quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

E a propósito de ostras...

Lembrei desses elegantes garfos para ostras produzidos por Christofle para o Maxim´s de Paris, fundado em 1883:
Na França, a Christofle sempre foi líder e símbolo das Arts de la Table, desde a sua criação em Paris, em 1830, by appointment do rei Louis-Philippe e do Imperador Napoleão. Christofle foi, também, o ourives de gerações de famílias francesas, de condados, de embaixadas, hotéis de luxo e companhias de navegação. A mais famosa de todas era a Normandie Ocean Liner, para quem Christofle criou mais de 40 mil peças de prata. Em seus quase 200 anos, continua ativa e toda a sua produção é inspirada na rica coleção de seus arquivos, alguns obviamente, revisitados. É sinônimo de bom gosto e distinção.
















O fundador da empresa, Charles Christofle num daguerrótipo de Mathew Brady, de 1851.




O triunfo da gourmandise ou os perigos da indigestão?

Uma reportagem pra lá de interessante e de dar água na boca foi publicada no nº 52, janeiro 2011, da revista Arts Magazine France. Especializado em artes visuais, o periódico traz um panorama das artes da mesa vista através dos olhos de grandes mestres, do Renascimento à Arte Contemporânea, com ilustrações de Bruegel, Kalf, Daniel Spoerri e muitos mais.
Na foto, Le déjeuner d´huître, de Jean-François de Troy (1734).

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Supplí al telefono


A palavra supplì deriva do francês “surprise”, surpresa, justamente aquilo que se encontra no recheio desse clássico da cozinha romana. Era o almoço dos pobres, dos operários e daqueles que não tinham dinheiro para comer em uma trattoria. No século XIX era comum nas ruas da Cidade Eterna, um vendedor que percorria a cidade gritando:"Calli bollenti! Supplì di riso!".
Até os anos 50, existia no centro, na zona Sant'Andrea delle Fratte, um "supplitaro" (vendedor de supplí), chamado Polifemo, que ficava na sua bodega escura com uma enorme panela de óleo fervendo repleta dos bolinhos. Hoje é comum encontrá-los em bares e em alguns restaurantes.
Em Roma se chamam supplì al telefono, pois, quando mordidos quentes, a mussarella de seu interior faz fios como os fios de um telefone

 
Ingredientes
 500 g de arroz arbório ( especial para risotos)
200 g de parmesão ralado
300 g de tomate seco (já batido no liquidificador até virar uma pasta)
700 g de mussarela picada
½ cebola picada
3 ovos
200 ml de vinho branco seco
1500 ml de caldo de carne (brodo)
10 g de folhas de manjericão picadas
50 ml de azeite de oliva extra-virgem
300 g de farinha de rosca
óleo para fritar (aprox. 1 litro)

Modo de preparo
 Em uma panela aquecer o azeite, refogar a cebola, acrescentar o arroz e o vinho branco. Assim que secar o vinho ir colocando aos poucos o caldo de carne, sempre mexendo o arroz.
Antes que o arroz esteja cozido, acrescentar metade da mussarela picada e o tomate seco. Continuar mexendo e logo completar com o parmesão e o manjericão. Quando a massa já estiver homogênea e seca fazer bolinhos com as mãos do tamanho de ovos, abrir uma cavidade no meio e rechear com o restante da mussarela. Empanar com ovo e farinha de rosca e em seguida fritar. Servir quente a mesa

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um livro delicioso e engraçado

Preparar um jantar é uma forma de conquista. Comer muito doce pode ajudar a superar a dor de uma separação. E namorar engorda. Essa relação próxima do amor com a comida é contada com humor no livro “Amei, perdi, fiz espaguete”, de Giulia Melucci (Editora Record). Como a própria escritora define: “memórias de boa comida e péssimos namorados”. De forma autobiográfica, a autora fala de sua história amorosa. E dá as receitas que fizeram parte dela. Por sua vida passaram muitos homens. O primeiro namorado sem graça, o homem mais velho sedutor (e sádico), o fracassado sexy. Tipos que reconhecemos nas nossas vidas. E no cardápio, receitas fáceis e com nomes divertidos, como “Borboletas do primeiro encontro”, “Jantar para impressionar” e “Nhoque sem coito”. Como Giulia reconhece, difícil é fazer o amor dar certo.

