terça-feira, 29 de maio de 2012

Natureza-morta com peixes

Acho que já deu pra perceber que o blog curte naturezas-mortas. É um gênero de pintura muitas vezes vítima de preconceitos, mas sua importância remonta aos tempos da Roma Antiga, quando simulacros de comida eram pintados nas paredes das salas das casas para homenagear os visitantes. Esse tipo de pintura era chamado de xenia.
O auge da natureza morta aconteceu durante o período da Reforma: a pintura carregava consigo conteúdos simbólicos muito forte, como o do peixe, por exemplo. O peixe ou ictus é um acróstico de Iesus Christus Theos Uios Soter - Jesus Cristo Filho de Deus Salvador. 
Seguem aqui algumas imagens do pintor e pastor inglês Bob Booth. Nascido em 1948 em Lincolnshire, imigrou  para a Austrália em 1998, onde vive com a família em Toodyay. Fotos do site www.coondleart.com




Chaïm Soutine (1893 - 1943) foi um pintor judeu lituano, importante representante da Escola IExpressionista de Paris. Mudou-se para a capital francesa em 1913, após estudos de pintura na Lituânia.  Logo fez amizade com outros artista em Montparnasse, e estabeleceu forte relação de amizade com Modigliani. Morreu na mesa de operação, vítima de uma úlcera nervosa, por temor de ser preso pelos nazistas que haviam invadido a França. A obra é de 1921.



Patrick Heron (1920 - 1999) pintor, escritor e designer inglês nascido em Yorkshire. Começou a pintar após ter visitado uma individual de Cézanne na Tate Gallery de Londres, em 1933. Em 1946 escreve importante ensaio sobre o pintor Braque, impressionado com a exposição do cubista, também na Tate Gallery. Em 1947 fez sua primeira exposição individual na Redfren Gallery, em Londres, e em 1953 expôs dez telas na II Bienal Internacional de São Paulo. A obra é de 1947. Foto via www.stilllifequickheart.com




quarta-feira, 9 de maio de 2012

Temporada da Lagosta III

Em 2009 o Tribunal de Milão absolveu os proprietários de um famoso restaurante da cidade, acusados de maus tratos a animais vivos. A acusação se deu poque as lagostas em questão estavam expostas, vivas, em leitos de gelo. O advogado defensor do casal, Luca Giulante, alegou perante o juiz que "segundo a tradição gastronômica, o cozimento do crustáceo deve ocorrer quando ele ainda está vivo". Com tal afirmação, o juiz concedeu-lhe ganho de causa. A tradição gastronômica venceu!

Outra notícia da Itália: em janeiro deste ano, na província de Vibo Valentia, na Calábria, sul da Itália, foram lançadas ao mar, 25 mil jovens lagostas criadas em cativeiro, nas águas do Parque Regional Marinho da Costa degli Dei. O projeto foi inspirado em semelhantes iniciativas japonesas e norueguesas. Portanto, a iguaria estará garantida, mais uma vez, no prato dos gourmets italianos.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Temporada da Lagosta II

A diferença da nossa lagosta, a lagosta americana, Homarus gummarus, e a lagosta do Mediterrâneo, Homarus vulgaris, sua carapaça é mais escura e as pinças são maiores e mais carnudas.

Lagosta de 9 kg em exposição, no ano passado, no Crab & Seafood de Nova York, com idade estimada em 140 anos. Foto de Brendam McDemid (Reuters)

Via www.folman.ca


Via www.moonshineandwhool.tumblr.com

Via www.crushculdesac.tumblr.com



domingo, 6 de maio de 2012

Lagostas na Arte

Pedro Alexandrino, sem data, Brasil, coleção particular

Guillaume Fiuace, séc. XIX, França, coleção particular

Gustave Caillebotte, 1880, França, coleção particular


Alfred Magne Desire, séc. XIX, Inglaterra, coleção particular

Anne Vallayer Coster, 1781, França

Giacomo Cerutti, séc. XVIII, col. Otto Naumann, Nova York

Abraham van Beyeren, 1653, Alte Pinacotek Munchen





Temporada da Lagosta

De acordo com o IBAMA, o período de defeso da lagosta vai até o próximo dia 21 de maio. O defeso é o período no qual a pesca é proibida porque é exatamente nesse período que os animais em questão se reproduzem. Em nosso litoral encontramos dois tipos do crustáceo: a Panurilus argus (lagosta vermelha) e a Panurilus laevicauda (lagosta verde) e é responsável, segundo fontes do Ministério da Pesca, pelo sustento de 15 mil pescadores em todo o litoral brasileiro. O IBAMA também informou que em 1991, por exemplo, a produção de lagostas era de 11 mil toneladas, e que hoje não supera as 7 mil. E na hora de comprar, régua na mão: a lagosta vermelha deve ter, no mínimo, 13 cm de cauda e a verde 11 cm, o que garante que o animal é adulto e já se reproduziu ao menos uma vez (fonte: IBAMA).

Segundo a sabedoria popular, os meses que não contém a letra R como maio, junho, julho e agosto, período do inverno,são os meses nos quais é recomendável consumir as lagostas e mariscos. Já o mestre da cozinha da casa real de Portugal, Domingos Rodrigues, no século XVII, afirmava que "qualquer marisco fora do seu tempo é menos saboroso e mais danoso. Esta é a razão porque as santolas, sapateiras e ameijoas são melhores no Inverno. As lagostas, camarões, ostras e berbigão no verão, e os mexilhões e caranguejos no Outono; porém devem ser colhido desde a lua cheia até a lua nova."

Referências à lagosta são encontrada na obra do português Frei Luís de Souza sobre a vida do dominicano Frei Bartolomeu dos Mártires (1514 - 1590), bispo de Viana e arcebispo de Braga. Conta-se que o santo recusou-se a comer uma lagosta que lhe fora oferecida no refeitório do Convento de São Domingos de Benfica, na véspera da festa de São João, dia de jejum. Anos mais tarde quando de sua morte, ele continuou a dar provas de sua santidade. Na festa de transladação de seu corpo, frente a 30 mil pessoas, deu-se um milagre. Segundo Frei Luis, as redes dos pescadores se encheram tanto de peixes e, principalmente de lagostas, que os crustáceos foram dados de presente à população, tão grande foi o número deles a ser pescado. Foi beatificado em 2001 pelo Papa João paulo II.


Na foto, caudas de lagosta ao forno com manteiga de ervas e leito de pão integral. Foi o almoço de ontem!




sábado, 5 de maio de 2012


As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado.
Machado de Assis


A propósito do "Bruxo do Cosme Velho", o maior escritor brasileiro do século XIX, Rosa Belluzzo publicou o livro Relíquias Culinárias, que na verdade fala mais sobre a cidade do Rio de Janeiro do que exatamente sobre Machado. Mas vale a pena ler e descobrir como os cariocas se alimentavam dois séculos atrás.

Foto & Food




Navegando, navegando, pois navegar é preciso como dizia o poeta, encontrei o site desse fotógrafo italiano especializado em comida. Ele se chama Alessandro Guerani, vive e trabalha em Bologna. Seu site é http://www.foodografia.com . É um deleite para os olhos. Publico aqui, com os devidos créditos a Guerani algumas fotos que ele chamou Vintage Kitchen.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012


A receita inédita é uma utopia. Receitas são roubadas, copiadas, adaptadas e, às vezes, até inventadas. E os que contribuírem não se aflijam. Nessa seara onde todos são ladrões, temos os cem anos de perdão garantidos.

Nina Horta