domingo, 12 de junho de 2011

Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa



Santo Antônio é o padroeiro de Pádua, de Lisboa, de Split, de Paderborn, de Hildesheim, dos casais, e é um santo popular para encontrar itens perdidos. No Brasil é o santo casamenteiro e é invocado pelas moças solteiras para encontrar um noivo. O “dia dos namorados” no Brasil é celebrado na véspera de sua festa ou seja no dia 12 de junho.
Faleceu no dia 13-06-1231 em Arcella, nos arredores de Pádua. Foi canonizado em 30-05-1232 pelo Papa Gregório IX em Espoleto (Úmbria), Itália.
Foi indicado Doutor da Igreja em 16-01-1946 por Pio XII com o título de “Doutor Evangélico”.
Na arte litúrgica da igreja ele é mostrado como um franciscano e as vezes com o Menino Jesus.



O milagre dos peixes:Santo António faz um sermão aos peixes, no rio Marecchia porque os homens de Rimini não o querem ouvir. Ao ver isto eles arrependem-se e dirigem-se para junto do santo, ouvindo o sermão.
O milagre do jumento:Um herege não acreditava que Cristo de fato estava presente na Eucaristia. Santo António diz que o jumento, que o homem tinha, era menos teimoso e que seria mais fácil convencê-lo. Ao ver a hóstia o jumento ajoelha-se.
Em 1236 fizeram o traslado do corpo do Santo. Foi possível encontrar a língua do Santo perfeitamente rosada no corpo já em decomposição. A língua ficou como relíquia lembrando que aquela língua anunciou a palavra de Deus ao mundo.
O santo casamenteiro:
Existe três versões:
1) Entre os Bascos, Santo Antonio é considerado o santo que faz o “matchmaker” ou seja encontra os iguais ou seja santo que casa coisas iguais ou santo “casamenteiro”.
Ele seria o santo que fazia o sagrado encontro de duas pessoas ou o santo casamenteiro. De acordo com o costume relatado pelo Rev. Francis X. Weiser publicado em 1958, as garotas Bascas faziam uma peregrinação no templo de Santo Antonio em Durango, no dia de sua festa, e oravam para ele encontrar para elas, um “bom rapaz”.
Vale dizer que os rapazes bascos faziam a mesma jornada e ficavam do lado de fora do templo até as moças terminarem as suas preces e aí eles as tiravam para dançar. Weiser especula tambem que esta associação entre noivado e casamento é inspirado porque temos varias imagens de Santo Antonio carregando um “bebê ” (Menino Jesus) nos braços.
2)Outra versão, muito contada pelos antigos, diz que uma jovem depois de fazer uma novena à Santo Antônio e não tendo encontrado noivo, zangada, jogou a estátua de Santo Antônio que tinha em seu oratório, pela janela e a mesma caiu na cabeça de um caixeiro-viajante que passava. Este gritou e ela foi correndo ajuda-lo e levou-o para dentro e tratou de seu ferimento. Ele se apaixonou por ela e se casaram.
3)Conta-se que uma donzela não dispunha do dote para casar-se e, confiante, recorreu a Santo Antônio. Das mãos da imagem do Santo teria caído um papel com um recado a um prestamista (pessoa que empresta dinheiro a juros) da cidade, pedindo-lhe que entregasse à moça as moedas de prata correspondentes ao peso do papel. O prestamista obedeceu e pôs o papel num dos pratos da balança, colocando no outros as moedas. Os pratos só se equilibraram quando havia moedas suficiente para pagar o dote.”

Pentecostes


AFOGADO – receita tradicional da cidade de São Luiz do Paraitinga – São Paulo



A Festa do Divino Espírito Santo é uma festividade de origem portuguesa trazida para o Brasil no século XVI. É uma festa móvel, comemorada cinqüenta dias após a Páscoa no dia de Pentecostes. Tem como símbolo principal uma bandeira vermelha com uma pomba branca no centro, representando o Divino Espírito Santo. A cor vermelha da bandeira simboliza o fogo que se refere à forma pela qual o Espírito Santo se manifestou aos apóstolos e à Virgem Maria no cenáculo.

