domingo, 28 de agosto de 2011

Curiosidade: colheres para absinto

França - séc. XIX

Esta colher perfurada é usada para dissolver um cubo de açúcar num copo de absinto.
Coloca-se  a colher por cima do copo com absinto e coloca um cubo de açúcar por cima da colher. Na era Vitoriana, pingava-se uma gota de láudano no torrão de açúcar! Despeja-se água por cima do cubo e através das perfurações da colher. Adicionar açúcar serve para adoçar a bebida e diminuir o amargor da mesma.
"Van Gogh, Rimbaud, Beaudelaire. Um trio irrepetível, com uma musa comum. Uma bebida destilada feita da erva arthemisa absynthum. No século XIX, era a bebida dos que procuravam novas sensações. Os efeitos do absinto tornam-na um pecado tentador para os artistas. Após o seu consumo, embora o corpo apresente efeitos de embriaguez, os sentidos estão apurados: os cheiros mais fortes, as cores mais intensas. A Fada Verde tem ainda o condão de concentrar o mundo inteiro num detalhe; aqueles que bebem absinto podem abstrair-se de tudo o que os rodeiam e focar-se numa melodia, numa forma, e apreciá-la com todos os sentidos. Esta qualidade explica o porquê da unânime adesão dos artistas franceses.
Poetas como Rimbaud e Verlaine atribuíam ao absinto a sua inspiração, a capacidade de se desligarem do real, de observarem o que os rodeava de uma nova perspectiva. Degas, Sarah Bernhard, Van Gogh, Lautrec, Gauguin, Manet e Monet são apenas alguns dos nomes dos que apreciavam as tertúlias inspiradas pela Fada Verde e cujo trabalho foi concebido sob a influência da musa que habitava as garrafas de absinto. Na companhia de um copo de absinto escreveram e pintaram, debateram e partilharam ideias, comentaram mundaneidades, cantaram ou declamaram poesia.
Na França da segunda metade do século XIX, o absinto era um símbolo de inspiração artística e por isso o nome “Fada Verde”, “Musa Verde” ou, nas palavras do ocultista britânico Alastair Crawley - que chegou a vir a Portugal para conhecer Pessoa - a “Deusa Verde”.
De inspiração dos vanguardistas a ópio dos mundanos e ódio de estimação de uma opinião pública alimentada por manchetes sensacionalistas, o absinto passou de bebida adorada a bebida banida nos principais estados europeus. O absinto era, claramente, uma bebida demasiado à frente para o século XIX. Rapidamente os mais hediondos crimes foram justificados pelo consumo desta bebida, constando a Fada Verde nos títulos mais escabrosos apregoados pelos ardinas. O ateísmo, a vida errática e boémia, a inconstância e, em alguns casos, até a demência, eram factores associados ao consumo de absinto. Há inclusive inúmeros relatos sensacionalistas que associam os crimes “de faca e alguidar” ao consumo de absinto.
De bebida popular em 1840, a Fada Verde foi proibida em quase todos os países europeus no princípio do século XX, à excepção do Reino Unido, Suécia, do Império Austro-Húngaro, Espanha e Portugal.
Nos anos noventa, com a liberalização da sua produção e consumo pela União Europeia, assistiu-se ao renascer das cinzas da Fada Verde que surge agora não como musa de artistas, como meio de alcançar um estádio de surrealismo, mas como catalizador de noites loucas, de binge drinking.
A bebida que hoje está associada a shots, foi em tempos a musa inspiradora de uma das mais prolíferas gerações de artistas de sempre. A segunda metade do século XIX dedicou-lhe poemas, quadros numa exaltação comum de uma musa proibida.
Hoje e Ontem
O absinto, hoje e então, poucas vezes é consumido puro. O ritual de consumo de absinto também o separa das restantes bebidas destiladas. Em Portugal, a forma mais popular de consumo de absinto é em shot. Num copo pequeno, deita-se um bocadinho de vodka (há quem ponha um cheirinho de sumo de limão). Cobre-se o copo com meia rodela de limão polvilhada de açúcar e canela. Deita-se absinto no limão e deixa-se escorrer. Com um isqueiro, deixa-se o absinto arder um bocadinho e bebe-se de um trago.
No século XIX, o absinto era também servido num copo pequeno. Juntava-se uma dose pequena da Fada Verde e colocava-se no topo do copo uma colher de absinto (uma espécie de colher com furinhos), em cima do qual era posto um cubo de açúcar. Depois vertia-se lentamente água gelada sobre o cubo de açúcar até à proporção de 3 para 1. O anis, presente no absinto, não se diluía na água o que dava à bebida um tom baço e perlado.
Origens
Atribui-se a sua criação, tal como o conhecemos e consumimos hoje, a um farmacêutico de Neuchatel, Suíça. A primeira destilaria de absinto surge pela mão de descendentes do seu criador e de Henry-Louis Pernod, tornando-se a origem de um império e referência na produção de bebidas alcoólicas que, com a junção à família Ricard, forma o império Pernod-Ricard que dura até hoje."
Texto de Isabel Calado disponível em http://www.ruadebaixo.com

