quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Carne de porco para o Ano Novo - Lombo de Porco a Richelieu

“Grande homem! Dar-te-ia a metade do meu reino para aprender contigo a governar a outra metade”. Essas foram as calorosas palavras pronunciadas, em 1717, sobre a tumba do cardeal, pelo czar Pedro, o Grande, em homenagem ao gênio político do Século das Luzes.
Armand Jean du Plessis Richelieu (1585 – 1642) para muitos, é conhecido como o pérfido opositor dos Mosqueteiros, no romance de Alexandre Dumas (1802 – 1870). Na realidade, foi um político arguto, dotado de energia e muita ambição, diplomata por definição, com uma grande visão do Estado, e dono de um conceito pouco caridoso dos semelhantes. Iniciou sua carreira na corte de Maria de Médici (1575 – 1642), e mais tarde, sob o reinado de Luís XIII (1601 – 1643), em 1624, foi nomeado seu Primeiro-ministro.
Combateu contra a Espanha e a Áustria com sucesso, utilizou o desejo de poder da aristocracia manipulando-a por meio da corrupção, da calúnia e da espionagem. Conta-se que mentiu até mesmo para o Papa para receber o cardinalato.
Fundou a Academia da França e outras instituições culturais. Era também um cultor da boa mesa, embora tivesse uma saúde frágil. A ele, muitos pratos foram dedicados e ostentam o seu nome, mesmo que elaborados muito tempo após a sua morte.
Essa receita foi inventada por Auguste Escoffier, grande chef francês, em honra do grande político francês. Há também uma variante da receita substituindo a carne de porco por carne de carneiro.


                                                         Retrato do Cardeal de Gian Lorenzo Bernini
Ingredientes:
1 lombo de porco com cerca de 1,200 kg
350 g de nozes
1 copo de vinho Madeira
1 ramo de alecrim
3 folhas de salva
3 dentes de alho
1 cubo de caldo de carne
1 cálice de conhaque
100 g de creme de leite
3 colheres de sopa de manteiga
sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparar:
Esfregue a carne com sal e pimenta e amarrea-a com um fio de cozinha, prendendo o raminho de alecrim e a sálvia por baixo do fio. Pele os dentes de alho. Aqueça ½ litro de água com o vinho Madeira. Adicione o cubo de caldo de carne e, assim que levantar fervura retire do fogo. Derreta a manteiga em fogo brando. Junte a carne e doure-a uniformemente. Junte os dentes de alho picados e regue com metade do caldo quente. Tampe e cozinhe durante 1 hora, adicionando mais caldo sempre que necessário e virando a carne de 15 em 15 minutos. Descasque as nozes e triture-as. Quando a carne ficar macia, regue-a com o conhaque. Deite-lhe o fogo e acrescente as nozes e, finalmente, o creme de leite. Mexa bem em fogo baixo sem deixar ferver. Sirva a carne cortada em fatias, regada com o molho.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Panettone, afinal é tempo de Natal

O pão, doce ou salgado, ocupou muito espaço na alimentação italiana. O pão "romagnola", inchado e doce, muito consumido antigamente pelos camponeses, foi substituído pelo urbanizado panetone, considerado antigamente como o "pão de Natal" dos bolognesis rurais, juntamente com os "pans di zucca" (pão de abóbora), o "pão de uva", o "panine", cozido no forno e composto de ovos, fermento, açúcar e sal, mais popularmente conhecidos por "ciambelle" e "ciambelloni".
No entanto, não apenas na Itália, seu país de origem, como também no mundo todo, o panetone tem sido, durante muito tempo, um grande artigo de consumo, e não há nenhuma família que não o teve em sua mesa pelo menos em ocasiões especiais como o Natal.
Seu típico formato lhe deu o apelido de "Doce da Catedral de Milão", cidade onde foi confeccionado pela primeira vez.
 
