domingo, 11 de setembro de 2011

“¿Porqué no vamos a mi casa a comer un majadito?”


Segundo o escritor boliviano Omero Carvalho Oliva, essa é uma das frases mais comuns que se escuta nas ruas de Santa Cruz, na parte oriental da Bolívia.
Majao ou majau é o nome desse prato que, segundo o referido escritor, acreditava-se ser uma palavra de origem guarani, mas que na verdade é castelhana e significar "moer".
É um prato conhecido, apreciado e preparado na casa dos pais de Carlos, e eles contam que foram apresentados à iguaria por um amigo boliviano da família. Nas pesquisas que fiz na net, encontrei inúmeras receitas, muito diferentes entre elas, aliás.
Segue aqui a versão revisitada que preparamos para Elaine, no jantar de ontem a noite.

Ingredientes:
1 xícara de arroz branco tipo agulinha
2 xícaras de água fervendo
1e 1/2 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite de oliva
250 g de carne seca já cozida e desfiada
1 maço de couve picada bem fina
2 dentes de alho
2 xícaras de chá de folhas de hortelã picadas
3 ovos cozidos picados grosseiramente
3 bananas prata fatiadas na longitude

Modo de preparar:
Coloque o azeite na panela e doure o alho. Acrescente o arroz e o sal, mexa e derrame a água fervendo. Cozinhe em fogo médio e quando a água já estiver quase toda seca, adicione a carne seca desfiada, a couve picada e a hortelã. Mexa bem, adicione os ovos cozidos picados e corrija o sal, se necessário. Tampe a panela e numa frigideira antiaderente, frite as bananas fatadas até que se forme uma casquinha. Sirva o arroz guarnecido com as bananas fritas.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Louça da Nobreza Brasileira I

D. João VI e D. Carlota Joaquina

Os estudiosos Wanderley Pinho e Newton Carneiro, afirmam que a chegada da Corte ao Rio de Janeiro, em 1808, despertou, na burguesia local, o gosto pela mesa requintada, substituindo os velhos pratos de metal e de barro, encontradiços nos inventários da Colônia, pelo luzido acabamento das peças de porcelana, primeiramente do Oriente e, já no segundo quartel do século XIX, da Europa. A partir daí, os nobilitados pela Coroa passaram também a assinalar seus serviços com escudos, coroas e monogramas, dando origem às hoje disputadas coleções de louça brasonada, de que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, os museus Histórico Nacional, Imperial de Petrópolis e Academia de Letras da Bahia possuem expressivas coleções.

Tema controverso para historiadores e colecionadores é o dos serviços de mesa trazidos pelo Príncipe Regente, quando da transferência da Corte para o Brasil, ou aqui adquiridos para uso da Casa Real. E a razão de tal fato é a ausência, ou pelo menos a não localização até a presente data, aqui ou em Portugal, de documentação idônea, seja pelo desaparecimento dos arquivos dos Condes de Redondo, em que, segundo consta, existiria minucioso inventário das peças embarcadas com a Família Real, seja pela lacônica descrição das alfaias dos Paços Imperiais, quando do Leilão de 1890.

foto IHGB

Dos oito serviços de jantar da Companhia das Índias tidos como de D. João VI - Galos (A), Pavões, Corças, Correios, Pastores (B), das Rosas, Vista Grande (C) e Vista Pequena - o Instituto possui exemplares dos primeiro, quinto, sétimo e oitavo, assim conhecidos em razão dos padrões de decoração. E, dos doze serviços de porcelana européia, oito - Reino Unido (D) e Camaristas, em porcelana francesa, Espinha de peixe e os chamados 'de barra bordeaux' (F), 'sépia e verde' e "de barra rosa", em porcelana possivelmente também francesa, o de "Wedgwood" (E) e o conhecido também como "das Rosas", em porcelana inglesa.
Serviço das Rosas - Inglaterra, séc. XVIII


