a massa al dente, escorra, recoloque na panela e tempere com o molho preparado anteriormente.

Paul Schaan - 1900, Dorotheum Leilões - Viena


 


quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Última Ceia

Reproduzo aqui um texto de J. A. Dias Lopes publicado em 2007, no Estado de São Paulo. Acrescento algumas imagens sobre o tema, algumas das minhas preferidas.


(Paolo Veronose - 1560)

"O Novo Testamento conta que Jesus, antevendo a morte, convocou os 12 apóstolos para sua última ceia. A cerimônia coincidiu com o Seder, celebrado no primeiro dia do Pessach, a Páscoa hebraica, que inclui uma festiva refeição à noite. Sendo judeu, o fundador do cristianismo quis comemorá-la, atribuindo-lhe significado especial. O Novo Testamento não fornece grandes detalhes, mas se supõe terem sido respeitados os ritos tradicionais e a habitual recordação do Êxodo (saída dos hebreus do Egito). Na última ceia, Jesus predisse a traição de um dos apóstolos, Judas Iscariotes, e instituiu o sacramento crucial da Eucaristia. O acontecimento supremo foi descrito nos Evangelhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas. São Paulo também se refere a ele na Primeira Epístola aos Coríntios. São Lucas conta que Pedro e João foram incumbidos de organizá-la. Não há referência sobre o endereço, em Jerusalém, no qual transcorreu a derradeira refeição de Jesus. Lucas diz apenas que foi em uma grande sala mobiliada, localizada no andar superior de uma casa. Entretanto, a tradição dos ortodoxos sírios sustenta ter ocorrido na casa da mãe de Marcos, uma das seis Marias citadas no Novo Testamento. Atualmente, ergue-se no lugar a Igreja de São Marcos, nas imediações da Porta de Jafa.
Na última ceia, os apóstolos dividiram alimentos da liturgia judaica: ervas amargas para relembrar o sofrimento causado pela escravidão do povo hebreu no Egito; pão ázimo, em memória da saída dali; e carne de cordeiro. O Novo Testamento fala seguidamente nos ingredientes da época. Refere-se aos alimentos cotidianos da população, ao pão, aves, peixes, vinho e mel; ao leite e seus derivados; aos cereais, legumes, verduras e frutas. Informa que o consumo das carnes bovina e ovina se dava principalmente em dias de festa, como no Pessach, e com maior assiduidade nas mesas das pessoas abonadas. O Velho Testamento faz a mesma coisa. Os dois livros chegam a apontar pratos específicos: o pão de Ezequiel, o bolo de cevada, o guisado de Esaú, o cordeirinho assado, o novilho cevado. Mas omitem as receitas. A dificuldade não impediu que pesquisadores como a israelense Ruth Keenan, uma especialista em gastronomia histórica, autora de duas obras importantes (La Cuisine de la Bible e 2000 Ans de Festins, ambas publicadas pela Éditions de La Martiniére, de Paris, respectivamente em 1995 e 1999), conseguissem imaginar receitas bíblicas. Fundamentaram-se, sobretudo, em investigações arqueológicas, na história da agricultura e da alimentação do Oriente Médio, a região da Terra Santa, em comentários bíblicos e, notadamente, nos subsídios fornecidos pela Mishná. Esse conjunto de leis hebraicas aprimoradas durante séculos pela tradição oral e codificadas pelo rabino Judah Ha?Nasi entre os anos 200 e 220 da nossa era ofereceu-lhes preciosos subsídios sobre a culinária bíblica.


(Jacopo Bassano - 1542)

Em 2000 Ans de Festins, Ruth Keenan apresentou o provável cardápio da última ceia: peixe em molho agridoce; paleta de cordeiro com ervas e pinoli (dois adereços que, na receita ilustrativa deste texto, substituímos por frutas e especiarias); salada de aipo e ervas amargas (raiz-forte, chicória, alface); compota de frutas secas ao mel. Enfim, foi uma refeição típica do Seder. Ao mesmo tempo, Ruth Keenan reconstituiu os hábitos alimentares dos contemporâneos de Jesus. "A população tinha o costume de comer duas vezes por dia", assinala. A primeira era o desjejum, um pouco antes do meio-dia; a última, um jantar mais substancioso, no final da tarde. Evidentemente, a comida variava conforme as posses de cada um e da povoação onde vivia. As principais comunidades hebraicas estavam em Jerusalém, Judéia, Galiléia e aldeias em volta do lago Tiberíades. Exerciam variadas atividades. Em Jerusalém, por exemplo, e sempre conforme Ruth Keenan, atuavam no comércio, nas condições de donos ou empregados, ou eram funcionários civis e religiosos. Na Galiléia, dedicavam-se à pesca, agricultura ou pequeno artesanato. Como a humanidade ainda desconhecia a refrigeração e outros métodos de conservação dos alimentos, saboreavam-nos frescos ou, então, depois de curtidos em sal ou defumados.