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Coleslaw

A salada coleslaw é uma salada clássica americana, servida na maioria dos restaurantes. Essa salada, embora muita gente pense que tem origem judaica ou no leste europeu, ao que tudo indica é oriunda do centro da Europa. Kollsa é uma contração de "koolsalade". A adição da maionese é mais recente. A coleslaw é, portanto, mais uma receita imigrante que faz sucesso nos Estados Unidos. Já é documentada naquele país desde 1785.

"Os primeiros colonos europeus da costa oriental da América do Norte trouxeram sementes de repolho com eles, e o repolho era um dos vegetais favoritos em todas as colônias. Os holandeses que fundaram a Nova Holanda (New York State) plantavam repolho extensivamente ao longo do rio Hudson. Serviam-no à maneira tradicional de seu país, muitas vezes como koolsla (salada de repolho picado). Este prato se tornou popular em todas as colônias e sobrevive hoje como salada de repolho. Por volta de 1880, o repolho e seus primos haviam caído em desgraça nas classes superiores, devido aos fortes odores sulfurosos que estes vegetais emitem ao cozinhar. Mas este vegetal resistente e versátil nunca desapareceu das cozinhas da classe média."
Fonte:
Oxford Encyclopedia of Food and Drink in America, Andrew F. Smith [Oxford University Press: New York] 2004, Volume 1 (p. 147)



Receita original American de 1839

Cold Slaugh.
“Select firm, fragile heads of cabbage, (no other sort being for for slaugh); having stripped off the outer leaves, cleave the top part of the head into four equal parts, leaving the lower part whole, so that they many note be separated till shaved or cut fine from the stalk. Take a very sharp knife, shave off the cabbage roundwise, cutting it very smoothly and evenly, and at no rate more than a quarter of an inch in width. Put the shavings or slaugh in a deep china dish, pile it high, and make it smooth; mix with enough good vinegar to nearly fill the dish, a suffient quantity of salt and pepper to season the slaugh; add a spoonful of whole white mustard seeds, and pour it over the slaugh, garnish it round on the edge of the dish with pickled eggs, cut in ringlets. Never put butter on cabbage that is to be eaten cold, as it is by no means pleasant to the taste or sight."
Fonte:
Lettice Bryan. Kentucky Housewife. Facsimile reprint 1839 edition stereotyped by Shepard & Stearns:Cincinnati, p. 192-3.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Pastéis de Santa Clara

Hoje é dia de Santa Clara de Assis. Veja mais informações em:
www.artereligiao.blogspot.com

Os doces conventuais são bocados divinos caídos do céu para o deleite do nosso paladar. As antigas receitas eram segredos muito bem guardados no interior dos conventos femininos de clausura. com o passar do tempo, esses segredos foram revelados ao mundo, e hoje, esses doces são confeccionados e comercializados pelas melhores confeitarias do mundo.
Sem dúvida, dentre os doces conventuais, o mais famoso deles, e talvez o mais popular, é o Pastel de Santa Clara.


