sexta-feira, 25 de março de 2011

Plum Cake de passas ao rum

Ontem resolvi fazer um bolo, um daqueles bolinhos com cara de casa de vó, para se tomar com café, numa tarde de outono. Não que aqui no Rio, exatamente, a temperatura seja outonal! Enfim...
Artefatos e manuscritos culinários são objetos de possessão familiar. Autenticá-los com o nome de um parente significa, num primeiro momento, inserí-los entre as memórias e as tradições domésticas.
Também na Literatura, a vovó possuía uma histórica gastronômica e fantástica. As avós das fábulas comiam biscoitos e tortas, em geral feitas por suas filhas e levadas até elas por suas netas. Fica aqui a homenagem à minha vovó, que adorava bolos desse tipo.


 
Ingredientes
250 ml de iogurte natural
150 ml de óleo de canola
1 ovo inteiro
1 colher de sobremesa de gengibre ralado
1/2 xícara de chá de uvas passas
1/2 xícara de chá de rum branco

250 ml de farinha de trigo
125 g de açúcar
1/4 de xícara de chá de amêndoas laminadas
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de noz moscada em pó
1 colher de chá de bicarbonato
1 pitada de sal

Modo de preparar:

Antes de mais nada, coloque as passas de molho no rum e deixe-as imersas por 30 minutos. acenda o forno e deixe-o atingir a temperatura de 180 graus. Unte uma forma de bolo inglês com óleo de canola e farinha e reserve.
Numa tigela, misture todos os ingredientes secos, e em outra, os molhados, inclusive as passas já escorridas. junte as duas misturas, e incorpore-as bem com um fouet. Derrame a massa na forma previamente untada e leve ao forno por 50 minutos, ou até que o "teste do palitinho" dê resultado. Retire do forno, deixe esfriar ao menos 10 minutos antes de desenformar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Coelho à caçadora

Eis a primeira receita para o Outono. O coelho à caçadora é um prato presente nas cozinhas tradicionais da Itália (Coniglio alla cacciatora), França (Lapin a la ancienne), Portugal e Espanha (Conejo a cazadora). Muitas são as suas variações, inclusive dentro desses mesmos países. A escolha aqui foi feita entre muitas, muitas receitas encontradas em livros, revistas e na net.

Segundo muitos nutricionistas, a carne de coelho é uma das mais recomendadas ao consumo humano. Apresenta baixíssimo teor de colesterol, elevado teor de proteínas, sais minerais e vitaminas, é leve e de fácil digestão, inclusive por convalescentes e pessoas com "estômagos fracos", como dizia o gastrônomo italiano Pellegrino Artusi (Veja post sobre os 150 anos da Unificação Italiana).
França e Espanha são os maiores produtores e consumidores de carne de coelho do mundo, e aqui no Brasil, ainda há uma resistência ao seu consumo, tanto que não é muito fácil encontrá-lo à venda. Tive que rodar bastante aqui no Rio para encontrar um "coelinho". Encomendei com uma semana de antecedência numa barraca da Feira da Praça General Osório, aqui em Ipanema. O nome é sugestivo: Barraca Sangue Bom, do Reginaldo (21 9689-2129). Supere a falta de coragem - confesso que também já tive um dia- e confira a delicadeza de seu sabor.


Ingredientes:

1 coelho de 1,5 kg, aproximadamente, cortado em pedaços (peça ao seu açougueiro para fazer isso)
4 dentes de alho socados
1 colher de sobremesa de sal
1 colher de chá de pimenta-do-reino moída
1/2 cebola picada e mais 1 cebola picada
4 colheres de sopa de alecrim fresco
3 colheres de sopa de sálvia rasgada grosseiramente
4 folhas de louro
500 ml de vinho tinto de boa qualidade
4 colheres de sopa de azeite de oliva

Modo de preparar:

Com 24 horas de antecedência, prepare uma marinada. Em um recipiente com tampa, após ter lavado e retirado o excesso de gordura da carne, se for o caso, coloque os pedaços do coelho. Em um pilão, soque os dentes de alho com  um pouco de sal e pimenta-do-reino, até obter uma pasta. Esfregue essa pasta nos pedaços do coelho, coloque as folhas de louro, a sálvia rasgada e o alecrim sem os talos mais duros. Adicione o restante do sal e o vinho tinto, e deixe marinando, na geladeira, até o dia seguinte.
No dia do preparo, retire a marinada da geladeira e coloque os pedaços do coelho em um escorredor para retirar o excesso de líquido. Aqueça bem uma panela de barro grande, como aquelas para moqueca, coloque 2 colheres de sopa de azeite e sele a metade dos pedaços do coelho. Repita a operação com os pedaços restantes e reserve. Na mesma panela, refogue a cebola inteira picada, e assim que estiver bem dourada, adicione o coelho já selado. Doure por mais alguns minutos, mexa bem e coloque a marinada. Abaixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar, lentamente, por aproximadamente 45 minutos a uma hora, ou até que a carne fique bem macia e comece a soltar dos ossos. Retire a carne, filtre a marinada para eliminar os temperos e reduza essa marinada à metade, aumentando um pouco o fogo. Após a redução, recoloque o coelho, deixe por mais alguns minutos e sirva. Como acompanhamento, uma polenta cremosa ou tagliatelle temperadas com o molho do coelho.

O Outono chegou

Este ano ele começou no último domingo, 20 de março, às 20.19 horas. Naquela hora, deu-se o fenômeno chamado Equinócio de Outono, ou seja, o sol ao descrever a sua órbita ao redor da Terra, atinge o seu zênite num ponto do Equador, de modo que a área por ele iluminada  torna-se igual nos hemisférios Norte e Sul. É um tempo onde as temperaturas começam a cair, as folhas começam a mudar de cor e as feiras e mercados começam a receber delícias provindas do cultivo da terra, principalmente frutas. É tempo de grandes colheitas.

Outono - Giuseppe Arcimboldo (1573), Museu do Louvre

Outono, também, é tempo de comer bem, e em breve, postarei receitas para essa estação. Alguma sugestão?  Poste aqui.

E por enquanto, que tal esse fundo musical?

domingo, 20 de março de 2011

Zeppole di San Giuseppe

Essa receita é típica da cidade de Nápoles onde, junto com o padroeiro San Gennaro, é um dos santos mais venerados na cidade. Toda a pessoa de nome Giuseppe (José) e todos os papais - afinal dia 19 de março é o dia dos pais na Itália - , recebe esses doces como presente. Eles também estão presentes em todas as vitrines de confeitarias da cidade. (Foto do busto de prata do Santo na Basilica de San Gennaro - Nápoles)

Segundo a tradição, o doce tem origens muito antigas, no Império Romano, no início da era cristã. Quando José, Maria e o pequeno Jesus foram obrigados a fugir para o Egito, por causa da perseguição de Herodes, conta-se que São José, para prover o sustento da família, vendia rosquinhas fritas naquela terra que os acolheu. Dali em diante, a tradição se perpetuou, e essas deliciosas roscas passram a ser o doce típico da festa em comemoração ao Santo Carpinteiro.

Ingredientes (para 10 zeppole):
4 ovos inteiros
175 g de farinha de trigo
200 ml de água
100 g de manteiga
1 pitada de sal
óleo para fritura
açúcar de confeiteiro para polvilhar
para o creme:
200 ml de leite (primeiro leite)
1 colher de sopa de amido de milho
1 colher  de sopa de farinha de trigo,
1 ovo
5 gemas passadas pela peneira
300 ml de leite (segundo leite)
110 g de açúcar,
½  fava de baunilha aberta ao meio (ou gotas de baunilha),
60 g de manteiga

Preparo do creme:
Dissolva o leite, o amido de milho e a farinha de trigo. Acrescente o ovo e as gemas. Reserve. Misture os 300 ml de leite (segundo leite) com o açúcar e a fava de baunilha. Leve para ferver. Adicione a mistura do primeiro leite ao segundo (que tem amido, ovo e gema). Mexa sem parar até engrossar e começar a borbulhar. Retire do fogo e acrescente a manteiga. Leve a batedeira em velocidade baixa somente para esfriar. Passe o creme por uma peneira fina e coloque numa tigela.