São Luís do Paraitinga localiza-se no Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo. No final do século XVIII, a região do Vale do Paraíba era a mais povoada da Capitania de São Paulo e ponto de passagem na penetração para o interior, quando os Bandeirantes iam ao sertão à caça de índios, pedras e metais preciosos. A Festa do Divino é a principal festa do calendário da cidade, e na ocasião acontece a distribuição de Afogado aos participantes dos festejos.


Ingredientes:

¼ de xícara de azeite de oliva

2 colheres de sopa de alfavaca (manjericão grande) picada

2 colheres de sopa de cebolinha picada

2 colheres de sopa de hortelã picada

2 colheres de sopa de salsa picada

1 colher de chá de sal

1 kg de acém cortado em cubos pequenos

100 g de toucinho fresco cortado em cubos

3 litros de água

2 dentes de alho

1 cebola grande picada

2 folhas de louro

1 pitada de colorau


Modo de Preparar:

Frite a carne no azeite até dourar. Acrescente o toucinho, a cebola, o colorau, o sal, o alho, o louro e a água. Deixe cozinhar em fogo alto por 2 ou 3 horas,  ou até que a carne fique macia e desfiando. Se necessário, junte mais água (sempre quente). Quando estiver no ponto, prove o sal, adicione a alfavaca, a cebolinha, a hortelã e a salsa, mexa e sirva.
receita do livro O Céu na Boca

domingo, 5 de junho de 2011

Vatapá para Nazareth

Para comemorar o aniversário de Nazareth, o cardápio foi um vatapá.
A maioria das pessoas afirma que a palavra Vatapá é de origem Yorubá, um dos dialetos africanos. Segundo Câmara Cascudo,  grande antropólogo e historiador nordestino , está é uma informação deveras equivocada.
Numa viagem à África, Cascudo descobriu que ninguém sequer sabia o que significava esta palavra, e que alguns dos alimentos que aqui reconhecemos como africanos, lá são reconhecidos como brasileiros. Assim é com o Vatapá, que o antropólogo afirma ser de origem Tupi. Confesso não ter encontrado ainda a referência do significado em Tupi da palavra vatapá, mas dada a semelhança com o nome de outra iguaria Tupi, o Tacacá, não é difícil acreditar no argumento de Cascudo.
Gilberto Freyre, em seu livro "Açúcar" (1936, pág. 489) diz que o prato foi criado a partir de receitas africanas, como o muambo de galinha e quitande de peixe, acrescido a elas iguarias e temperos nacionais.
No livro "Com unhas, dentes & cuca" de Alex Atala e Carlos Dória, sobre cozinha regional, podemos ler: "Aparentemente, nada é mais estável que o vatapá. Ele parece ter vindo da África, do fundo dos tempos e, incólume, resistiu a toda sorte de modernizações. Por isto ele é símbolo gastronômico da Bahia. Ledo engano histórico. O folclorista Câmara Cascudo mostrou como a cozinha baiana é dessas tradições inventadas, fruto da unificação tardia dos cultos afro-brasileiros na segunda metade do século XIX, que, entre outras consequências provocou a homogeneização das "comidas de santo". O vatapá aparece, neste contexto como uma reinterpretação baiana da açorda portuguesa, cuja origem é uma papa de miolo de pão ensopado e temperado que acompanha peixes e frutos do mar. Todas as terras colonizadas pelos portuguese incluindo Goa e Macau, tem uma versão local da açorda ou, se quisermos, de vatapá."



 
A origem do vatapá é controversa: Enquanto alguns antropólogos, como Artur Ramos, defendem que “foi o negro sudanês quem introduziu no Brasil o azeite de coco de dendê (elais guineensis), o camarão seco, a pimenta malagueta, o inhame, as várias folhas para preparo de molhos, condimentos e pratos. E ainda modificou, com seus processos, a cozinha indígena ou portuguesa”.
Na culinária, como em outras manifestações culturais africanas no Brasil, está ocorrendo o fenômeno de torna-viagem.” Assim, de acordo com Câmara Cascudo, o vatapá é brasileiro e foi levado à África pelos escravos libertos que retornaram à terra de origem. O milho usado na receita indicaria a origem indígena do prato.
Brasileiro ou africano, o vatapá é uma peixada em forma de creme ou purê “pedaçudo”. Pode ser feito com fubá, farinha de mandioca ou pão amanhecido. É temperado, oficialmente, com cebola, alho, tomate, coentro e gengibre, além de amendoim e castanha, ambos torrados e moídos. Sem esquecer do azeite de dendê, do camarão seco e do leite de coco, naturalmente.