Esse doce é, também, o mais popular dos doces conventuais de Coimbra, estando associado ao convento do mesmo nome. Fundado no século XIII, o Convento de Santa Clara-a-Velha gozou da especial proteção da rainha Santa Isabel que ali passou parte de sua vida, e também foi olar de Inês de Castro. Devidos às cheias do rio, foi abandonado em 1677 e as religiosas mudaram-se para o convento de Santa Clara-a-Nova, onde se encontra o túmulo da rainha-santa.
Nos séculos passados, as religiosas utilizavam a clara de ovo para engomar roupas e para preparar hóstias, e acabaram por inventar receitas com as abundantes gemas que sobravam. Conta-se, em Coimbra, que as irmãs mais velhas ao ensinar outras freiras a preparar a massa do doce, diziam que a massa deveria ser esticada tanto, ao ponto de deixá-la tão fina que se pudesse ler uma carta colocada debaixo dela.

Mosteiro de Santa Clara a Velha, Coimbra

Ingredientes:
300 g de massa fillo
margarina derretida
Para o recheio:
100 g de amêndoas sem pele e moídas
9 gemas
250 g de açúcar
1/2 copo de água

 Modo de preparar:
Levar ao fogo o açúcar e a água e deixar ferver até formar uma calda espessa. Retirar do fogo, colocar as amêndoas, as gemas levemente misturadas mexendo vigorosamente para não talhar. Voltar ao fogo brando e sem parar de mexer, deixar engrossar até aparecer o fundo da panela. Deixar esfriar. Descongelar a massa fillo conforme instruções do fabricante. Separar duas folhas: pincelar a primeira com margarina derretida e cobrir com a outra folha. Cortar discos maiores que a forminha, forrar a forminha, colocar o recheio e tampar com o outro disco. Pincelar margarina derretida e levar para assar em forno pré aquecido 180º até que fique dourado. Depois de assado e frio, polvilhe com canela e açúcar.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Talheres curiosos