Preparo das zeppole:
Coloque a água com uma pitada de sal em uma panela e leve ao fogo, quando começar ferver coloque toda a farinha e mexa tudo com uma colher de madeira, até a massa desgrudar do fundo da panela (cuidado para não encaroçar). Tire do fogo, deixe repousar e quando esfriar coloque os ovos e a manteiga e misture tudo energicamente, criando uma massa bem amalgamada. Com o saco de confeitar, coloque dentro uma boa quantidade da massa e faça círculos em forma de “rosquinhas”. Se preferir as “zeppole” menos calóricas, forre uma assadeira com papel manteiga e asse as “zeppole” em forno a 180°C por 20 minutos. Todavia, para as verdadeiras “zeppole”, frite-as em bastaste óleo quente, e retire-as ainda bem clarinhas. Depois de frias, polvilhe com açúcar de confeiteiro, corte-as ao meio, e novamente use o saco de confeitar com o creme para recheá-las com o creme.  Enfeite o centro com um pouco da geleia de sua preferência

Bolinhos de arroz para comemorar São José

Bolinhos de arroz de São José
Receita tradicional da cidade de Florença (Itália)



Ingredientes
350 g de arroz
1l de leite
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de sobremesa de açúcar de baunilha
a casca de uma laranja ralada
50 g de farinha de trigo
2 ovos
1 pitada de sal
açúcar de confeiteiro
óleo de soja ou de milho suficiente para fritar

Modo de preparar:
Cozinhar o arroz no leite, adicionando uma pitada de sal. Deixar esfriar e colocar a farinha de trigo, o açúcar de baunilha, a casca da laranja ralada, o fermento, as gemas e, por último, as claras batidas em neve, misturadas com delicadeza. Com as mãos molhadas, preparar bolinhas com a massa, passá-las na farinha de trigo e fritá-las em óleo bem quente. Escorrer os bolinhos em papel absorvente e pulverizar com açúcar de confeiteiro.



São José
Esposo da Virgem Maria e padrasto de Jesus. Ele figura na infância de Jesus conforme a narrativa de Mateus e de Lucas, e é descrito como um homem justo. Mateus descreve os pontos de vista de José, e Lucas descreve a infância de Jesus com José. Ele é descendente da casa real de David. Noivo de Maria, foi visitado por um anjo que lhe informou ser pai do filho da Virgem, e que o filho era do “Sagrado Espírito”. Ele tomou Maria e a levou para Belém onde teve lugar o nascimento de Jesus. Novamente avisado por um anjo das intenções do rei Herodes, José levou Maria e Jesus para o Egito. Eles só voltaram a Nazaré quando outro anjo apareceu a José, comunicando-lhes a morte de Herodes. A última menção feita a José nas Sagradas Escrituras é quando procura por Jesus no Templo de Jerusalém. Os estudiosos das escrituras acreditam que ele já era velho e teria morrido antes da Paixão de Cristo.
A veneração especial a José começou na Igreja moderna, onde escritos apócrifos passaram a relatar a sua história. Em 1479 ele foi colocado no calendário romano com sua festa a ser celebrada em 19 de março. São Francisco de Assis e Santa Teresa de Ávila ajudaram a espalhar a devoção e, em 1870, José foi declarado patrono universal da Igreja pelo papa Pio IX. Em 1889, o papa Leão XIII o elevou a bem próximo da Virgem Maria e o papa Bento XV o declarou patrono da justiça social. O papa Pio XII estabeleceu uma segunda festa para o santo, a festa de “São José, o trabalhador” em 1º de maio. É o padroeiro dos carpinteiros e é representado como um homem velho, com um lírio na mão, e algumas vezes, ensinando a Jesus o ofício da carpintaria.   
            Essa receita florentina é preparada para a comemoração do Dia dos Pais, celebrada na Itália, no dia de São José, ou seja, ontem, 19 de março.