Berinjelas diferentes (e deliciosas)

Ontem pela manhã, girando pelos corredores da Cadeg, aqui no Rio, me deparei com ela: aberinjela listrada de Gandia. Trata-se de uma antiga variedade originária da Espanha, cultivada principalmente no vilarejo de  Gandia, a 65 km ao sul de Valencia. Correu riscos de desaparecer do mapa, após anos de esquecimento, e foi salva graças aos"seed-savers" ou salvadores de sementes, uma associação de agricultores que promove a salvaguarda de espécies caídas no esquecimento ou à beira do desaparecimento. Há quase dois séculos mantém imutadas as suas características de sabor adocicado, poucas sementes e a casca listrada de branco e violeta claro. Adora os climas quentes e seus frutos podem atingir os 15 cm de comprimento, apresentando-se na planta em cachos de até 10 unidades.

Em breve, um post com o resultado do prato preparado com essas berinjelinhas. Aliás, em qual receita você as utilizaria? Deixe a sua sugestão.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Trufas Negras - Festival na Itália

Na cidadezinha de Norcia, província de Perugia, Itália, terá início na sexta feira dia 18, a 48ª. edição de  "Nero Norcia", Mostra Mercato Nazionale del Tartufo Nero Pregiato di Norcia e dei Prodotti Tipici. É a manifestação mais importante do setor agroalimentar da região Úmbria, dedicada ao produto típico da região.

“Diamantes negros da cozinha". É assim que muitos chefs chamam as raras e caras trufas negras. Elas são cogumelos subterrâneos, comestíveis, do tamanho de uma maçã, que crescem a cerca de 30 cm abaixo da superfície, perto das raízes das árvores - especialmente a do carvalho. Cães treinados farejam os torrões de terra até encontrar a iguaria. Depois elas são limpas cuidadosamente, para evitar o toque direto com os dedos, o que a levaria ao apodrecimento. Frescas servem como tempero. Cozidas, possuem um sabor intenso e incomparável. Os gourmets garantem: elas são o maior dos prazeres!
A história da trufa remonta a 3000 anos antes de Cristo, quando os reis da Babilônia a procuravam nas areias do deserto e a chamavam de “tabarli”, cogumelo subterrâneo. Por séculos, a sua natureza e seu aspecto foram objeto de disputas e hipóteses por parte de cientistas e filósofos: o filósofo grego Teofrasto (séc. III a.C.) a considerava filha das chuvas de outono e dos relâmpagos; já o historiador Plutarco, no século II d.C., indicava que o nascimento das trufas se dava pela fusão de três importantes elementos: água, terra e relâmpagos; Plínio o Velho costumava chamá-la de “milagre da natureza”.
Em 1700 a.C., usa-se "tigla", cogumelo em armênio, termo ligado à "teckel", o cachorro farejador.
A Roma antiga era ávida por trufas - em especial, as pretas do Egito. As brancas não eram tão apreciadas. Em meados do século XVI, tem início o uso do porco, animal de olfato privilegiado, para procurá-las. Esfregavam-se as tetas da mãe com suco de trufa, acostumando assim os porquinhos a seu gosto e sabor. Usavam-se porcos jovens, de três meses a um ano. Hoje, por comodidade no transporte, usam-se mais freqüentemente cachorros treinados (teckels). São conhecidas 32 espécies de trufas no mundo todo. Comercializam-se apenas sete.



Mini souflé de trufa negra (4 porções)
50 g de manteiga
35 g de farinha de trigo
250 ml de leite
30 g de trufa negra
2 ovos
Sal a gosto

Modo de preparar:
Prepare um bechamel derretendo a manteiga em fogo baixo, e unindo aos poucos a farinha, mexendo sempre com um fouet para evitar que se formem grumos. Assim que estiver dourada, derrame o leite quente, aos poucos, continuando a mexer até que o molho fique denso e liso.
Corte a trufa em pedaços pequenos, amalgame-os no bechamel, acrescente as gemas dos 2 ovos e as claras batidas em neve. Unte 4 formas individuais com manteiga e encha-as com o sufflé. Bata as formas sobre a mesa para evitar que se formem bolhas e asse em forno pré aquecido a
200 °C por 15-20 minutos.
Receita disponível no site do evento: http://www.neronorcia.it/