sábado, 19 de março de 2011

Bruschetta a modo mio

A bruschetta é um clássico antepasto italiano, originário das regiões centro-meridionais do Lazio e Abbruzzi. seu nome deriva da palavra  "bruscato", que quer dizer tostado ou torrado, quer seja na grelha como no forno. A clássica bruschetta é feita com pão rústico esfregado com alho e tomates picados, mas inúmeras são as suas variações. Aliás, ela é tão versátil que permite que qualquer um crie a sua própria, seguindo suas preferência, criatividade ou disponibilidade de ingredientes.


Para 8 bruschette:

8 fatias de pão italiano
4 tomates tipo italiano bem maduros picados
2 dentes de alho grandes
6 colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem
2 colheres de sopa de basilico picado
sal a gosto
pimenta calabresa moída a gosto (opcional, porém essencial, eu diria!)
folhas de basilico para decorar

Lave bem os tomates e pique-os em cubinhos. Tempere com sal e pimenta calabresa, acrescente o azeite de oliva e o basílico picado, e deixe marinando por 20 minutos. Aqueça o forno. Fatie o pão e esfregue o alho cru na superfície das fatias e reserve. Decorridos os minutos da marinada, coloque as fatias de pão no forno para que tostem um pouco, ou seja, para que criem uma primeira casaquinha crocante. Retire-as do forno e  deite sobre cada uma das fatias, uma abundante porção dos tomates temperados. Leve novamente ao forno por mais 10 minutos. Retire do forno, decore as bruschette com uma folha de basílico e sirva.

quinta-feira, 17 de março de 2011

150 Anos da Unificação da Itália - II

A Unificação da Itália não foi apenas um fato político. Foi literário também. E gastronômico.
Considerado a Bíblia da culinária italiana, o livro "A ciência na cozinha e a arte de comer bem", do renomado gastrônomo Pellegrino Artusi, foi lançado em português. A obra, que traz 790 receitas de todas as regiões da Itália, tem servido de inspiração para grandes cozinheiros e chefs de todo o mundo no último século.

Lançada originalmente em 1891 com uma tiragem de mil exemplares, custeada pelo próprio autor, a primeira edição foi um verdadeiro sucesso. A obra se tornou best-seller e já foi traduzida para o alemão, holandês, inglês e espanhol.
Com uma linguagem simples e didática, Pellegrino Artusi oferece ao leitor as receitas dos mais saborosos pratos italianos, de antepastos a carnes, passando por sopas, massas, sobremesas e drinks. Ao longo dos capítulos, o autor expõe reflexões, faz anedotas, comenta o poder nutritivo dos alimentos e apresenta explicações sobre termos do vulgar toscano que nem todos poderiam compreender. Devido a essas particularidades, as receitas também podem ser lidas pelo simples prazer em adquirir conhecimento.

Escrita e publicada em um momento em que a Itália passava por um processo de unificação, a obra de Artusi agrega também um grande valor histórico, pois contribuiu para a consolidação da língua italiana. Isso porque antes da unificação e da escolha do dialeto toscano como língua oficial, cada região da Itália utilizava um dialeto próprio para se comunicar. Embora tenha nascido na região da Emilia-Romagna, Artusi viveu na Toscana desde os 32 anos e escreveu a obra já na língua oficial.
Mais do que um livro de receitas, "A ciência na cozinha e a arte de comer bem" é uma obra rica em dissertações e criações linguísticas que recordam uma conversa informal. Trata-se de uma obra simples que exalta o prazer de comer bem.