 
 
A real história do panetone, no entanto, se perdeu no tempo. E o que podemos encontrar hoje são apenas muitas lendas, nada provado. Uma delas diz que o panetone foi feito, pela primeira vez, no século III d.C. Teria a forma de um pão grande e era confeccionado com uma massa conservada pronta, modelada e depois posta para assar.
A segunda versão é de que o panetone teria sido confeccionado pela primeira vez por um certo Ughetto, no tempo de Ludovico, o mouro, na padaria Della Grazia, em Milão, e passou a se chamar no início de "Pani de Toni", nome do padeiro que o criou. No entanto, o panetone começou a ser conhecido no mundo todo a partir do ano de 300.
O pintor holandês Jan Albert Rootins (1615 - 1674) representou no centro de seu quadro "Natureza morta com frutas", um magnífico panetone.
Com o passar do tempo, na Itália, começaram a surgir nove tipos de panetones baseados em duas escolas: a primeira, descrita como um panetone redondo, com base larga, bastante baixo e achatado, comum durante a Páscoa, e a segunda, preferida pela grande indústria doce, onde o panetone é alto, com base estreita e com uma cúpula bem acentuada, comum na época do Natal.
Depois, conforme o panetone foi cada vez mais consumido em outros países, novos tipos foram surgindo, novos ingredientes acrescidos para satisfazer o paladar e os gostos.
Fonte: http://www.fleischmann.com.br/

Bellini - uma boa opção pro fim de ano

Aproveitando a temporada de pêssegos - que aliás compramos deliciosos semana passada na Feira da Pça Nossa Senhora da Paz - que tal preparar um drink delicioso e refrescante?

BELLINI

O Bellini foi inventado em 1948 por Giuseppe Cipriani (1900 – 1980), bartender do Harry's Bar de Veneza. A sua invenção deu-se quando Cipriani visitou uma mostra de quadros do pintor renascentista italiano Giovanni Bellini (1430 -1516), e lhe impressionou a cor das vestes de um santo, um amarelo rosado.
O drink tornou-se uma bebida sazonal do Harry's Bar de Veneza, um dos locais favoritos de Ernest Hemingway (1889 – 1961), Sinclair Lewis (1885 – 1951) e Orson Welles (1915 – 1985). Sucessivamente tornou-se popular também no Harry's Bar de Nova York. Depois que um empreendedor francês instaurou a rota comercial para transportar polpa de pêssegos brancos para as duas localidades, o drink tornou-se um clássico perene. Desde 1998, a Casa Vinicola Canella de San Donà di Piave, norte da Itália, o prepara em garrafas que são distribuídas no mundo todo.

Ingredientes:

1 parte de suco de pêssego
3 partes de vinho espumante seco
1 colher de chá de licor grenadine

Numa taça tipo flute, coloque o licor grenadine no fundo do copo, em seguida o suco de pêssego e complete com o espumante muito gelado.

Fama à mesa na vitrine

A vitrine de Natal da Livraria da Travessa do Shopping Leblon está toda em vermelho, e o Fama à mesa também está lá.

Esta outra vitrine é da Livraria Daconde, no dia 13, data do lançamento do livro.




Décor do jantar anterior




Carlos deu seu "Mida´s touch" e eis o resultado. Elementos marinhos, é claro, para combinar com o cardápio!

Arroz de lula com brócolis

Um clássico da culinária carioca by Carlos





Ingredientes:
3 xícaras de chá de arroz
1 quilo de lulas limpas, com os tentáculos, cortadas em anéis
2 maços de brócolis comum e suas folhas picadas
2 colheres de sopa de cebola picada
½ xícara de chá de aguardente
3 e ½ colheres de chá de sal
3 colheres de sopa de azeite de oliva
2 dentes de alho picados
300 ml de tomates pelados
5 xícaras de chá de água fervente
Sal a gosto

Modo de preparar:
Em uma tigela, coloque o sal, a aguardente, os anéis de lula e os tentáculos. Deixe descansar por 30 minutos. Cozinhe os brócolis e as folhas, pique tudo muito bem e reserve. Em uma panela esquente o azeite, coloque os tomates pelados picados e a sua água, deixe ferver e acrescente as lulas com o líquido. Cozinhe por 15 minutos em fogo forte, mexendo de vez em quando. Retire do fogo e escorra o líquido em uma xícara. Reserve o caldo. Frite o alho e a cebola no óleo até dourarem. Acrescente o arroz e frite mexendo até começar a dourar. Adicione a xícara de caldo da lula e a água. Tampe a panela, abaixe o fogo e cozinhe até que a água tenha evaporado quase toda. Acrescente os brócolis, mexa bem e espere até que toda a água tenha evaporado. Finalize misturando as lulas anteriormente refogadas com os brócolis e o arroz.