Talheres em prata - século XVIII


Talheres alemães com cabos em porcelana de Meissen - 1880


Desenho de talheres e baixela de Alphonse Mucha - séc. XIX





segunda-feira, 25 de julho de 2011

Torta de Santiago de Compostela


Tisi da Garofalo - Apóstolo São Tiago

É chamado de “Maior” para distingui-lo de homônimo apóstolo, Tiago de Alfeu (o Menor). Nasceu em Betsaida, no lago de Tiberíades, filho de Zabedeu e de Salomé (Mc 15,40; Mt 27,56) e irmão de João Evangelhista. Com o irmão foi um dos primeiros discípulos de Jesus (Mc 1,19; Mt 4,21; Lc 5,10). De caráter impetuoso, como o irmão, foi chamado por Jesus de “Boànerghes” (filho do trovão) (Mc 3,17; Lc 9,52-56) e era um dos prediletos do Mestre junto com Paulo e André. Foi testemunha, com Pedro, da Transfiguração do Senhor no Monte Tabor (Mt 17,1-8; Mc 9,2-8; Lc 9,28-36), da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37-43; Lc 8,51-56), assistiu à cura da sogra de Pedro e junto de Pedro e João fez vigília no Getmsemani na véspera da Paixão (Mc 14,33ss; Mt 27,37s).
Segundo Isidoro de Sevilha, Tiago foi para a Espanha para difundir o Evangelho. Em seu tempo havia um grande fluxo comercial de minerais, de estanho, ouro, ferro e cobre entre a Galícia e a costa da Palestina. Nessas viagens eram trazidos para a Europa objetos ornamentais, pedras de mármore, especiarias e outros produtos, comprados principalmente em Alexandria e em portos ainda mais orientais, e é possível que Tiago tenha realizado a viagem da Palestina para a Espanha em um desses navios, desembarcando na Andaluzia, onde começou sua pregação. Proseguiu, depois, para Coimbra e Braga, passando, segundo a tradição, através da Iria Flavia no Finis Terrae hispânico, onde continuou a pregação.
No Breviário dos Apóstolos (fim do século VI) é atribuída ao santo a evangelização da “Hispania” e fala da sua sepultura em Arca Marmárica. Sucessivamente, já na segunda metade do século VII, o erudito monge inglês chamado de Venerável Beda, cita novamente esse fato na sua obra, e indica com surpreendente exatidão, o local da Galícia onde se encontra o túmulo do apóstolo. A tradição popular indica o túmulo no alto das colinas do Vale de Padrón, onde havia um culto das águas. Ambrosio de Morales no século XVI, em sua obra A Viagem Santa conta: “Subindo a montanha, na metade de seu flanco, há uma igreja onde dizem que o Apóstolo pregava e rezava missas, e debaixo do altar-mor surge uma fonte de água, a mais fria e mais delicada que já provei na Galícia”. Esse local é hoje chamada de “O Santiaguiño do Monte”.
Seu retorno para a Terra Santa foi através da via romana de Lugo, através da Península, passando por Astorga e Zaragoza, onde, desolado ele recebeu o consolo e o conforto da Virgem Maria, que lhe apareceu, segundo a tradição, em 2 de janeiro de 40), às margens do rio Ebro, sobre uma coluna romana de quartzo, e lhe pediu para construir uma igreja naquele local. Esse acontecimento serviu para explicar a fundação da Igreja de Nuestra Señora del Pilar de Zaragoza, hoje basílica e importante santuário mariano espanhol. Navegando pelo Ebro, Tiago chegou a Valencia, para depois ir para Murcia ou Andaluzia, e então retornar à Palestina entre 42 e 44 d.C..
Já na Palestina, junto ao grupo dos “Doze”, as colunas da primitiva igreja de Jerusalém, foi impedido de continuar suas pregações. Desprezando tal proibição, anunciava a sua mensagem evangelizadora entrando nas sinagogas e discutindo a palavra dos profetas. A sua grande capacidade comunicativa, a sua dialética e a sua personalidade, fizeram dele um dos apóstolos mais seguidos na missão de evangelizar.
Herodes Agripa I, rei da Judéia, para aplacar os protestos das autoridades religiosas hebraicas, escolheu-o para o martírio, condenando-o à decapitação. Desse modo foi o primeiro mártir do Colégio Apostólico.
Segundo a tradição, o escriba Josias, encarregado de conduzir Tiago ao suplício, foi testemunho do milagre da cura de um paralítico que invocavo o santo homem. Josias, perplexo e arrependido, converteu-se ao cristianismo e suplicou o perdão do Apóstolo, que lhe pediu um recipiente com água e o batizou. Ambos foram decapitados no ano 44.
Diz a lenda que os discípulos de Tiago, Atanásio e Teodoro, recolheram o seu corpo e sua cabeça e os transportaram de Jerusalém para a Galícia, de navio. Esses discípulos, uma vez na Espanha, pediram a Lupa, uma nobre pagã, rica e influente, de sepultar o corpo do santo nas terras de seu feudo, próximo ao castelo de Francos, a pouca distância da atual cidade de Santiago de Compostela. Ela submeteu o pedido ao governador romano Filótros, que residia em Dugium, próximo a Finisterra. Longe de entender as razões daqueles homens, ordenou a sua prisão. Segundo a lenda, os discípulos foram milagrosamente libertados por um anjo. Chegados à ponte de Ons ou Ponte Pías, sobre o rio Tambre, assim que atravessaram a ponte, ela ruiu e eles puderam fugir tranquilamente da perseguição dos romanos. Lupa os levou até o Monte Iliciano, hoje Pico Sacro, lhes ofereceu alguns bois selvagens que viviam naquelas terras em liberdade, e uma carroça, para que transportassem os restos do santo de Padrón até Santiago.
Narra a lenda que os bois começaram a seguir pela estrada sem recber nenhuma ordem, e que num determinado local, pararam e começaram a escavar a terra com suas patas. Imediatamente começou a brotar água do local. É a atual Fonte Franco, onde, mais tarde, foi edificada uma igreja. Os bois prosseguiram o caminho e chegaram a um terreno de propriedade de Lupa; ali pararam. Ela doou o terreno para a construção da sepultura do santo, onde hoje está a Catedral de Santiago.


