A visita da Rainha Elizabeth a Brasília começou em 5 de novembro de 1968 e a sua recepção, no Itamaraty, foi um das mais chiques na história de Brasília. Memorável naquela noite foi a gafe cometida pelo presidente Costa e Silva, ao final do discurso, documentada na época pela revista Manchete. No momento do brinde, ao final do discurso, o presidente ao erguer a taça repetiu inúmeras vezes a palavra god e parou por aí. O save the queen só foi pronunciado depois que um assessor soprou a frase no ouvido do presidente.
Em 1968, o traje de gala ainda não eram os smokings, mas as tradicionais e elegantes casacas, que, segundo pessoas que compareceram à recepção à rainha da Inglaterra, de tão compridas arrastavam nos tapetes do Itamaraty. O evento reuniu três mil pessoas e ficou conhecido pela voracidade com que os convidados avançaram sobre o bufê, já quase à meia noite, pois a formalidade da ocasião exigiu que a rainha perdesse horas em sessões de fotos e beija-mão. "Esfomeados, os presentes avançaram na comida. Houve gente que comeu caviar de colher", conta o jornalista Gilberto Amaral, que chegou a Brasília após a inauguração e testemunhou as festas mais marcantes realizadas na capital.
O jornalista Ari Cunha, d’O Globo, escreveu na ocasião: “Quem comparecer, hoje, à recepção que será oferecida à Rainha da Inglaterra, terá a oportunidade de ver belas obras de arte que o bom gosto do Embaixador Murtinho reuniu para o belo Palácio. A ala oeste do Salão de Recepções vai apresentar, numa das paredes, dois anjos de 1737, que pertenciam à Igreja de São Pedro dos Clérigos, demolida para a abertura da Avenida Presidente Vargas, no Rio [...] Da Bahia, veio uma Santa Bárbara, do fim do século XVII. Numa nova sala que se decora e abre as portas pela primeira vez hoje, situada no lado leste do Salão de Recepções, de frente para o Anexo da Câmara, a parede será ornada com um grande quadro de Djanira, representando um Casario Bahiano (sic). Essa obra foi comprada para presentear um visitante ilustre, mas o Cerimonial preferiu retê-la no Palácio, pelo seu valor artístico e histórico. A grande novidade da decoração do Itamaraty, entretanto, será a parede à esquerda de quem sobe a escadaria circular no mezzanino do prédio. Ali foi colocado um tapete, especialmente para servir de cenário ao local em que a Rainha Elizabeth cumprimentará os Ministros de Estado e outros convidados ao banquete que o Presidente da República (Costa e Silva) lhe oferecerá. O tapete foi emprestado pelo Embaixador Joaquim de Souza Leão, ao Embaixador Murtinho, especialmente para a visita da Rainha da Inglaterra. Modelo de Eckhoud, foi presenteado pelo Rei Eduardo VII ao Lord Brovgan et Vauex, em reconhecimento pela hospedagem em sua Vila de Cannes à Rainha Victoria. Como simbolismo, não poderia ser melhor a escolha.”
Segundo a revista Istoé, O Itamaraty possui quatro salas destinadas a eventos e recepções a chefes de Estado, das quais três levam o nome das capitais do Brasil: Brasília, Rio e Bahia. A outra é a sala Portinari. Desde que foi inaugurado, em 1967, o Palácio nunca deixou de receber eventos externos. A primeira recepção oficial ocorreu em 14 de março do ano de sua inauguração, último dia do governo Castelo Branco. O Itamaraty não confirma oficialmente, por não possuir estatísticas sobre a utilização das salas, mas um dos chanceleres que mais usaram os salões para recepcionar chefes de Estado foi Luiz Felipe Lampreia, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. No governo do PSDB, era comum ele oferecer grandes almoços e jantares durante as visitas oficiais. A partir de 2003, com a chegada de Lula ao poder, esse costume foi abolido. Os petistas, segundo fontes do Itamaraty, dizem preferir os eventos noturnos.
Sala Brasília - Palácio do Itamaraty
Confira o cinevideo sobre a visita da Rainha ao Brasil. No minuto 4.09 aparece a recepção oferecida por Costa e Silva no Palácio do Itamaraty.
http://www.zappiens.br:80/videos/cgiqRW56xRInsJhsEGMcF1wuaAl1op8YcFGd1CYOynw2Og.FLV



