sábado, 5 de fevereiro de 2011

Limões de Sorrento

Na região Campania, segundo fontes, o limão teria chegado ali por volta do século I a.C., trazido pelos judeus, para os quais tinha um valor ritual. Representações de limões nos mosaicos e pinturas nas escavações de Pompéia demonstram o seu uso comum na área napolitana desde a antiguidade. O que é certo, é que na região, esse cítrico aclimatou-se de maneira extraordinária, e prosperou até se tornar um produto de excelência, tanto que seria impossível imaginar as costas de Sorrento e Amalfi sem os belos e sugestivos terraços de limões.

A população local é muito ligada ao limão, a ponto que não existe uma família sequer que não possua, pelo menos, uma árvore do fruto em seu jardim, quintal ou em vasos. As primeiras plantações de limão na Península Sorrentina foram obra dos padres jesuítas, que em 1600 começaram a produzi-los para o comércio na localidade de Guarazzano, entre Sorrento e Massalubrense. O Limone di Sorrento ganhou a sigla IGP (indicação geográfica protegida) em novembro de 2000: trata-se de um limão de dimensão médio-grande, de forma elíptica, com casca amarelo-citrino, muito perfumada, e a polpa suculenta e ácida. A área de cultivo do produto, hoje, ocupa cerca de 400 hectares, com uma produção anual que atinge 100 mil toneladas.
                                    (Limoeiro dentro do claustro do Monastério de Santa Clara, em Nápoles)
 A reputação dos limões de Sorrento era grande no século 19, e já eram exportados, principalmente para a Inglaterra. Atualmente, a maior parte da produção é reservado ao consumo interno, que destina 40% para o consumo fresco, e os restantes 60% são utilizados para o preparo do famoso Limoncello, famoso licor da região, mundialmente conhecido. O licor é obtido através da maceração das cascas do limão em álcool, segundo escrupulosas receitas antigas da tradição local.  Na Costiera Amalfitana a presença dos limões é atestada por documentos datados do início do século XI, mas foi no século 19 que ele ganhou valor econômico e social naquela região.
Esse é um dos melhores limoncellos produzidos na região, e para a nossa sorte, encontrado com facilidade aqui no Brasil. Recomendamos!
O tradicional Limoncello di Sorrento produzido por Villa Massa utiliza uma antiga receita de família, original de 1890, respeitando a tradição e o cuidado escrupuloso das matérias-primas, utilizando apenas limões cultivados na península sorrentina e na ilha de Capri.
O limoncello (ou limoncino) é um licor doce, e a primeira notícia histórica a seu respeito data de 1900, em Capri, onde a marca limoncello foi registrada pela primeira vez. Existem, porém, documentos do mesmo período que atestam que o licor de limão já era uma presença constante nas casas de Sorrento, utilizado como aperitivo e digestivo.

Sauté de mexilhões e vôngoles

Com o termo sautè, de origem francesa, indica-se a particular técnica de cozimento com a qual os alimentos saltam na frigideira, em fogo alto; esta técnica é geralmente usada para moluscos e frutos do mar, e é considerada muito saudável, pois usa-se pouco tempero e não se mascara o verdadeiro sabor dos alimentos. Essa maravilha apresentada nas fotos foi preparada pelo simpático Sr. Mario, no Ristorante Da Maria, em Amalfi, na Costiera Amalfitana (sul da Itália). Pena que as fotos ainda não tem cheiro!