Torta de Santiago de Compostela
Receita tradicional da cidade Santiago de Compostela (Espanha)

Ingredientes
170g de farinha de trigo
20g de açúcar de confeiteiro
350g de açúcar
7 ovos
1 colher de sopa de canela em pó
120g de manteiga
500g de amêndoas descascadas
½ cálice de vinho doce (Porto, Madeira ou Marsala)

Modo de preparo
Tostar as amêndoas no forno e depois moê-las. Derreter a manteiga. Peneirar a farinha de trigo sobre uma superfície lisa, fazer um monte e no centro dele, adicionar um ovo e a manteiga derretida, trabalhando ate obter uma massa lisa e homogênea. Embrulhar a massa numa película transparente e deixar repousar por 30 minutos. Em uma tigela, misturar uma colher de pau as amêndoas moídas, o açúcar e a canela. Acrescentar o vinho doce, colocar os ovos, um a um, mexendo sem parar. Untar com manteiga uma forma de torta de 26 cm de diâmetro e polvilhar com farinha de trigo. Abrir a massa com o auxilio de um rolo e colocá-la na forma untada. Despejar o recheio composto de amêndoa e ovos. Assar em forno pré-aquecido, a 170º C, por 30 minutos. Tirar do forno e desenformar sobre um prato de bolo. Deixar esfriar e finalizar cobrindo a torta com o açúcar de confeiteiro a ser pulverizado com uma peneira.

A tradição da torta real de Santiago de Compostela
Na Idade Média, uma grande leva de peregrinos visitou seu túmulo, que acabou se tornando o terceiro maior centro de peregrinação católica, junto a Roma e Jerusalém. A primeira notícia que se tem do uso do “biscoito de amêndoa”, que hoje se conhece como Torta de Santiago, Torta de Compostela ou Torta de Santiago de Compostela, data de 1577, durante uma visita de d. Pedro de Porto Carrero à Universidade de Santiago de Compostela, ainda que naquela época fosse denominada “torta real”. As primeiras receitas da torta provêm das notas de Luis Bartolomé de Leybar, datadas de 1838, sob a designação de “tarta de almendra”.
A tradição manda recortar em papel o molde da Cruz da Ordem de Santiago e colocar sobre a torta. Depois, polvilhar a torta com açúcar de confeiteiro e retirar o molde. A cruz ficará, assim, desenhada na torta. A origem da Cruz de Santiago representada na sua superfície data de 1924, ano em que a confeitaria “Casa Mora” de Santiago de Compostela começou a enfeitar as tortas de amêndoas com aquela que se tornaria a sua silhueta característica. Desde 3 de março de 2006, a Torta de Santiago de Compostela passou a ser uma denominação de origem protegida. 

Do livro O Céu na Boca, 2010.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tom Yam Kung - sopa oriental

Adoro essa sopa. A primeira vez que a tomei foi no Restauante Mestiço, em São Paulo, em 2000. Foi paixão à primeira colherada. Enquanto me deliciava, fui decodificando os inghredientes e resolvi prepará-la em casa, posterioormente. Já preparei várias vezes, mas o maior sucesso foi quando a servi para minha médica e sua irmã, duas magras de plantão e que quase não comem nada. Pois bem, elas repetiram. Foi a sagração da sopa. Seu sabor exótico, delicado e picante ao mesmo tempo, encanta os paladares.