PS - consegui encontrar o livro apenas na Saraiva on-line
Fonte: absoluta.com.br

a

quarta-feira, 16 de março de 2011

Saint Patrick´s Day


Biscoitos de São Patrício - Receita tradicional irlandesa
Ingredientes para a massa
1 xícara de manteiga
2 xícaras de açúcar
3 ovos
1 colher de chá de essência de baunilha
3 ½ xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de bicarbonato de sódio

Cobertura
1 xícara de açúcar de confeiteiro
2 a 4 colheres de chá de leite
2 a 4 colheres de chá de glicose de milho
1/4 colher de chá de essência de baunilha
Corante verde comestível

Modo de preparar
Misturar a manteiga e o açúcar até a consistência de um creme. Bater os ovos com a baunilha. Juntar tudo com farinha, bicarbonato e sal. Dividir a massa em 4 ou 5 porções, formando discos, que deverão ser embrulhados e levados à geladeira por algumas horas ou de um dia para o outro. Esticar a massa e depois cortá-la em formato de trevos. Levar ao forno pré-aquecido a 180º C, em assadeira antiaderente de 12 a 14 minutos, retirando quando as bordas estiverem levemente douradas. Quando estiverem totalmente frias, cobrir com a mistura de cobertura pincelando ou mergulhando uma das faces do biscoito e servir.
São Patrício
Lendário santo britânico nascido em um povoado das proximidades do rio Severn, na Inglaterra, admirável Apóstolo e patrono da Irlanda. Conta-se que Patrício usou o trevo de três folhas, hoje símbolo da Irlanda, para explicar o mistério da Santíssima Trindade.
De família rural cristã, foi raptado aos 16 anos e vendido como escravo na Irlanda, onde trabalhou por seis anos como pastor. Depois de fugir chegou à França e refugiar-se no mosteiro de Lérins, onde dizia ter recebido um apelo divino para voltar e pregar o evangelho de Cristo na Irlanda, transferiu-se para Auxerre, onde estudou sob a direção de são Germano e sagrou-se bispo em 432. Voltou à Irlanda com a incumbência de combater as idéias de Pelágio, consideradas heréticas, e de anular a influência local dos sacerdotes druidas. Ali construiu inúmeros templos, organizou a administração religiosa e introduziu o latim como língua da Igreja. Deixou algumas cartas e um livro de memórias, Confissões, com importantes dados sobre a época. Padroeiro da Irlanda, sua festa é celebrada em 17 de março.

Texto e receita do livro O CÉU NA BOCA, Ed. Tinta Negra, 2010.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ovos fashion

Para esta Páscoa, a exemplo de anos anteriores, a Armani Dolci, criou uma série de Ovos, edição limitada. Feitos com matérias-primas selecionadas, está disponível nas versões chocolate cremoso, ao leite e branco, nos formatos de 200 e 700g, todos com o símbolo da marca, o “A” maiúsculo. A elegante embalagem é revestida de papel de seda azul e fechada com um duplo laço de fita de cetim, tor sur ton. A coleção Spring 2011 propõem também a clássica Colomba Pascal, de 1 kg.

E mais ovos

Belo trabalho de pintura em ovos da Romênia. Foto de Bogdan Cristel/ Reuters

Uma renda feita de cálcio e paciência


O esloveno Franc Grom enxergou muito além da casca de um ovo, transformando cada uma delas em verdadeiras esculturas. Talvez a pequena vila na Eslovênia, onde Grom cresceu, o tenha inspirado em suas obras. Ele nunca acreditou que poderia fazer carreira com a arte. E até que se aposentou – ele era eletricista -  assim foi, quando percebeu que o seu talento o faria ser reconhecido no mundo todo. Ele trabalha com uma furadeira, e seus ovos chegam a ter uma média de 2500 furos. Uma verdadeira renda feita de cálcio e paciência.
 

Pêssankas - ovos tradicionais ucranianos

Para muitos paranaenses, principalmente curitibanos, e catarinenses, esses ovos são encontrados com facilidade durante o ano todo, mas principalmente na época da Páscoa. Mas pra quem não é nem paranaense e nem catarinense, ai vai um pouco da história dessa arte. Em geral são feitos com ovos de codorna, de galinha, de pato e de avestruz. Cheios de simbologia e de um colorido marcante, acabam por se tornar objetos colecionáveis.
Foto de Leandro Taques

Na história do povo que habitou as estepes sempre esteve presente uma tradição de colorir ovos na época em que o Sol voltava triunfante, eliminando a neve que cobria a rica terra negra da Ucrânia. Em escavações arqueológicas, foram encontrados indícios desta arte a mais de 3.000 anos antes de Cristo, sendo que naquela época, eram utilizadas ferramentas muito rústicas para se confeccionar uma pêssanka. A explicação para o interesse do ser humano antigo pelo ovo está no fato dele possuir uma magia incrível, pois de uma forma simples e rude, surge uma vida.
Com o passar dos anos, as ferramentas gradativamente evoluíram e com elas o homem conseguiu melhorar suas condições materiais e também os resultados da suas pinturas em ovos, surgindo melhores definições daquilo que desejava expressar.