Ingredientes:
2 kg de mexilhões
1 kg de vôngoles
3 dentes de alho
10 folhas de basílico
1 pimenta picante fresca
6 colheres de sopa de azeite extra virgem de oliva
½  copo de vinho branco seco
Sal a gosto
Fatias de pão tostado para acompanhar
Modo de preparar:
Elimine todos os moluscos que apresentarem suas conchas quebradas, danificadas e abertas. Coloque os vôngoles de molho numa bacia com água e uma colher de café de sal, para que eliminem a eventual areia de seu interior. Lave com cuidado as conchas: elimine as crostas, restos de alga e sujeira com uma escova, em água corrente. Em seguida, elimine a água salgada das vôngoles e lave-as, também, em água corrente.
Descasque os dentes de alho, pique 2 deles, reserve-os, e coloque um inteiro no caldeirão com 2 colheres de sopa de azeite de oliva, e que será dourado por 3 minutos, em fogo baixo, virando sempre para que não queime. Adicione, à seguir, a metade dos mexilhões, coloque o vinho branco, tampe o caldeirão e deixe que se forme vapor. Retire-os do caldeirão e reserve. Coloque, à seguir, a outra metade dos mexilhões e repita a operação. Depois, faça o mesmo com as vôngoles. Assim que estiverem abertas, tire-as da panela, tire a panela do fogo e elimine o alho. Filtre o molho com uma peneira fina e recoloque-o no caldeirão. Adicione mais 4 colheres de azeite de oliva, a pimenta e os alhos picados e refogue por mais 3 minutos.
Elimine as conchas que eventualmente não se abriram, e coloque-as no refogado de alho e pimenta, corrija o sal e deixe cozinhar por mais 6 minutos, com o caldeirão tampado. Enquanto isso, pique as folhas de basílico e coloque-as sobre as conchas. Mexa bem e sirva em pratos fundos com o molho e fatias de pão tostados.
Em 1968 o restaurante foi inaugurado no atual endereço, a dois passos da Catedral, símbolo da cidade e seu monumento mais importante. No início eram 5 mesas, e Luigi, o herdeiro da tradição de Dona Maria, sua esposa, resolveu homenageá-la. O local cresceu, e muito, e hoje são os filhos do casal que comandam o local, mas Dona Maria está sempre por lá dando seus preciosos conselhos. A família Pisacane é de uma simpatia única, e o tratamento dispensado aos clientes é de cortesia e amizade.

Em 1968 o restaurante foi inaugurado no atual endereço, a dois passos da Catedral, símbolo da cidade e seu monumento mais importante. No início eram 5 mesas, e Luigi, o herdeiro da tradição de Dona Maria, sua esposa, resolveu homenageá-la. O local cresceu, e muito, e hoje são os filhos do casal que comandam o local, mas Dona Maria está sempre por lá dando seus preciosos conselhos. A família Pisacane é de uma simpatia única, e o tratamento dispensado aos clientes é de cortesia e amizade. A arquitetura do local é tipicamente amalfitana, com arcos, paredes brancas e uma coleção de antigos ladrilhos dos séculos 17, 18 e 19, antiguidades e obras de arte. Se nada mais houvesse para se fazer em Amalfi, valeria a pena ir até lá apenas para comer no Da Maria. É satisfação garantida.

Mario é o mais alto de todos, de camisa azul

Como limpar mexilhões

Encontrei esses dois videos rapidinhos e acho oportuno dividi-los aqui. Serão úteis aos próximos posts.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Hotel e Ristorante Villa Maria - Ravello

Rica e interessante a villa foi a residência dos nobres romanos Marchesi De Cinque.
A cozinha utiliza exclusivamente produtos de sua horta biológica. Villa Maria é circundada por jardins em terraços onde, todas as manhãs, seus funcionários colhem os produtos necessários ao preparo das delícias de seu cardápio. O restaurante funciona desde 1934, como o hotel, e na época, o comando dos fogões era de dona Orsola. Hoje é possível degustar pratos da cozinha regional da Costiera Amalfitana, revisitados com sabedoria e gosto moderno por famosos chefes. O restaurante é indicado pelo guia Gambero Rosso e pela Accademia della Cucina.
Entre os famosos que já provaram as maravilhas da cozinha da Villa Maria, além de nós, estão o escritor americano Gore Vidal, o sociólogo Domenico De Masi, Maria Gabriella di Savoia, Irene Papas e Lina Wertmuller.
Nossa escolha foi: Trilogia de mar com peixe azul gratinado em folha de limão, espetinho de camarão e queijo provola defumado e Alice recheado de mussarela, acompanhado por 2 garrafas de Aglianicco rosso doc.



La Cucina Napoletana di Antonio Tubelli di Timpani e Tempura Napoli

Timpani e Tempura: templo da gastronomia napolitana

TIMPANI E TEMPURA é um pitoresco local inaugurado em 1997, no coração pulsante do centro histórico de Nápoles. Os proprietários são os irmãos Antonio e Lucio Tubelli, que após terem estudado a fundo a cozinha tradicional napolitana, abriram esse templo da gula, meta de gourmets e apaixonados pelas “comidas de rua”.