Serviço das Corças - Cia. das Índias, séc. XVIII

Serviço do Reino Unido - Cia das Índias

Serviço dos Pavões - Cia das Índias

Fazenda Santa Cruz

Com o banimento dos Jesuítas do Brasil, o patrimônio da Fazenda de Santa Cruz reverteu para a Coroa, passando a se subordinar aos Vice-reis. Após um período de dificuldades administrativas, sob o governo do Vice-rei Luís de Vasconcelos e Souza, a Fazenda voltou a conhecer um período de prosperidade.
No início do século XIX, com a chegada da Família Real ao Brasil (1808) e o seu estabelecimento no Rio de Janeiro, a Fazenda foi escolhida como local de veraneio. Desse modo, o antigo convento foi adaptado às funções de paço real -Palácio Real de Santa Cruz.
Sentindo-se confortável na Real Fazenda de Santa Cruz, o Príncipe Regente prolongava a sua estada por vários meses, despachando, promovendo audiências públicas e recepções a partir da mesma. Nela cresceram e foram educados os príncipes D. Pedro e D. Miguel.
Por iniciativa do soberano português foram trazidos da China cerca de cem homens encarregados de cultivar chá, no sítio hoje conhecido como Morro do Chá. Durante quase um século essa atividade foi produtiva e atraiu o interesse de técnicos e visitantes, tal o pioneirismo de sua implantação no Brasil. No entanto, de acordo com o jornalista Patrick Wilcken, no seu livro Império à Deriva (2010), o chá-da-índia cultivado em solo brasileiro não apresentou as mesmas características originais, sendo de qualidade inferior e de gosto amargo, o que acarretou em fracasso econômico ao contrário do café.
D. João VI despediu-se de Santa Cruz em 1821, para retornar à Metrópole Portuguesa.

Serviço dos Galos da Fazenda Santa Cruz
Cia. das Índias

Serviço Vista Grande da Fazenda Santa Cruz
Cia. das Índias

Serviços da Vista Pequena da Fazenda Santa Cruz
Cia. das Índias

Pertencente à antiga Fazenda Imperial de Santa Cruz, o Serviço das Corças possui as bordas em verde com oito dragões representando os oito imortais. O motivo central da decoração é Si-Wang-Um no bosque, junto ao lendário Lago das Gemas, tendo uma corsa ao lado, e sobre ela um potiche simbolizando o budismo. Sendo um dos maiores aparelhos, nele encontramos vasos, ânforas e peças de ornamentação.

Outro serviço que também pertenceu à Fazenda Imperial de Santa Cruz foi o serviço Vista Grande. Ele é todo em sépia e possui alguns frisos em ouro e algumas rosas. É o único que apresenta figuras geométricas. Numa grande travessa existe uma paisagem com características ocidentais.

O Serviço das Rosas possui uma característica rara nas porcelanas Cia. das Índias: no verso de alguns pratos há uma inscrição em caracteres chineses que diz "feito com sabedoria por Kong-Wei-Dim". Esse serviço tem uma rica cercadura onde o ouro guarnece rosas de vivo colorido e sobre um fundo rouge-de-fer dá um imenso destaque à borda e no centro um pequeno ramo rosa e ouro completa a decoração.

Outro serviço dessa preciosa porcelana chinesa é o chamado Vista Pequena. Ele vem guarnecido de um filete azul, onde estrelas estão arrumadas simetricamente e no centro uma reserva redonda com uma paisagem ocidental é cercada de uma elipse, onde sete estrelas guarnecem cada lado.
Estes foram os serviços da Companhia das Índias de uso real.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Barão de Paramirim

Miguel José Maria de Teive e Argolo, primeiro e único barão de Paramirim (Cotegipe, Bahia, c.1802 — 1868) foi um fazendeiro e militar brasileiro. Filho de José Joaquim de Teive e Argolo e Maria Luísa de Argolo Queirós, casou-se com sua prima Bernarda Maria de Teive e Argolo. Aos 20 anos de idade participou, como capitão da infantaria de milícias, da campanha da Independência do Brasil. Era tenente-coronel da Guarda Nacional em São Francisco do Conde, em 1839. Elevado a coronel honorário do Exército, em 1864. Era, também,  Comendador da Imperial Ordem de Cristo, Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro e fidalgo cavaleiro da Casa Imperial.