(Francisco Henriques - 1508)

Em outro livro, Receitas Inspiradas na Bíblia (Companhia Melhoramentos, São Paulo, 1996), os pesquisadores ingleses Naomi Goodman, Robert Marcus e Susan Woolhandler ressaltaram o elevado teor nutritivo da comida do Novo e Velho Testamentos. Seguia as recomendações da dieta moderna. Todos os pães e pratos à base de cereais incorporavam grãos integrais, triturados em moinhos de pedra. "Portanto, a alimentação era rica em fibras", enfatiza o trio. Os derivados do leite - iogurte, ricota e queijo - tinham largo consumo. Legumes e verduras desfrutavam de idêntico prestígio. Frutas frescas eram muito consumidas pelas crianças, jovens e adultos. Purês ou ensopados de passas de uva e tâmara originavam molhos para pratos de sal e adoçavam sobremesas, substituindo ou complementando o mel. No dia-a-dia, aves e peixes ocupavam o lugar das carnes bovina e ovina. Alimentação mais saudável, impossível."

sábado, 30 de outubro de 2010

1 de Novembro - Dia de Todos os Santos

Pabassinas - Receita tradicional da cidade de Cagliari (Itália)

Ingredientes
500g de farinha
200g de uvas-passas
200g de lascas de amêndoas
150g de banha
50g de frutas cristalizadas
2 ovos
casca de uma laranja ralada
canela em pó a gosto
150g de açúcar

Ingredientes para o glacê
2 claras
150g de açúcar impalpável


Modo de preparo
Deixar as uvas-passas de molho e depois secá-las e enfarinhá-las. Amassar a farinha, os ovos, a banha, o açúcar e a casca da laranja ralada. Pouco a pouco, adicionar as uvas-passas, as lascas de amêndoas e as frutas cristalizadas. Com um rolo, abrir a massa sobre uma folha de papel-manteiga, deixando-a com 1cm de espessura. Cortar em losangos e transferir tudo, inclusive o papel-manteiga, para uma assadeira. Assar em forno pré-aquecido, a 160º C, por 30 minutos.
Nesse ínterim, preparar o glacê. Numa tigela, em banho-maria, misturar o açúcar impalpável e as claras de ovo, até o açúcar se dissolver por completo. Retirar os biscoitos do forno assim que assarem, deixando repousar por alguns minutos. Depois, pincelar o glacê sobre eles.
Para finalizar, usar um pacote de confeitos coloridos – salpicar os confeitos sobre os biscoitos.

A Festa de Todos os Santos em diversas culturas
No cristianismo primitivo já era costume celebrar a festa em honra de todos os santos. Os primeiros relatos remontam ao tempo de Tertuliano (155-222) e Gregório de Nice (223-395), mas somente os escritos de Santo Efraim, que morreu em 373, dão um testemunho verídico da “festa celebrada em honra dos mártires da terra”. Do Norte da Europa a festa chegou em Roma, em 13 de maio de 609, quando o Papa Bonifácio IV dedicou o Pantheon de Roma à Virgem Maria e a todos os mártires cristãos.
A mudança da data para o dia 1º de novembro se deve a Alcuíno, conselheiro de Carlos Magno (747-814), que, desde o ano 800, decidiu estabelecer a solenidade de Todos os Santos na data em que se celebra hoje. Antes, a festa durava três dias, pois a Igreja queria cristianizar a festa pagã do Samhaim, o Ano-Novo celta, que acontecia justamente nos primeiros dias de novembro. Na tentativa de esmagar o significado pagão dos ritos ligados à festa dos celtas, em 835 o papa Gregório Magno transfere definitivamente a festa “dedicada a todos os santos do paraíso” para o dia 1º de novembro.
Em inglês, a festa se chama All Hallows’Day. A vigília do Dia de Todos os Santos, ou seja, dia 31 de outubro, é chamada de All Hallow’Eve. As palavras acabaram por se transformar em Hallows’Even, e, em seguida, Halloween, festa ligada aos mistérios da magia, do mundo das bruxas e dos espíritos. 
Estes bolinhos são característicos do Dia de Todos os Santos, cuja tradição de “pedir pão por Deus” ou “pedir bolinho” ainda se mantém viva em algumas regiões dos Estados Unidos.
(Do livro O CÉU NA BOCA)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ossa dei morti - Biscoitos sicilianos para o Dia dos Mortos