Purpetielli affugati - Polvinhos afogados - receita clássica napolitana

Os purpetielli affugati,em dialeto napolitano, é um prato típico da cozinha Campana,principalmente daquela napolitana.  Antigamente, em muitas das ruas de Nápoles, encontravam-se vendedores ambulantes de polvo, que vendiam a iguaria para aplacar o apetite da plebe. O escritor Giuseppe Marotta, em seu livro O Ouro de Nápoles, chamava esses polvos de chicletes dos pobres, graças aos longos tempos de mastigação devidos à sua consistência borrachenta.



Preparamos a receita para Bárbara e Eduardo, no nosso pré-natal 2010! O cardápio incluiu também um tartar de salmão de entrada e arroz de brócolis com lulas.

Ingredientes:
8 polvos pequenos de aprox. 100 g cada
400 ml de tomates pelados
1 dente de alho picados
1 maço de salsa picada
6 colheres de sopa de azeite de oliva
pimenta vermelha a gosto
sal a gosto

Modo de preparar:

Lave bem os polvos, elimine os olhos e a boca, vire a cabeça so contrário e retire as vísceras. Se você quiser poupar tempo e trabalho, peça para limpá-los na peixaria antes de levar pra casa. Elimine os resíduos de areia que se acumulam nas ventosas dos tentáculos, coloque-os num pano de prato e martele os moluscos, para que fiquem mais macios.
Numa frigideira grande, aqueça o azeite de oliva e doure o alho picado e a pimenta calabresa. acrescente os tomates pelados picados e com o seu respectivo suco, espere ferver e adicione os polvos já limpos. tempere com sal, cubra a superfície da frigideira com papel alumínio e coloque a tampa sobre o papel alumínio. Abaixe o fogo e deixe cozinhar por 30 minutos, sem destampar a panela. decorrido esse tempo, abra a panela, adicione a salsinha picada, corrija o sal, se necessário, mexa bem, tampe novamente e deixe cozinhar por mais 15 minutos. Pronto: é trambém um excelente molho para acompanhar um bom prato de espaguetes.



Dica: usamos uma panela de barro daquelas artesanais do Espírito Santo, para fazer moqueca. Ficou uma delícia... e não sobrou nada!!!


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Timballo di maccheroni do Gattopardo para Elaine "Minhoca" de Lemos

Semana passada, nossa querida Minhoca esteve aqui no Rio, e em sua homenagem, resolvemos preparar o clássico da cozinha siciliana: Timballo di Maccheroni.

Timballo di maccheroni (Empadão de macarrões)

Ingredientes:

Para o recheio:
½ frango cozido e desfiado
100 g de cogumelos frescos
100 g de fígados de frango
200 g de presunto cozido cortado em filetes
200 g de linguiça suína
120 g de ervilhas frescas
500 g de macarrão formato maccheroni
queijo parmesão ralado
12 ovos de codorna cozidos
sal e pimenta-do-reino a gosto
uma trufa (quando disponível, cortada em fatias muito finas)

Para a massa:
3 xícaras de farinha de trigo
150 g de manteiga sem sal
1 xícara de água gelada
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de açúcar
1 colher de sopa de canela em pó

Para o creme doce:
3 colheres de açúcar
3 gemas
2 colheres de farinha de trigo
1 pitada de canela
½ litro de leite

Modo de preparar:

Misturar a farinha de trigo, o sal, o açúcar, a canela e a manteiga e amassar até se obter uma farofa. Juntar a água gelada aos poucos ate que a massa fique homogênea. Não trabalhar demais a massa, amassando-a somente com a ponta dos dedos, sem sovar. Se precisar, acrescente um pouco mais de farinha ou de água: o importante é que a massa fique compacta. A seguir, deixa e massa repousar na geladeira por volta de 30 minutos. A seguir prepare almôndegas do tamanho de uma noz com 200g de carne de frango já cozida e moída misturada a um ovo e 2 colheres de queijo parmesão ralado, salsa picada e uma pitada de sal. Frite-as em óleo quente e deixe escorrer sobre papel absorvente.
Numa frigideira com 2 colheres de manteiga coloque o restante do frango que não foi usado para as almôndegas, os filetes de presunto cozido, a linguiça sem pele, os fígados de frango, as ervilhas, os cogumelos, os ovos de codorna cozidos e descascados e deixe cozinhar por alguns minutos até que se forme um caldo e os sabores se misturem totalmente. Misture, também, bastante queijo parmesão ralado.     Prepare o creme doce batendo bem os ovos com o açúcar até que fique num tom amarelo claro, acrescente a farinha, uma colher de chá de essência de baunilha e o leite quente, misturando bem para que não se formem grumos. Levar à fervura em fogo baixo, mexendo continuamente, por cerca de 10 minutos. Tirar o creme do fogo, acrescentar a manteiga e as raspas de limão, de preferência siciliano! Deixar esfriar. Nesse ínterim, cozinhar os maccheroni na metade do tempo indicado e escorrê-los. Num recipiente suficientemente grande, misture os macarrões pré-cozidos e os demais ingredientes. Untar com manteiga uma forma de torta de fundo removível de 30 cm de diâmetro e cobrir o fundo e as bordas da mesma com um disco de massa que terá sido aberto com o rolo sobre uma superfície enfarinhada. A massa deve ter cerca de ½ cm de espessura. É importante que a massa saia para fora das bordas da forma, de modo a facilitar o fechamento do timballo com um outro disco de massa. Colocar então sobre a massa a metade dos macarrões, acrescentar mais queijo parmesão ralado, as trufas cortadas em lâminas e finalmente o restante dos macarrões, dando-lhes uma forma de cúpula ou de tambor, sobre o qual será derramado o creme doce preparado previamente. Cobrir o timballo com o outro disco de massa fechando bem as bordas. Pincelar um ovo batido e levar ao forno por 45-60 minutos, a 180 graus. Deixar repousar cerca de 5 minutos antes de desenformar e servir.




Fotos by Carlos Ramos
O timballo, prato capaz de seduzir os paladares mais exigentes, caracteriza-se por uma crosta de massa que envolve macarrões, arroz, carne e verduras. O seu nome indica, também, o tambor, instrumento de percussão. O termo deriva do francês timbale, por sua vez derivado do espanhol atabal, de origem árabe. De resto, na Sicília, os traços árabes invadiram também a cozinha, e a preparação de carnes recheadas já era comum no tempo dos conquistadores islâmicos.
O invólucro externo dessa forma comestível pode ser doce ou salgado, de massa folhada ou de massa podre, aromatizado com canela, casca de limão ou com outras essências. A massa pode ser substituída, também, com qualquer outra “coisa” comestível, que revestem e lhe dão forma, como berinjelas, abobrinhas ou até mesmo farinha de rosca que, aderindo perfeitamente às paredes da forma, criam uma camada protetora de seu recheio.
A visão de um timballo, como aquela descrita por Lampedusa, evoca a confeitaria, entendida em senso amplo do termo, como a arte de plasmar, induz a mente e o paladar do comensal à experiências gustativas únicas, capazes de estimular todos os sentidos.
Infinitas são as suas receitas, cujo recheio não oferece limites à inventividade de quem o prepara. O timballo da tradição é o de macarrão, nos seus mais variados formatos e consistências, de massa seca ou fresca, preparada a mão. Ele eleva o macarrão, de simples ingrediente popular, elevando-o a prato nobre, inserindo-o na literatura gastronômica francesa e italiana.
A idéia de criar um tambor de massa é típica da Itália do sul, de Nápoles e da Sicília, em particular. É na Sicília, na ilha do sol, que padre Jean-Baptist Labat (1663 – 1738), um dos primeiros viajantes do Grand Tour do século XVIII, descobriu a iguaria. “Nunca havia visto um patê de macarrões. Os macarrões tinham sido cozidos num molho de leite de amêndoas, de canela, de verdadeiras uvas passas de Corinto, de pistaches do Levante, de cascas de limão, os salaminhos mais delicados e guarnecidos com massa de Gênova.”

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Novo Livro - Fama à mesa

Já está disponível nas livrarias! Espero que gostem

Dia da Imaculada Conceição - 8 de dezembro

Torta Santa Maria
Receita de origem desconhecida

Ingredientes
400g de açúcar
400g de manteiga
4 ovos
400g de farinha de trigo com fermento
250ml de leite
1 coco seco ralado

Ingredientes para a calda
1 xícara de açúcar
½ xícara de água
5 gemas sem pele
200ml de leite de coco fresco

Modo de preparo
Bater a manteiga, o açúcar e os ovos. Acrescentar pouco a pouco o leite e a farinha de trigo. Untar a forma com manteiga e farinha de trigo. Colocar uma camada de massa, uma camada de coco ralado, mais uma camada de massa. Levar ao forno pré-aquecido por 25 minutos. Colocar água e açúcar no fogo, deixar engrossar. Desligar o fogo, deixar esfriar. Acrescentar o leite e a gema, batendo suavemente.