Prato do serviço de porcelana do Barão
manufatura francesa do século XIX


"Outrora reinava a mesma sociabilidade farta; entretanto a tristeza da mulher colonial, o seu retraimento, a rudeza dos hábitos primitivos e duros, não permitiam ainda que os salões se abrissem, para o luxo e a delicadeza dos saraus. As festas eram de ordinários campestres ou religiosas, ao ar livre, em contato com a natureza, cavalhadas, calçadas, refeições medievais, nos pátios dos engenhos, adoçadas pela música dos negros, pelos descantes dos trovadores que batiam as estradas pagando os agasalhos com as canções, pelos discursos burlescos e pelos jogos florais. A várias dessas cenas de sabor quinhentista se referiu, na sua poética, Gregório de Matos, parceiro delas, e obrigatória figura das folganças e aventuras da fidalguia, nos engenhos baianos do fim do século XVII. Século e meio depois, as portas da casa-grande se tinham aberto, iluminando-se com os candelabros de prata as salas mobiliadas à moda francesa. O cravo e o piano substituem a viola boêmia dos cantadores do passado e os instrumentos bárbaros dos músicos africanos. As senhoras recebem de Paris o vestido, as jóias; e os homens trazem das universidades alemãs a educação moderna, o cavalherismo romântico, e o gosto intelectual, a figura das raças requintadas. As mansões do recôncavo (pequenos castelos...) adornam-se primorosamente, afidalgam-se de arte e cerimoniais, reproduzem, em hábil transação com a rotina e a barbárie das senzalas, uma vida de pequena corte, com os lacaios fardados, as carruagens e os barcos de passeio, os festins, a hospedagem nobre, a ostentação que devia indicar o grau de cultura, a hierarquia do senhor. Organizam eles as suas bibliotecas, nas quais tem lugar de honra a Revue de deux mondes e as obras dos enciclopedistas do século XVIII. No engenho “Morenos” em Pernambuco, leu o imperador um manuscrito do “Castrioto”... Formam assim o espírito crítico, estrangeiro naquele meio acanhado, enchendo-o porque as ressonâncias da Pátria eram mais vagas, mais distantes, de impressões e curiosidades européias. Contrariam a tradição da casta, antigamente sedentária, imobilizada nas suas terras de cana, viajando muito. A primeira necessidade disto estava no ensino dos filhos. Rotos os laços portugueses, ainda desacreditadas as faculdades do país, o que lhe parecera mais próprio e digno fora mandar os rapazes a Heidelberg e Berlim. Na década de 30-40, as universidades da Alemanha educam numerosos brasileiros, sobretudo baianos, pernambucanos, maranhenses. Regressando ao engenho, levam consigo o “ambiente” oral da mocidade; exilam-se no torrão natal; não se adaptam mais à brutalidade do trabalho servil e à melancolia da vida campesina; são espiritualmente outros tantos desenraizados. Mas fomentam a civilização, transplantando-lhes as comodidades: estudante que volta, transporta na bagagem a alfaia, o utensílio, a indumentária, o livro, o sport, os vícios sociais, as aspirações políticas, o móvel dourado, os quadros célebres, os figurinos modernos, que compõem, na Europa, o decoro aristocrático, ou da pretensiosa burguesia. Generaliza-se a mania do retrato a óleo, as paredes da casa-grande, tão despidas nos tempos lamentáveis da reclusão feminina, resplandecem agora, com a galeria de quadros de família. Os melhores artistas ganham a vida no Brasil, retratando os morgados; alguns, em excursões pelo interior, enriquecem, pintando baronesas e fazendeiros. Vem depois a tapeçaria, os “serviços” de Saxe e Limoges, as mobílias de Boulle, a prataria do Porto, os cristais de Boêmia, a preceptora alemã, o professor particular, o administrador para o engenho, substituindo o bronco feitor de calabrote em punho, e o restante aparato, que arruína devagar, mas brilhantemente, o proprietário agrícola. O barão de Paramirim, senhor de engenho na Vila de São Francisco, homenageou o imperador e sua comitiva – em 1859 – com duas admiráveis, imperiais baixelas de prata e porcelanas finas. Semelhante opulência achou D. Pedro II pelos engenhos que visitou, na Bahia e em Pernambuco, nesta província principalmente na propriedade de Antonio de Souza Leão..."