Os ucranianos, em paridade com todos os povos antigos, veneravam a natureza e os regentes dos elementos. Assim como outros povos antigos veneravam o Sol com Apolo e seu carro puxado por leões, os ucranianos reconheciam no mesmo astro, o Dajbóh, e a ele ofereciam homenagens, pois novamente traria luz e calor para a Terra. O verde substituiria o branco da neve, as flores voltariam a desabrochar, as árvores ofereceriam seus frutos novamente e o povo poderia trabalhar a terra para obter seu sustento.
A festa da Primavera era um evento alegre, acendia-se uma grande fogueira no meio da aldeia e todos comemoravam a chegada de Dajbóh, no exato momento do Solstício de Primavera. Desde o início deste dia o povo estava em festa. Oferecia seus presentes ao regente Dajbóh e entre os mesmos estavam as pêssankas. Nelas estavam gravados os raios de luz que seriam oferecidos à terra, a partir desta importante data do povo antigo.
Também nesta festa eram oferecidas pêssankas aos entes da natureza, fazendo seus agradecimentos pelas colheitas e também firmando seus pedidos para que a terra continuasse produzindo aquilo que necessitavam para viver. Estas pêssankas eram enterradas no campo, nas lavouras, pois deveriam ser presentes aos amados entes da natureza.
Neste tempo anterior ao cristianismo, o povo tinha suas crenças voltadas para aquilo que via e sentia. Era uma época em que mais do que nunca, o ucraniano estava ligado à natureza, sua fonte de vida e energia. Em 988, através do Príncipe Volodymir, a Ucrânia é batizada nas margens do Rio Dnipró, passando a adotar o cristianismo como religião oficial. O povo absorveu essa mudança, mas não aceitou abandonar seus antigos rituais, como as Festas da Primavera.
A solução encontrada pelo clero foi a adaptação destes antigos costumes, como símbolos cristãos, ou seja, permitiam e até apoiavam o povo à manter essas tradições consideradas pagãs, mas lhes incutiam um simbolismo correlato ao cristianismo.

A antiga e tradicional Festa da Primavera transformou-se na Páscoa cristã, por se tratar da mesma época. O povo continuava com os antigos festejos, mas mudava-se gradativamente o sentido da ocasião festiva. As pêssankas continuaram existindo, o povo não deixou o costume de colorir ovos para expressar seus sentimentos, mas o clero fez com que se abandonassem as crenças nos entes da natureza, deviam ser extintos os costumes tidos como pagãos.
As pessoas passaram então a fazer pêssankas para dar aos parentes e amigos respeitados, na época da Páscoa, para demonstrar tudo aquilo que desejavam para seus entes queridos. As pequenas obras de arte também passaram a aparecer em datas importantes, como casamentos e nascimentos, como materialização das boas intenções que se queria expressar.
Na conturbada história da Ucrânia, o povo passou por muitos períodos de instabilidade social, tendo muitas vezes a miséria e a opressão imperando sobre seus lares. Domínios russos, poloneses, austríacos, húngaros, duas guerras mundiais, o comunismo ... e as pêssankas continuam acompanhando a vida desta gente, que veio para o Brasil em busca de um futuro melhor para seus filhos, trazendo na bagagem uma cultura milenar, que hoje respira a liberdade.
A Ucrânia, em 1991 finalmente adquiriu sua independência, exigida pela população que saiu às ruas e hoje, além de seu valor cultural, simbólico e artístico, as pêssankas passaram a ser um símbolo de longevidade para uma Ucrânia livre e independente.

Adaptado de:  www.pessanka.com.br