Antonio é um apaixonado pela cozinha napolitana, e é chamado, inclusive, de o “último monzù”, termo napolitana corruptela do francês monsieur, nome dos antigos cozinheiros das famílias aristocráticas. Ele viaja toda a Itália divulgando a autêntica gastronomia napolitana, e pesquisa em toda a região, ingredientes genuínos, biológicos, DOC, DOP, IGP e DOCG. Queijos, salames e embutidos, tomate, molhos, legumes, conservas e vinhos. A loja/restaurante é pequena: são apenas 4 mesas colocadas em meio a um mundo multicolorido de delícias.


O destaque vai para o tímpano (o timballo) – ver post mais antigo -. Com reserva antecipada, eles preparam, também, um jantar para 8 pessoas, o Cenotto (cena per otto). As delícias são servidas com a simpatia e a acolhida tipicamente napolitanas.


Vico della Quercia, 17, a um passo da Igreja do Gesù Nuovo, coração de Nápoles.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Steak Tartare

Relatos contam que pela necessidade de permanência dos cavaleiros mongóis em suas montarias, rumo às transições de terras e às intensas guerras, era preciso criar alguma forma de alimentação rápida que não os obrigasse a parar para comer; surgiu então a idéia de colocar carne sob as selas, permitindo que mesmo em cavalgada, pudessem se alimentar. O povo da época acreditava que a ingestão de carne crua fosse a fonte da grande força dos tártaros liderados por Átila, o rei dos Hunos, e começou a difundir o prato entre quem sonhava ganhar a força desses nômades.
Em 1238, com a invasão mongol a Moscou liderada pelo neto de Genghis Khan, Khublai Khan (1215-1294), os russos descobriram a rudimentar receita, e a concederam um formato peculiar, nomeando-a de Steak Tartare (Bife dos Tártaros). A nobreza russa acrescentou um toque de refinamento ao prato, que chegou à França quando os nobres exilados russos começaram a desembarcar em Paris, por volta de 1915
É muito popular em diversos países europeus como Bélgica, Croácia, República Checa, Alemanha, Hungria, os Países Baixos, Polônia, Eslováquia, Eslovênia e Suíça, existindo diferenças por questões culturais entre as receitas nestes países.

Ingredientes:
450 g de filé mignon, moído ou finamente picado
Sal a gosto
Pimenta do reino moída na hora a gosto
1 pitada de pimenta caiena
1 gema de ovo
1 colher de sobremesa de cebola roxa picada bem miúda
1 colher de chá de mostarda dijon 
1 colher de chá de alcaparras
1 colher de chá de salsinha picada
1 colher de chá de cebolinha picada
1 colher de chá de molho inglês
1 colheres de chá de pepino em conserva bem picado
1 colher de chá de páprica picante em pó
Gotas de molho tabasco
Para acompanhar:
1 baguete
Azeite de oliva extra virgem
Opção:
batatas chips
torradas de pão de centeio

Modo de preparar:
Fatie a baguete, pincele com um pouco de óleo de oliva. Coloque as fatias em uma assadeira e leve ao forno alto, até dourar, por 10 minutos.
Escolha um pedaço de filé sem nenhum nervo ou gordura, a carne deve ser fresquíssima e não deve ter sido congelada. Se preferir a carne picada: Com uma faca afiada, fatie a carne contra o sentido das fibras. Corte cada fatia em tirinhas (julienne). Corte as tiras em pequenos cubinhos. Junte os cubinhos em um monte e pique tudo finamente, mas sem perder a textura. Deixe a carne na geladeira enquanto prepara os temperos. Transferir para uma tigela e colocar esta tigela sobre outra maior cheia de gelo e deixe sempre assim enquanto junta os temperos. Rale a cebola num ralo grosso ou pique-a, bem miúda. Pique a salsinha e a cebolinha. Coloque as alcaparras, a mostarda, o molho tabasco, o molho inglês, a cebola, a salsinha e a cebolinha dentro de recipientes individuais. Num recipiente, coloque  a carne moída somente uma vez ou a carne picada Tempere com sal, pimenta do reino e a pimenta caiena. Mexa com uma colher rapidamente. Faça uma bola com a carne. Num prato raso, coloque a bola de carne e vá apertando com as mãos, formando uma circunferência. Deixe uma margem de 6 cm entre a carne e a borda do prato. Deixe um buraco bem no centro da carne e despeje a gema, inteira, neste espaço. Distribua os temperos em volta do prato. Para uma textura mais sedosa, adicione mais azeite de oliva. Espalhe pequenos pepinos em conserva e pequenas torradas ao redor de cada tartare. Sirva imediatamente. Sirva sempre bem gelado, não deixe a carne ficar a temperatura ambiente.