CALMON, Pedro. História Social do Brasil: Espírito da Sociedade Imperial. São Paulo: Martins Fontes, 2002. v. 2.

sábado, 3 de setembro de 2011

Sopa de quinoa e tomate

A quinoa é um grão que teve seu cultivo iniciado há mais de cinco mil anos nos Andes bolivianos. Como o milho e a batata, a quinoa era a base da alimentação no império Inca. Existem mais de 17 tipos diferentes deste grão, conhecido também como "Grão Sagrado".
É encontrado em forma de flocos, grãos e farinha, em grande parte do Brasil. Dentre os benefícios do consumo, estão a prevenção de câncer de mama, osteoporose e problemas cardíacos, além da melhora da imunidade, da aprendizagem e da memória e recuperação de tecidos, entre outros.
No Brasil, os experimentos com a quinoa foram iniciados na década de 80. Um redescobrimento do grão que apesar de pouco divulgado promete em pouco tempo ser inserido e aceito na alimentação do brasileiro.
As pesquisas mostram que o Brasil possui um excelente potencial para produção do grão. Um estudo realizado pela EMBRAPA e o departamento de nutrição da universidade de São Paulo comparou a quinoa brasileira com a cultivada na Bolívia e concluiu que o perfil de proteínas de ambas é de 90%.
Ela é rica em vitaminas a como a B-6, B-1 e em menores quantidades as vitaminas E e C. Para se ter uma ideia, em apenas 100 gramas da quinua podemos encontrar 9,5 miligramas de ferro, 286 mg de fósforo, 112 mg de cálcio e ainda apresenta um valor entre 67 e 74 % de hidratos de carbono, essencialmente na forma de amido. Seu teor energético também é alto, em torno de 347 kcal por 100g.
O quinoa é uma espécie de irmã da soja, mas com uma concentração de ferro bastante elevada e se comparada ao nível de assimilação da soja e da carne que é de 60 %, ela as supera, sendo assimilada pelo organismo em até 75%.


Ingredientes:

½  xícara de chá de quinoa crua em grão
1 ½  xícara de água
1 dente de alho amassado
2 colheres de sobremesa de azeite de oliva
3 xícaras de chá de tomate maduro sem pele e sem sementes cortados em cubos
1 talo de salsão picado
1 ½  litro de caldo caseiro de carne ou galinha
1 colher de sobremesa de orégano fresco
Sal marinho a gosto

Modo de Preparar
Cozinhe a quinoa em água por 15 minutos. Em uma panela grande, doure o alho e a cebola no azeite. Acrescente o tomate e o salsão. Deixe cozinhar por 10 minutos (ou até os tomates desmancharem) e junte o caldo. Tempere com orégano e sal. Por último, acrescente a quinoa cozida e desligue o fogo.

Fonte: receita da nutricionista Mariana Froes, do Rio de Janeiro, disponível em www.marianapfroes.blogspot.com

