segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

São Valentim - Valentine´s Day

São Valentim
A Igreja registra dois santos com o nome de Valentim. Um deles seria bispo de Interamna, e o outro, sacerdote em Roma. É possível que se trate do mesmo santo, que teria sido levado em martírio da sua cidade para a capital do Império. Segundo o “Martirológio Romano”, ambos foram decapitados na Via Flaminia e suas festas são comemoradas em 14 de fevereiro.
Valentim era um padre que, no século III, casava em segredo os jovens casais de namorados. O imperador Cláudio II, reconhecendo que os melhores soldados eram solteiros, tinha proibido os rapazes se casassem. Valentim, ao ousar celebrar casamentos, foi descoberto, preso e condenado à morte por decapitação. A Igreja de Santa Praxedes, em Roma, guarda as relíquias do santo e é um destino de romaria de muitos namorados. Há também referências a um Valentim que, na mesma época, ajudava os cristãos a fugir da cadeia romana, onde eram torturados.
A história mais romântica relacionada com este santo explica a origem dos cartões trocados entre namorados. Segundo a lenda, foi o próprio Valentim o primeiro a escrever uma mensagem de amor. O bilhete foi enviado à filha do seu carcereiro, por quem tinha se apaixonado. A carta vinha assinada “do teu Valentim”, uma expressão que perdurou através dos séculos.
São Valentim tornou-se um dos mais populares santos na Inglaterra e na França durante a Idade Média. É também protetor dos que sofrem de desmaios e epilepsia.



Corações de São Valentim
Receita tradicional portuguesa

Ingredientes
150g de açúcar
1 colher de sopa de fermento em pó
80g de margarina
4 colheres de sopa de creme de leite

Modo de preparo
Misturar a farinha com o fermento e o amido de milho. Peneira e acrescentar o açúcar. Juntar a margarina e os ovos e amassar bem com as mãos até obter uma massa que se possa estender. Colocar farinha sobre o plano onde vai estender a massa com a ajuda de um rolo. Abrir a massa até a espessura de 0,5cm e cortá-la com formas de corta-biscoitos em moldes de coração. Dispor os biscoitos sobre um tabuleiro polvilhado com farinha e assar durante mais ou menos 15 minutos, a 180º C. Retirá-los com uma espátula e esfriar.

Recheio
Levar o chocolate partido aos pedacinhos, com o creme de leite em banho-maria, até derreter. Misturar bem e molhar aos poucos com o chocolate a face lisa de um dos biscoitos, unindo-os em seguida a um outro biscoito. Depois de o chocolate solidificar, polvilhar os corações com açúcar de confeiteiro.


Oração
Ó Jesus Cristo, Salvador nosso, que vieste ao mundo para o bem das almas dos homens, mas que fizeste tantos milagres para dar saúde ao corpo, que curaste cegos, surdos, mudos e paralíticos; que curaste o menino que sofria de ataques e caía na água e no fogo; que libertaste aquele que se escondia entre os túmulos do cemitério; que expulsaste os maus espíritos dos possessos que espumavam; peço-te, por intermédio de São Valentim, a quem deste o poder de curar os que sofrem de desmaios e ataques, livrai-nos da epilepsia. São Valentim, peço-te especialmente que restituas a saúde a [nome do doente]. Fortalecei-lhe a fé e a confiança. Dai-lhe coragem, ânimo e alegria nesta vida, para que possa render-te graças e adorar o Cristo, o divino médico do corpo e da alma. São Valentim, rogai por nós

Receita do livro O CÉU NA BOCA, Ed. Tinta Negra, 2010.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Hostaria Farnese, Roma