"Me deixem em paz com meu luto e minha solidão. Não me falem dessas coisas, respeitem meu estado de viúva. Vamos ao fogão: prato de capricho e esmero é o vatapá de peixe (ou de galinha), o mais famoso de toda a culinária da Bahia. Não me digam que sou jovem, sou viúva: morta estou para essas coisas. Vatapá para servir a dez pessoas (e para sobrar como é devido).
Tragam duas cabeças de garoupa fresca. Pode ser de outro peixe, mas não é tão bom. Tomem do sal, do coentro, do alho e da cebola, alguns tomates e o suco de um limão.
Quatro colheres das de sopa, cheias com o melhor azeite doce, tanto serve português como espanhol; ouvi dizer que o grego inda é melhor, não sei. Jamais usei por não encontrá-lo à venda. Se encontrar um noivo, que farei? Alguém que retome meu desejo morto, enterrado no carrego do defunto? Que sabem vocês, meninas, da intimidade das viúvas? Desejo de viúva é desejo de deboche e de pecado, viúva séria não fala nessas coisas, não pensa nessas coisas, não conversa sobre isso. Me deixem em paz, no meu fogão.
Refoguem o peixe nesses temperos todos e o ponha a cozinhar num bocadinho d’água, um bocadinho só, um quase nada. Depois é só coar o molho, deixá-lo à parte, e vamos adiante .
A seguir agreguem leite de coco, o grosso e puro, e finalmente o azeite-de-dendê, duas xícaras bem medidas: flor de dendê, da cor de ouro velho, a cor do vatapá. Deixem cozinhar por longo tempo em fogo baixo; com a colher de pau não parem de mexer, sempre para o mesmo lado: não parem de mexer senão embola o vatapá. Mexam, remexam, vamos, sem parar; até chegar ao ponto justo e exatamente.
Em fogo lento meus sonhos me consomem, não me cabe culpa, sou apenas uma viúva dividida ao meio, de um lado viúva honesta e recatada, de outro viúva debochada, quase histérica, desfeita em chilique e calundu. Esse mando de recato me asfixia, de noite corro as ruas em busca de marido. De marido a quem servir o vatapá doirado e meu cobreado corpo de gengibre e mel.
Chegou o vatapá ao ponto, vejam que beleza! Para servi-lo falta apenas derramar um pouco de azeite-de-dendê por cima, azeite cru. Acompanhado de acaçá o sirvam, e noivos e maridos lamberão os beiços."

AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 231-233






sexta-feira, 3 de junho de 2011

Antigas publicidades

E para finalizar, alguns interessantes cartazes promocionais de macarrão, das primeiras décadas do século XX.





Fabricação de macarrão - século XIX-XX


Mais algumas imagens interessantes sobre a fabricação do macarrão em Nápoles e província, datadas do final do século XIX e início do XX.




quinta-feira, 2 de junho de 2011

Italiani mangiamaccheroni

Já que falávamos de lugares comuns... Os italianos, por muitos povos, são vistos como mangiamaccheroni, ou seja, comedores de macarrão. Aliás, esse era historicamente, o lugar comum referente aos italianos do norte até o século XVIII. Quando a produção de massas alimentícias secas passou a se concentrar no sul da península, principalmente na região de Nápoles, os napolitanos, e por extensão, os demais habitantes do sul, foram então chamados de mangiamaccheroni. Selecionei algumas imagens que traduzem bem esse espírito.










2 de Junho - Dia da República Italiana

O dia 2 de junho é o dia da República Italiana, correspondente ao 15 de novembro no Brasil. Foi nesta data, em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, que os italianos foram às urnas para decidir o destino do país. Durante dois dias (2 e 3 de junho), a população votou para escolher a forma de governo: as opções eram República (vencedora do referendo) ou monarquia. Portanto, hoje é dia de festa na Itália. Um saluto!



E a propósito, Itália, em geral, lembra macarrão. Sei que é um lugar comum, mas é inevitável. Que tal, meus amigos seguidores, se vocês mandassem sua receita preferida de macarrão?