domingo, 28 de agosto de 2011

Curiosidade: colheres para absinto

França - séc. XIX

Esta colher perfurada é usada para dissolver um cubo de açúcar num copo de absinto.
Coloca-se  a colher por cima do copo com absinto e coloca um cubo de açúcar por cima da colher. Na era Vitoriana, pingava-se uma gota de láudano no torrão de açúcar! Despeja-se água por cima do cubo e através das perfurações da colher. Adicionar açúcar serve para adoçar a bebida e diminuir o amargor da mesma.
"Van Gogh, Rimbaud, Beaudelaire. Um trio irrepetível, com uma musa comum. Uma bebida destilada feita da erva arthemisa absynthum. No século XIX, era a bebida dos que procuravam novas sensações. Os efeitos do absinto tornam-na um pecado tentador para os artistas. Após o seu consumo, embora o corpo apresente efeitos de embriaguez, os sentidos estão apurados: os cheiros mais fortes, as cores mais intensas. A Fada Verde tem ainda o condão de concentrar o mundo inteiro num detalhe; aqueles que bebem absinto podem abstrair-se de tudo o que os rodeiam e focar-se numa melodia, numa forma, e apreciá-la com todos os sentidos. Esta qualidade explica o porquê da unânime adesão dos artistas franceses.
Poetas como Rimbaud e Verlaine atribuíam ao absinto a sua inspiração, a capacidade de se desligarem do real, de observarem o que os rodeava de uma nova perspectiva. Degas, Sarah Bernhard, Van Gogh, Lautrec, Gauguin, Manet e Monet são apenas alguns dos nomes dos que apreciavam as tertúlias inspiradas pela Fada Verde e cujo trabalho foi concebido sob a influência da musa que habitava as garrafas de absinto. Na companhia de um copo de absinto escreveram e pintaram, debateram e partilharam ideias, comentaram mundaneidades, cantaram ou declamaram poesia.
Na França da segunda metade do século XIX, o absinto era um símbolo de inspiração artística e por isso o nome “Fada Verde”, “Musa Verde” ou, nas palavras do ocultista britânico Alastair Crawley - que chegou a vir a Portugal para conhecer Pessoa - a “Deusa Verde”.
De inspiração dos vanguardistas a ópio dos mundanos e ódio de estimação de uma opinião pública alimentada por manchetes sensacionalistas, o absinto passou de bebida adorada a bebida banida nos principais estados europeus. O absinto era, claramente, uma bebida demasiado à frente para o século XIX. Rapidamente os mais hediondos crimes foram justificados pelo consumo desta bebida, constando a Fada Verde nos títulos mais escabrosos apregoados pelos ardinas. O ateísmo, a vida errática e boémia, a inconstância e, em alguns casos, até a demência, eram factores associados ao consumo de absinto. Há inclusive inúmeros relatos sensacionalistas que associam os crimes “de faca e alguidar” ao consumo de absinto.
De bebida popular em 1840, a Fada Verde foi proibida em quase todos os países europeus no princípio do século XX, à excepção do Reino Unido, Suécia, do Império Austro-Húngaro, Espanha e Portugal.
Nos anos noventa, com a liberalização da sua produção e consumo pela União Europeia, assistiu-se ao renascer das cinzas da Fada Verde que surge agora não como musa de artistas, como meio de alcançar um estádio de surrealismo, mas como catalizador de noites loucas, de binge drinking.
A bebida que hoje está associada a shots, foi em tempos a musa inspiradora de uma das mais prolíferas gerações de artistas de sempre. A segunda metade do século XIX dedicou-lhe poemas, quadros numa exaltação comum de uma musa proibida.
Hoje e Ontem
O absinto, hoje e então, poucas vezes é consumido puro. O ritual de consumo de absinto também o separa das restantes bebidas destiladas. Em Portugal, a forma mais popular de consumo de absinto é em shot. Num copo pequeno, deita-se um bocadinho de vodka (há quem ponha um cheirinho de sumo de limão). Cobre-se o copo com meia rodela de limão polvilhada de açúcar e canela. Deita-se absinto no limão e deixa-se escorrer. Com um isqueiro, deixa-se o absinto arder um bocadinho e bebe-se de um trago.
No século XIX, o absinto era também servido num copo pequeno. Juntava-se uma dose pequena da Fada Verde e colocava-se no topo do copo uma colher de absinto (uma espécie de colher com furinhos), em cima do qual era posto um cubo de açúcar. Depois vertia-se lentamente água gelada sobre o cubo de açúcar até à proporção de 3 para 1. O anis, presente no absinto, não se diluía na água o que dava à bebida um tom baço e perlado.
Origens
Atribui-se a sua criação, tal como o conhecemos e consumimos hoje, a um farmacêutico de Neuchatel, Suíça. A primeira destilaria de absinto surge pela mão de descendentes do seu criador e de Henry-Louis Pernod, tornando-se a origem de um império e referência na produção de bebidas alcoólicas que, com a junção à família Ricard, forma o império Pernod-Ricard que dura até hoje."
Texto de Isabel Calado disponível em http://www.ruadebaixo.com

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Coleslaw

A salada coleslaw é uma salada clássica americana, servida na maioria dos restaurantes. Essa salada, embora muita gente pense que tem origem judaica ou no leste europeu, ao que tudo indica é oriunda do centro da Europa. Kollsa é uma contração de "koolsalade". A adição da maionese é mais recente. A coleslaw é, portanto, mais uma receita imigrante que faz sucesso nos Estados Unidos. Já é documentada naquele país desde 1785.