Dando sequência à refeição, pedimos Tagliatelle ai funghi
e Tagliatelle ai carciofi

e como prato principal, mais um clássico da cozinha romana: Trippa alla romana (bucho)
Ingredientes:
1 kg de bucho limpo
400 ml de molho de tomate
2 cebolas
2 talos de aipo
3 cenouras
2 folhas de louro
4 cravos-da-índia
2 ramos de menta
½ copo de vinho branco seco
1 pires de queijo pecorino ralado
Azeite extra virgem de oliva
Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparar:
Em uma panela alta, coloque água até a metade, uma cebola cortada em pedaços grandes, uma cenoura cortada, os cravos-da-índia, um talo de aipo e as folhas de louro. Assim que estiver fervendo, coloque o bucho previamente lavado e deixe cozinhar por cerca de 30 minutos. Assim que estiver cozido, mas ainda um pouco duro, desligue o fogo, retire o bucho da panela e deixe-o esfriar. Pique a outra cebola, o salsão e a cenoura, adicione abundante azeite de oliva em uma grande frigideira e refogue tudo muito bem. Assim que o refogado estiver pronto, adicione o bucho cortado em listras e deixe cozinhar por 15 minutos. Adicione, a seguir, o vinho branco, mexa e deixe evaporar em fogo alto. Finalmente, adicione o molho de tomate, a pimenta do reino, o sal e os ramos de menta. Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo por mais 30 minutos, até que o molho fique denso, mas não ressecado. Coloque num prato de serviço e salpique com bastante queijo pecorino ralado.



Buschetta de mussarela e anchova salgada


Noite de garoa em Roma, domingo, um dos últimos dias da mostra Collezioni Farnese, no Palácio Farnese, sede da Embaixada da França na Itália. Oportunidade única para se visitar uma das jóias da arquitetura romana da Renascença e poder admirar os magníficos afrescos que adornam as suas salas. Uma visita marcante. Na saída da mostra, depois das 21h, plenos de cultura resolvemos também nos saciar com as delícias da cozinha romana. O endereço era Via dei Baullari, 109, Hostaria Farnese. O restaurante, com poucas mesas, é administrado pela família Contini, e o sr. Francesco foi quem nos atendeu. Sua simpática mulher é quem comanda as panelas e abrimos a nossa refeição com esse simples - e gostoso - antepasto:

Ingredientes
1 pão italiano formato filão
1 mussarela fresca
sal
filés de anchova salgados

Modo de preparar:
Fatie o filão, coloque as fatias em uma assadeira e leva ao forno para dourar. Quando as fatias de pão estiverem crocantes, coloque sobre cada uma delas uma fatia (ou mais de uma) de mussarela e recoloque no forno, o tempo necessário para que o queijo derreta. Retire do forno e coloque um ou dois filés de anchova sobre cada fatia de pão e sirva imediatamente.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Uma das melhores lojas do mundo fica em Paris


O galo é a marca da E. Dehillerin, fundade em 1829 é um paraíso para profissionais e amantes da cozinha. Ainda segue a estrutura familiar de administração, e ao seu lado pode estar um famoso chef de cuisine, um açougueiro, uma doceira, um sorveteiro, um padeiro, ou apenas mais um curioso. Confesso que fiquei com receio de entrar e não saber o que procurar! Julia Child também fazia compras lá. Mas ai vai a dica:
E. Dehillerin: 18 e 20, rue Coquillière
Tel.: 01 4236 5313
Metrô: Les Halles linha 4 ou Louvre-Rivoli linha 1
Abre as segundas das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00; de terça a sábado das 9h00 às 18h00.


Filés de Bacalhau em Roma



Um pequenino local histórico na pracinha de Santa Bárbara, próximo ao Campo de´ Fiori. É ali que se come uma das especialidades romanas e que não se curvou ao “gosto turístico”, permanecendo fiel à tradição. Poucas opções no cardápio: crostini com manteiga e alice, tábua de frios, abobrinhas frita, salada de puntarelli, ou seja, chicória nova temperada com azeite, alho e Alice, o acompanhamento perfeito para o protagonista da casa: filetto di baccalà. Especialidade romana por definição, um enorme naco de bacalhau envolvido numa massinha leve, crocante e dourada, frito na hora em panelas de ferro. É um local “naif”, toalhas de papel cobrem as mesas de madeira, copos e talheres muito simples, papéis pelo chão e muita algazarra, tanto dos clientes (e prepare-se para enfrentar fila!) como dos proprietários e garçons, que brigam, dão risadas altas, reclamam e fazem graça em dialeto romano, por vezes imcompreensível. E prepare-se também para ficar com as roupas cheirando gordura, pois o restaurante é pequeno. Servem chopp gelado e vinho da casa, obviamente dos Castelos Romanos. Dar Filettaro a Santa Barbara abre somente à noite, das 17 às 23.40h, fecha aos domingos e no mês de agosto. Via de´Librari, 88.