São José - Caravaggio

Receita do Livro O CÈU NA BOCA, Ed. Tinta Negra, 2010.

sábado, 19 de março de 2011

Bruschetta a modo mio

A bruschetta é um clássico antepasto italiano, originário das regiões centro-meridionais do Lazio e Abbruzzi. seu nome deriva da palavra  "bruscato", que quer dizer tostado ou torrado, quer seja na grelha como no forno. A clássica bruschetta é feita com pão rústico esfregado com alho e tomates picados, mas inúmeras são as suas variações. Aliás, ela é tão versátil que permite que qualquer um crie a sua própria, seguindo suas preferência, criatividade ou disponibilidade de ingredientes.


Para 8 bruschette:

8 fatias de pão italiano
4 tomates tipo italiano bem maduros picados
2 dentes de alho grandes
6 colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem
2 colheres de sopa de basilico picado
sal a gosto
pimenta calabresa moída a gosto (opcional, porém essencial, eu diria!)
folhas de basilico para decorar

Lave bem os tomates e pique-os em cubinhos. Tempere com sal e pimenta calabresa, acrescente o azeite de oliva e o basílico picado, e deixe marinando por 20 minutos. Aqueça o forno. Fatie o pão e esfregue o alho cru na superfície das fatias e reserve. Decorridos os minutos da marinada, coloque as fatias de pão no forno para que tostem um pouco, ou seja, para que criem uma primeira casaquinha crocante. Retire-as do forno e  deite sobre cada uma das fatias, uma abundante porção dos tomates temperados. Leve novamente ao forno por mais 10 minutos. Retire do forno, decore as bruschette com uma folha de basílico e sirva.

quinta-feira, 17 de março de 2011

150 Anos da Unificação da Itália - II

A Unificação da Itália não foi apenas um fato político. Foi literário também. E gastronômico.
Considerado a Bíblia da culinária italiana, o livro "A ciência na cozinha e a arte de comer bem", do renomado gastrônomo Pellegrino Artusi, foi lançado em português. A obra, que traz 790 receitas de todas as regiões da Itália, tem servido de inspiração para grandes cozinheiros e chefs de todo o mundo no último século.

Lançada originalmente em 1891 com uma tiragem de mil exemplares, custeada pelo próprio autor, a primeira edição foi um verdadeiro sucesso. A obra se tornou best-seller e já foi traduzida para o alemão, holandês, inglês e espanhol.
Com uma linguagem simples e didática, Pellegrino Artusi oferece ao leitor as receitas dos mais saborosos pratos italianos, de antepastos a carnes, passando por sopas, massas, sobremesas e drinks. Ao longo dos capítulos, o autor expõe reflexões, faz anedotas, comenta o poder nutritivo dos alimentos e apresenta explicações sobre termos do vulgar toscano que nem todos poderiam compreender. Devido a essas particularidades, as receitas também podem ser lidas pelo simples prazer em adquirir conhecimento.

Escrita e publicada em um momento em que a Itália passava por um processo de unificação, a obra de Artusi agrega também um grande valor histórico, pois contribuiu para a consolidação da língua italiana. Isso porque antes da unificação e da escolha do dialeto toscano como língua oficial, cada região da Itália utilizava um dialeto próprio para se comunicar. Embora tenha nascido na região da Emilia-Romagna, Artusi viveu na Toscana desde os 32 anos e escreveu a obra já na língua oficial.
Mais do que um livro de receitas, "A ciência na cozinha e a arte de comer bem" é uma obra rica em dissertações e criações linguísticas que recordam uma conversa informal. Trata-se de uma obra simples que exalta o prazer de comer bem.

PS - consegui encontrar o livro apenas na Saraiva on-line
Fonte: absoluta.com.br

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