Ingredientes:


200 g de avelãs ou amêndoas picadas

200 g de açúcar

200 g de farinha de trigo

1 clara de ovo

1/2 colher de café de canela em pó

4 cravos-da-índia moídos

1 cálice de vinho Marsala

Modo de preparar:

Em uma tigela misture a farinha, o açúcar, as avelãs moídas e as especiarias. Bata a clara em neve, bem firme, e misture aos ingredientes secos. Começe a amassar unindo, pouco a pouco, o vinho Marsala, até que forme uma massa homogênea. Abra a massa obtida com um rolo até que fique com 3 ou 4 cm de espessura, e corte-a em tiras longas. Dê o formato de ossos a essas tiras, arredondando as suas extremidades. Arrume os “ossos” em uma forma coberta com papel vegetal e leve ao forno, a 170 graus por cerca de 25 minutos.

No dia 2 de novembro, a Liturgia lembra os fiéis defuntos. Após celebrar no dia anterior a Festa de Todos os Santos, os triunfos daqueles que já alcançaram a glória do Céu, a Igreja dirige sua atenção para aqueles que sofrem no purgatório.
A gênese dessa celebração está na famosa abadia de Cluny, quando seu quinto abade, Santo Odilon, instituiu no calendário litúrgico cluniacense a Festa dos Mortos, dando especial oportunidade a seus monges de interceder pelos defuntos, ajudando-os a alcançar a bem-aventurança do Céu. A partir de Cluny, essa comemoração foi se estendendo entre os fiéis, até ser incluída no calendário litúrgico da Igreja, tornando-se uma devoção habitual, no catolicismo.
No México, esse é um dia especial nas tradições populares. Misturando formas de devoções de origem cristã com ritos centenários das antigas culturas, o povo criou uma comemoração única no mundo, uma maneira alegre e feliz, quase irônica, de contato com seus antepassados. Esse dia também já foi batizado como o “carnaval dos mortos”. De fato, podem até existir excessos e abusos nas festas mexicanas, mas, no seu mais profundo significado, a comemoração é para o povo se sentir perto dos parentes falecidos, na alegria do convívio, desmistificando a morte e os fantasmas que assustam tantas outras culturas ocidentais. Veja post do Pan de Muertos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Polvos à moda de San Gennaro



No próximo domingo, dia 19, é dia de São Gennarou, ou Januário em português.No ano de 304 o imperador romano Diocleciano desencadeou a última e também a mais violenta perseguição contra os cristãos. O Bispo Januário foi preso com outros membros do clero, e todos foram julgados e sentenciados à morte num espetáculo público no circo. Sua execução deveria mesmo ser um verdadeiro evento macabro, sendo jogados aos leões para que fossem devorados aos olhos do povo. Porém, a exemplo do ocorrido com o profeta Daniel, as feras tornaram-se mansas e não lhes fizeram mal. O imperador determinou, então, que fossem todos degolados na própria arena. Era o dia 19 de setembro de 305. Alguns cristãos piedosamente recolheram em duas ampolas o sangue do Bispo Januário e o guardaram como a preciosa relíquia que viria a ser um dos mais misteriosos milagres da Igreja.
A ele é atribuído o “milagre do sangue”: durante a festa de 19 de setembro, sua imagem é exposta aos fiéis e, nessa ocasião, a relíquia do seu sangue se liquefaz, adquirindo de novo a aparência de recém-derramado e de coloração avermelhada. A primeira vez, devidamente registrada e desde então amplamente documentada, ocorreu na festa de 1389. Quando o sangue não se liquefaz, a superstição local diz que um desastre se aproxima.
Por isso, os católicos devotam enorme veneração por São Januário. Até a história da cidade de Nápoles, cravada ao pé da montanha do Vesúvio, se confunde com a devoção dedicada a ele, que os protege das pestes e das erupções do vulcão. Na verdade, ela se torna a própria história desse santo que, segundo os Atos do Vaticano, era napolitano de origem e viveu no fim do século III Considerado um homem bom e caridoso, foi eleito Bispo de Benevento, cidade situada a 70 quilômetros de Nápoles. Nessa época, os inimigos dos cristãos lhes obrigavam a testemunhar sua fé através de terríveis martírios, seguidos de morte.
São Januário é venerado desde o século V, mas sua confirmação canônica veio somente através do Papa Sisto V, em 1586.
Nápoles nos presenteia com uma deliciosa receita de polvos para comemorar seu santo padroeiro.