Alcachofras a moda judia - Carciofia alla giudia


No coração da cidade eterna, capital do Cristianismo, sobrevive uma das comunidades judaicas mais antigas do mundo. Na verdade é a segunda mais antiga, perdendo a primazia apenas para aquela de Veneza. A área conhecida como o Gueto, está integrada às ruínas do Pórtico de Otávia e do Teatro de Marcelo. No local funcionava a antiga Pescheria, o mercado de peixes, graças à sua proximidade com as margens do rio Tibre.
A população judaica da Itália não supera 0,1%, mas esta soma é o suficiente para ter influenciado de maneira muito particular a culinária da capital italiana. Tanto é que se fala de uma cozinha judaico-romana, com características muito típicas. Os judeus italianos também não pertencem nem ao grupo sefaradi, nem ao grupo askenazi, mas são sim Italkim. Ali se encontra, também, o primeiro restaurante kosher de Roma, a Taverna del Ghettom Via del Portico di Ottavia, 8.
A culinária judaido-romana pode ser considerada pobre de ingredientes, mas é muito rica em sabores. Carro-chefe da tradição são as alcachofras, que eles preparam como ninguém.
Já no número 18 da Via del Portico di Ottavia, está o não menos famoso Il Giardino Romano, que apesar de fechado na hora em que por lá passamos, exibia a sua especialidade para chamar a atenção dos clientes:




Carciofi alla Giudia

Ingredientes:
8 alcachofras
5 colheres de sopa de azeite extra virgem
1 limão
sal e pimenta a gosto

Modo de preparar:
As alcachofras devem manter 3 dedos de caule abaixo da flor. Retire as primeiras folhas da alcachofra e apare as pontas das restantes, que são muito duras. A seguir coloque as alcachofras numa tigela de água fresca onde tenha sido adicionado o suco do limão, por cinco minutos, para que não fiquem pretas. Retire a alcachofra da água, enxugue com um pano e bata uma a uma numa mesa segurando pelo fundo, para que abram as folhas. Depois, salgue e apimente em toda a superfície (inclusive externamente). Coloque as alcachofras preferencialmente numa panela de barro. Junte o azeite e arrume as alcachofras com o caule para cima. Deixe cozinhar por alguns minutos, em fogo médio, depois vire-as com o caule para baixo e mexa. Quando o fundo da alcachofra estiver cozido, vire a alcachofra novamente para baixo, e pressione para que se abra, aumentando o fogo para que as folhas fiquem crocantes. Toque final: um pouco de água fria na panela de barro, adicionada não diretamente na alcachofra, mas no azeite que está no fundo. Deixe descansar por 5 minutos. Sirva quente.

Cozinha típica romana

Inverno em Roma: tempo de alcachofras e flores de abóbora. Voltando da visita ao Pantheon, percorrendo a Via dei Pastini, no número 125 encontramos essa "natureza morta" na porta do restaurante, ainda não aberto:
Fiori di zucca alla romana

Ingredientes:
20 flores de abóbora
100 g de mussarela
10 filés de anchova no azeite
3 ovos
4 colheres de sopa de farinha de trigo
1 lata de cerveja
1 colher de sopa de suco de limão
azeite de oliva para fritar
sal a gosto

Modo de preparar:

Limpe as flores de abóbora, delicadamente, com um pano úmido e retire os pistilos. Prepara a massa para empanar batendo um ovo com uma colher de suco de limão. Adicione a farinha peneirada e 4 colheres de sopa de cerveja. Corte a mussarela em cubos e os filés de anchova às metades, recheia as flores. Mergulhe as flores na massinha e frite em azeite fervendo até dourar.