"Os primeiros colonos europeus da costa oriental da América do Norte trouxeram sementes de repolho com eles, e o repolho era um dos vegetais favoritos em todas as colônias. Os holandeses que fundaram a Nova Holanda (New York State) plantavam repolho extensivamente ao longo do rio Hudson. Serviam-no à maneira tradicional de seu país, muitas vezes como koolsla (salada de repolho picado). Este prato se tornou popular em todas as colônias e sobrevive hoje como salada de repolho. Por volta de 1880, o repolho e seus primos haviam caído em desgraça nas classes superiores, devido aos fortes odores sulfurosos que estes vegetais emitem ao cozinhar. Mas este vegetal resistente e versátil nunca desapareceu das cozinhas da classe média."
Fonte:
Oxford Encyclopedia of Food and Drink in America, Andrew F. Smith [Oxford University Press: New York] 2004, Volume 1 (p. 147)



Receita original American de 1839

Cold Slaugh.
“Select firm, fragile heads of cabbage, (no other sort being for for slaugh); having stripped off the outer leaves, cleave the top part of the head into four equal parts, leaving the lower part whole, so that they many note be separated till shaved or cut fine from the stalk. Take a very sharp knife, shave off the cabbage roundwise, cutting it very smoothly and evenly, and at no rate more than a quarter of an inch in width. Put the shavings or slaugh in a deep china dish, pile it high, and make it smooth; mix with enough good vinegar to nearly fill the dish, a suffient quantity of salt and pepper to season the slaugh; add a spoonful of whole white mustard seeds, and pour it over the slaugh, garnish it round on the edge of the dish with pickled eggs, cut in ringlets. Never put butter on cabbage that is to be eaten cold, as it is by no means pleasant to the taste or sight."
Fonte:
Lettice Bryan. Kentucky Housewife. Facsimile reprint 1839 edition stereotyped by Shepard & Stearns:Cincinnati, p. 192-3.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Pastéis de Santa Clara

Hoje é dia de Santa Clara de Assis. Veja mais informações em:
www.artereligiao.blogspot.com

Os doces conventuais são bocados divinos caídos do céu para o deleite do nosso paladar. As antigas receitas eram segredos muito bem guardados no interior dos conventos femininos de clausura. com o passar do tempo, esses segredos foram revelados ao mundo, e hoje, esses doces são confeccionados e comercializados pelas melhores confeitarias do mundo.
Sem dúvida, dentre os doces conventuais, o mais famoso deles, e talvez o mais popular, é o Pastel de Santa Clara.


Esse doce é, também, o mais popular dos doces conventuais de Coimbra, estando associado ao convento do mesmo nome. Fundado no século XIII, o Convento de Santa Clara-a-Velha gozou da especial proteção da rainha Santa Isabel que ali passou parte de sua vida, e também foi olar de Inês de Castro. Devidos às cheias do rio, foi abandonado em 1677 e as religiosas mudaram-se para o convento de Santa Clara-a-Nova, onde se encontra o túmulo da rainha-santa.
Nos séculos passados, as religiosas utilizavam a clara de ovo para engomar roupas e para preparar hóstias, e acabaram por inventar receitas com as abundantes gemas que sobravam. Conta-se, em Coimbra, que as irmãs mais velhas ao ensinar outras freiras a preparar a massa do doce, diziam que a massa deveria ser esticada tanto, ao ponto de deixá-la tão fina que se pudesse ler uma carta colocada debaixo dela.

Mosteiro de Santa Clara a Velha, Coimbra

Ingredientes:
300 g de massa fillo
margarina derretida
Para o recheio:
100 g de amêndoas sem pele e moídas
9 gemas
250 g de açúcar
1/2 copo de água

 Modo de preparar:
Levar ao fogo o açúcar e a água e deixar ferver até formar uma calda espessa. Retirar do fogo, colocar as amêndoas, as gemas levemente misturadas mexendo vigorosamente para não talhar. Voltar ao fogo brando e sem parar de mexer, deixar engrossar até aparecer o fundo da panela. Deixar esfriar. Descongelar a massa fillo conforme instruções do fabricante. Separar duas folhas: pincelar a primeira com margarina derretida e cobrir com a outra folha. Cortar discos maiores que a forminha, forrar a forminha, colocar o recheio e tampar com o outro disco. Pincelar margarina derretida e levar para assar em forno pré aquecido 180º até que fique dourado. Depois de assado e frio, polvilhe com canela e açúcar.