Ingredientes
800g de polvos pequenos
3 dentes de alho
1 pimenta dedo-de-moça
4 colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem
1 colher de sopa de farinha de rosca
500ml de caldo de peixe
4 colheres de sopa de salsinha picada
sal a gosto

Modo de preparo
Limpar bem os polvos: eliminar as vísceras, retirar as bocas, lavar bem e enxugar. Numa panela, aquecer o azeite de oliva, acrescentar os dentes de alho picados e a pimenta picada, sem as sementes. Em seguida, colocar os polvos e refogá-los por 3 ou 4 minutos. Acrescentar duas conchas de caldo de peixe, tampar a panela, abaixar o fogo e deixar cozinhar. Depois de quase 20 minutos, ou assim que o polvo estiver macio, acrescentar farinha de rosca e misturar bem. Cozinhar por mais 5 minutos e, antes de servir, colocar a salsinha picada para finalizar o prato.

Esta receita integra o livro O Céu na Boca, de minha autoria.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Beijinho ou beijo de freira? Eis a questão!


Grande número de doces conventuais tinha nomes apelativos, de sentimentos inclusive eróticos e sedutores, que acabavam denunciando a falta de vocação religiosa de muitas irmãs. Muitas delas foram enclausuradas pelos pais ou pelos maridos por mau comportamento; outras ocupavam as dependências religiosas por serem secundogênitas, possuidoras de um dote menos consistente que as primogênitas, fator que acabava por se tornar um problema para contraírem um bom matrimônio.
A má-fama dos determinados mosteiros teve início em 3 de setembro de 1759 quando os jesuítas foram expulsos de Portugal, dando-se a extinção total da ordem em 21 de julho de 1773. O desfecho deu-se com o decreto de 30 de Maio de 1834, assinado por D. Maria II (1819 – 1853), filha do nosso D. Pedro I (1798 – 1834) que determinou a extinção das comunidades de clausura. Tal decreto foi promulgado pelo Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, Joaquim Antonio de Aguiar (1792 – 1884) e declarava extintos "todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares", confiscando o patrimônio de todas essas ordens. O Ministro passou a ser conhecido como o "Mata-Frades". A lei acarretou o empobrecimento e o declínio da doçaria conventual. Porém, a admissão de “meninas do coro” encarregadas pelo canto dos Ofícios Divinos, que, entre outras atribuições, dedicavam-se ao preparo dos doces, contribuiu para que esse legado não se extinguisse totalmente.

O biscoito beijo-de-freira teve origem no Convento de Santa Clara, que foi instituído em princípio do século XIV e que até hoje domina a paisagem da cidade de Vila do Conde, Distrito do Porto, em Portugal. Onde era feito pelas freiras que davam o forma de lábios, de onde surgiu o nome beijo-de-freira. Algumas modificações foram feitas como a substituição de alguns ingredientes e o seu formato
No Nordeste, provavelmente trazido pelas Clarissas no século XVII, o Beijo de Freira foi adaptado, tendo as amêndoas substituídas pelo coco, a tradicional calda de água com açúcar por outra de leite e açúcar, perpetuaram-se as gemas, agregou-se um aroma delicado de baunilha e virou o Beijo de Coco, docinho crocante embalado em papel de seda franjado e colorido, arte essa que também herdamos de Portugal. Mais tarde, na segunda metade do século XX, quando o leite condensado invadiu o mercado e as nossas receitas, transformou-se no Beijinho, ficou mais macio e passou a ser acondicionado em forminhas de papel e ganhou o característico cravo-da-índia, sua marca registrada.

Ingredientes:
1 lata de leite condensado
1 coco médio ralado
3 gemas
1 colher pequena de margarina
1 colher de essencia de baunilha
Açúcar cristal (para passar o doce)

Modo de preparar:
Junte todos os ingredientes, misture bem. Leve ao fogo até dar ponto (soltar do fundo da panela). Coloque em um prato e espere esfriar. Faça bolinhas e passe no açúcar cristal. Para decorar use cravos da índia. Rende em média 80 docinhos.