Ingredientes:
1l de leite de coco
500 ml de água de coco
2 talos de capim-limão
3dentes de alho picados
1 pimenta dedo de moça sem sementes picada
1 colher de sobremesa de curry
250 g de cogumelos shimeji
750 g de camarão rosa VM sem casca
2 folhas de limão
sal a gosto
3 colheres de sopa de azeite de oliva
1 ovo
2 colheres de sopa de coentro picado
4 lagostins
salsinha crespa para decorar

Modo de preparar:
Em uma frigideira aqueça 2 colheres de sopa de azeite e doure 2 dentes de alho picados. Lave bem os lagostins e refogue-os na frigideira. Salpique com sal e reserve
Pique 2 dentes de alho e doure-o em uma colher de azeite de oliva, adicione a pimenta picada, as folhas de limão rasgadas, os talos de capim limão também picados e refogue. Acrescente o leite de coco, a água de coco, abaixe o fogo. Assim que esiver aquecido, adicione o shimeji, o curry, salge e adicione o ovo ligeiramente batido. Mexa bem com um fouet; o ovo serve para que o leite de coco não talhe. Quando estiver bem quente, adicione os camarões e continue mexendo até que eles fiquem cozidos. Finalize acrescentando o coentro picado. Sirva a sopa decorando-a com um lagostim e um ramo de salsa crespa. Mesa decorada by Carlos.




quinta-feira, 21 de julho de 2011

Maria Madalena - 22 de julho

Maria Madalena foi identificada freqüentemente com outras mulheres que aparecem nos Evangelhos. Na Igreja Latina, a partir dos séculos VI e VII, houve a tendência de identificar Maria Madalena com a mulher pecadora que na casa de Simão, o fariseu, ungiu os pés de Jesus com suas lágrimas (Lc. 7,36-50). Por outro lado, alguns Padres a escritores eclesiásticos, harmonizando os evangelhos, já haviam identificado esta mulher pecadora com Maria, irmã de Lázaro, que em Betânia unge com um perfume a cabeça de Jesus (João 12,1-11; Mateus e Marcos, no trecho correspondente, não mencionam o nome de Maria, apenas dizendo tratar-se de uma mulher e que a unção ocorreu na casa de Simão, o leproso (Mt 26,6-13 e par). Em conseqüência disso, no Ocidente, devido principalmente a São Gregório, generalizou-se a idéia de que as três mulheres eram uma só pessoa.
Mas os dados evangélicos sugerem apenas que se deve identificar Maria Madalena com a Maria que unge Jesus em Betânia, pois presumivelmente é a irmã de Lázaro (João 12,2-3). Os evangelhos também não permitem deduzir que seja a mesma que a pecadora que, segundo Lc. 7,36-49, ungiu Jesus, embora a identificação seja compreensível pelo fato de São Lucas, imediatamente depois do relato em que Jesus perdoa esta mulher, mencionar que algumas mulheres o ajudavam, entre elas Maria Madalena, de quem ele havia expulsado sete demônios (Lc. 8,2). Além disso, Jesus elogia o amor da mulher pecadora: muitos pecados lhe são perdoados porque muito amou (Lc. 7,47) e também se percebe um grande amor no encontro entre Maria e Jesus depois da Ressurreição (João 20,14-18). Em todo caso, mesmo em se tratando da mesma mulher, seu passado de pecados não é um desdouro. Pedro foi infiel a Jesus e Paulo um perseguidor dos cristãos. A grandeza deles não está na sua imunidade ao pecado, mas no seu amor.
Por seu papel de relevo no Evangelho, Maria Madalena foi uma protagonista que recebeu especial atenção em alguns grupos marginais na Igreja primitiva. Estes são constituídos fundamentalmente por seitas gnósticas, cujos escritos relatam revelações secretas de Jesus depois da Ressurreição e recorrem à figura de Maria para transmitir suas idéias. São relatos que não têm fundamento histórico. Padres da Igreja, autores eclesiásticos e outras obras destacam o papel de Maria como discípula do Senhor e anunciadora do Evangelho. A partir do século X surgem narrações fictícias que elogiam sua pessoa e que se difundem principalmente na França. É aí que nasce a lenda, que não tem nenhum fundamento histórico, de que Madalena, Lázaro e outros mais, foram de Jerusalém a Marselha, quando se iniciou a perseguição contra os cristãos, e evangelizaram a Provença. Segundo esta lenda, Maria morreu em Aix-en-Provence ou Saint Maximin e suas relíquias foram levadas a Vezelay.
Segundo a Legenda Áurea, Maria Madalena, enquanto viveu como eremita, era elevada, cada dia, aos céus pelos Anjos. Um dos anjos - o de verde - tem na mão um "chicote" (usado na penitência) e na outra o vaso de unguento (o atributo de Maria Madalena); outro dos anjos - o de vermelho - mostra as vestes de eremita que lhe eram retiradas nesses momentos de glória.

