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segunda-feira, 2 de março de 2015

Zea Mais convida...ou seja, me convida

Ao lado da competente chef Joy Perini, ao som de Ralf Sperka e com a simpática recepção de Marcos Muller, amanhã, quarta e quinta-feira, dias 3, 4 e 5 de março estarei no restaurante Zea Mais de Curitiba apresentando um exclusivo menù de cozinha siciliana. Espero todos lá.


O céu na boca é o limite - por Reinaldo Bessa (Gazeta do Povo, 28/2/2015)

Dublê de chef, o escritor curitibano Fabiano Dalla Bona, professor de língua e literatura italiana da UFRJ, é o próximo convidado da chef Joy Perine, do restaurante Zea Maïs, do projeto Zea Convida. Autor dos livros O céu na bocaLiteratura e gastronomia: um casamento perfeito Fama à mesa, ele vai preparar um cardápio especial durante três noites, de 3 a 5 de março, inspirado em sua mais recente viagem de pesquisas gastronômicas à Sicília.


sábado, 7 de janeiro de 2012

Altri tempi trattoria tipica siciliana



Uma experiência única é jantar nesse local: éramos os únicos estrangeiros em meio a um grupo de senhores sicilianos que falavam dialeto e outros turistas italianos.





O proprietário foi quem fez o nosso pedido e nos sugeriu um misto de antepastos que compreendia:

couve-flor e cardo empanados e brioche com ricota

favvas com cardo e orégano

mocotó de vitela com aipo, cenoura e cebola

queijo provola com tomates secos, tomates frescos, olivas frescas e alho

salada de laranja e cidra com arenque defumado

E como primo piatto:

muito queijo ralado para acompanhar...

taglierini cacati: ragú de carne de porco com ricota.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Mercados de Palermo: Vucciria e Ballarò

Quando o branco e preto são apenas jogos de luz e sombra, os raios do sol siciliano produzem uma multiplicidade de cores e nos fazem ter a certeza de que estamos em um dos lugares mais interessantes da ilha: nos magníficos mercados abertos da cidade de Palermo. Nesses cenários, quase como se fossem presépios, folclore, cores, odores, vozes dialetais e pregões animam as compras diárias dos habitantes da capital siciliana, transformando esse gesto cotidiano quase que num ritual. Carnes, peixes, verduras, legumes, hortaliças: sabores exóticos, perfume de orégano e de menta, cores do mar misturadas àquelas da terra, peixes azuis e laranjas avermelhadas como o sol. É uma verdadeira sinfonia de cores e aromas.

cebolinhas

cidras

laranjas e cogumelos

figos-da-india e peras

caquis e outras frutas

musso: cartilagens e mocotó de vitela

erva-doce

cardo: um parente da alcachofra

alcachofras

mais alcaachofras


peixes estranhos: rã pescadora

cações

sépias

lulas

testículos de vitela e bucho



cogumelos

polvo


camarões


domingo, 24 de abril de 2011

Cordeiros de marzipã

Na Sicília e na Calábria, regiões do sul da Itália, esses doces em forma de cordeiro são os mais tradicionais no período da Páscoa. São chamados, em dialeto, de picureddi - carneirinhos. São feitos de marzipã, e o formato tradicional é de um cordeiro deitado sobre as patas num prado verde feito de confeitos, segurando a flâmula da Ressurreição. Eis algumas imagens.





Confecção dos picureddi numa confeitaria de Palermo




quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Timballo di maccheroni do Gattopardo para Elaine "Minhoca" de Lemos

Semana passada, nossa querida Minhoca esteve aqui no Rio, e em sua homenagem, resolvemos preparar o clássico da cozinha siciliana: Timballo di Maccheroni.

Timballo di maccheroni (Empadão de macarrões)

Ingredientes:

Para o recheio:
½ frango cozido e desfiado
100 g de cogumelos frescos
100 g de fígados de frango
200 g de presunto cozido cortado em filetes
200 g de linguiça suína
120 g de ervilhas frescas
500 g de macarrão formato maccheroni
queijo parmesão ralado
12 ovos de codorna cozidos
sal e pimenta-do-reino a gosto
uma trufa (quando disponível, cortada em fatias muito finas)

Para a massa:
3 xícaras de farinha de trigo
150 g de manteiga sem sal
1 xícara de água gelada
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de açúcar
1 colher de sopa de canela em pó

Para o creme doce:
3 colheres de açúcar
3 gemas
2 colheres de farinha de trigo
1 pitada de canela
½ litro de leite

Modo de preparar:

Misturar a farinha de trigo, o sal, o açúcar, a canela e a manteiga e amassar até se obter uma farofa. Juntar a água gelada aos poucos ate que a massa fique homogênea. Não trabalhar demais a massa, amassando-a somente com a ponta dos dedos, sem sovar. Se precisar, acrescente um pouco mais de farinha ou de água: o importante é que a massa fique compacta. A seguir, deixa e massa repousar na geladeira por volta de 30 minutos. A seguir prepare almôndegas do tamanho de uma noz com 200g de carne de frango já cozida e moída misturada a um ovo e 2 colheres de queijo parmesão ralado, salsa picada e uma pitada de sal. Frite-as em óleo quente e deixe escorrer sobre papel absorvente.
Numa frigideira com 2 colheres de manteiga coloque o restante do frango que não foi usado para as almôndegas, os filetes de presunto cozido, a linguiça sem pele, os fígados de frango, as ervilhas, os cogumelos, os ovos de codorna cozidos e descascados e deixe cozinhar por alguns minutos até que se forme um caldo e os sabores se misturem totalmente. Misture, também, bastante queijo parmesão ralado.     Prepare o creme doce batendo bem os ovos com o açúcar até que fique num tom amarelo claro, acrescente a farinha, uma colher de chá de essência de baunilha e o leite quente, misturando bem para que não se formem grumos. Levar à fervura em fogo baixo, mexendo continuamente, por cerca de 10 minutos. Tirar o creme do fogo, acrescentar a manteiga e as raspas de limão, de preferência siciliano! Deixar esfriar. Nesse ínterim, cozinhar os maccheroni na metade do tempo indicado e escorrê-los. Num recipiente suficientemente grande, misture os macarrões pré-cozidos e os demais ingredientes. Untar com manteiga uma forma de torta de fundo removível de 30 cm de diâmetro e cobrir o fundo e as bordas da mesma com um disco de massa que terá sido aberto com o rolo sobre uma superfície enfarinhada. A massa deve ter cerca de ½ cm de espessura. É importante que a massa saia para fora das bordas da forma, de modo a facilitar o fechamento do timballo com um outro disco de massa. Colocar então sobre a massa a metade dos macarrões, acrescentar mais queijo parmesão ralado, as trufas cortadas em lâminas e finalmente o restante dos macarrões, dando-lhes uma forma de cúpula ou de tambor, sobre o qual será derramado o creme doce preparado previamente. Cobrir o timballo com o outro disco de massa fechando bem as bordas. Pincelar um ovo batido e levar ao forno por 45-60 minutos, a 180 graus. Deixar repousar cerca de 5 minutos antes de desenformar e servir.




Fotos by Carlos Ramos
O timballo, prato capaz de seduzir os paladares mais exigentes, caracteriza-se por uma crosta de massa que envolve macarrões, arroz, carne e verduras. O seu nome indica, também, o tambor, instrumento de percussão. O termo deriva do francês timbale, por sua vez derivado do espanhol atabal, de origem árabe. De resto, na Sicília, os traços árabes invadiram também a cozinha, e a preparação de carnes recheadas já era comum no tempo dos conquistadores islâmicos.
O invólucro externo dessa forma comestível pode ser doce ou salgado, de massa folhada ou de massa podre, aromatizado com canela, casca de limão ou com outras essências. A massa pode ser substituída, também, com qualquer outra “coisa” comestível, que revestem e lhe dão forma, como berinjelas, abobrinhas ou até mesmo farinha de rosca que, aderindo perfeitamente às paredes da forma, criam uma camada protetora de seu recheio.
A visão de um timballo, como aquela descrita por Lampedusa, evoca a confeitaria, entendida em senso amplo do termo, como a arte de plasmar, induz a mente e o paladar do comensal à experiências gustativas únicas, capazes de estimular todos os sentidos.
Infinitas são as suas receitas, cujo recheio não oferece limites à inventividade de quem o prepara. O timballo da tradição é o de macarrão, nos seus mais variados formatos e consistências, de massa seca ou fresca, preparada a mão. Ele eleva o macarrão, de simples ingrediente popular, elevando-o a prato nobre, inserindo-o na literatura gastronômica francesa e italiana.
A idéia de criar um tambor de massa é típica da Itália do sul, de Nápoles e da Sicília, em particular. É na Sicília, na ilha do sol, que padre Jean-Baptist Labat (1663 – 1738), um dos primeiros viajantes do Grand Tour do século XVIII, descobriu a iguaria. “Nunca havia visto um patê de macarrões. Os macarrões tinham sido cozidos num molho de leite de amêndoas, de canela, de verdadeiras uvas passas de Corinto, de pistaches do Levante, de cascas de limão, os salaminhos mais delicados e guarnecidos com massa de Gênova.”