Demenico Zampieri - Maria Madalena em glória - 1620, Museu Hermitage


Muito se disse a respeio dela nesses últimos anos. Vários escritores sérios e menos sérios se cimentaram em descobrir seus segredos, lançar hipóteses e especular a seu respeito. De Dan Brown a Hathleen MacGowan, ou vice-versa, livros, filmes, cursos, workshops.
Em O segredo do anel, Kathleen Mcgowan, nos conta que empregou 20 anos de pesquisa para produzir o livro, viajou quatro continentes em busca da verdade por trás da lenda do evangelho perdido de Maria Madalena. Dentre as inúmeras fontes utilizadas, estão as múltiplas versões dos evangelhos apócrifos, os textos dos fundadores da Igreja, diversos documentos gnósticos, os pergaminhos do Mar Morto, além de toda a tradição oral passada ao longo das gerações na mística região do Languedoc, sul da França.


Em O Código Da Vinci, Dan Brown afirma que o casamento de Cristo é óbvio. Como base, ele usa argumentos como o de que sendo judeu e adulto, é certo pela tradição cultural da época de que ele teria se casado. Ele cita ainda evangelhos considerados apócrifos que contariam esta história e afirma que Jesus teria deixado a responsabilidade pela continuidade de sua obra não nas mãos de Pedro, mas de Maria Madalena, e por isso ela teria sido perseguida pelos apóstolos enciumados e ido refugiar-se, grávida, na França, após a crucificação de Cristo.

Livro mais vendido na lista do jornal New York Times por mais de 40 semanas, sucesso de bilheteria nos cinemas, O Código Da Vinci, ao misturar realidade e ficção, popularizou especulações e hipóteses como: Jesus realmente foi casado com Maria Madalena? Tiveram um filho? Constantino suprimiu os primeiros evangelhos e criou a doutrina da divindade de Cristo? Os evangelhos gnósticos representam a verdadeira fé cristã que a Igreja dos primeiros tempos do cristianismo tentou suplantar? Como responder às alegações de que existem documentos que revelam segredos sobre Jesus, segredos mantidos há séculos pela Igreja e outras instituições religiosas? Seria esses documentos uma ameaça para a concepção tradicional de Jesus e o cristianismo dos primeiros tempos? O que existe de verdade e de falso na obra O Código Da Vinci? A qual propósito ele foi escrito?
Ben Witherington II (ph.D., Universidade de Durhan, Inglaterra; professor do Novo Testamento no Seminário Teológico de Asbury, em Wilmore, no Kentuck, nos Estados Unidos, não se limita a refutar os erros históricos de O Código Da Vinci, mas também contesta as armadilhas espirituais que envolvem o romance, ao tempo em que abre uma discussão sobre o “feminino sagrado” e a relação Pai (Deus) Filho (Jesus) nos evangelhos. Seu livro é O fim do conflito, publicado no Brasil em 2006.



Abrahan Janssens e JanWildens - Noli me tangere, Museu de Belas Artes de Dunkerque