As preces de Sant’Ana
A festa da Imaculada Conceição de Maria teve origem na Igreja de Jerusalém, onde era viva a memória da casa natal da mãe de Jesus, nos arredores da Porta Probática, ou das Ovelhas.
No jardim da referida casa, numa tarde, Sant’Ana, ao observar um ninho de pássaros sobre uma árvore de louros, desabafava com os passarinhos a sua amargura por ter chegado à velhice sem procriar. E eis que um anjo do Senhor apresentou-se a ela, dizendo: “Ana, Ana! O Senhor Deus ouviu as suas preces. Conceberás e darás à luz, e de tua prole, toda a terra falará!”. Assim, de São Joaquim e Sant’Ana, foi gerada, de modo imaculado, a Mãe de Deus.
A solenidade começou a ser celebrada em Roma, no século VII, pelo papa ítalo-sírio Sérgio I, oriundo da Sicília bizantina. Em 1854, com a bula Ineffabilis Deus, o papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição de Maria.

De: O Céu na Boca

domingo, 5 de dezembro de 2010

Christmas pudding

O Natal
Inicialmente, a Igreja não comemorava o Natal. A partir de meados do século IV que se começou a festejar o nascimento do Menino Jesus, tendo o papa Júlio I fixado a data em 25 de dezembro, já que se desconhece a verdadeira data do nascimento de Jesus.
Uma das explicações para a escolha de 25 de dezembro como sendo o dia de Natal tem a ver com o fato de esta data coincidir com a Saturnália dos romanos e com as festas germânicas e célticas do Solstício de Inverno, sendo todas estas festividades pagãs. A Igreja viu aqui uma oportunidade de cristianizar a data, colocando em segundo plano sua conotação pagã. Algumas regiões optaram por festejar o acontecimento em 6 de janeiro. Mas gradualmente essa data foi sendo associada à chegada dos Reis Magos, e não ao nascimento de Jesus Cristo.
Apesar de ser uma festa cristã, o Natal, com o passar do tempo, converteu-se numa festa familiar com tradições pagãs, em parte germânicas e em parte romanas. Sob influência franciscana, a partir de 1233, espalhou-se o costume de construir presépios, representações que reconstituem a cena do nascimento de Jesus. A árvore de Natal surge no século XVI, sendo enfeitada com luzes, símbolo de Cristo, a Luz do Mundo. Outra tradição de Natal é a troca de presentes, que são dados pelo Papai Noel ou pelo Menino Jesus, dependendo da tradição de cada país.
No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, à noite, se comemora a data com a Consoada (ceia de Natal). Serve-se bacalhau cozido e a doçaria cerimonial (rabanadas, sonhos, mexidos etc.). Ainda no dia 24, no final da ceia, há a Missa do Galo à meia-noite. No dia 25, faz-se almoço ou jantar com carnes diversas, em algumas regiões é servida a tradicional “roupa-velha”, feita com os restos da ceia do dia anterior.
 Um costume já em desuso é o de, durante a ceia do dia 24, evocar-se os mortos, com o seu lugar à mesa, fazendo-se uma duplicação da ceia para eles numa outra sala.
O termo “consoada” serve não só para designar o banquete familiar da noite de Natal, mas também é utilizado para descrever a entrega de presentes nessa época, até o Dia de Reis, como forma de demonstrar a consideração ou o afeto que se tem por essas pessoas. Há quem considere que a tradição da entrega de presentes no Natal surgiu graças à lembrança da entrega de presentes ao Menino Jesus por parte dos Reis Magos. Os presentes da Natal foram ideia do papa Bonifácio V, no século VII. No Dia de Reis, ele distribuía pão ao povo e, em troca, recebia presentes.


Christmas Pudding
Receita tradicional inglesa

Ingredientes
200g de uvas-passas pretas
100ml de rum escuro
1 colher de chá de canela em pó
½ colher de chá de gengibre em pó
¼ colher de chá de cravo em pó
¼ colher de chá de noz-moscada
6 colheres de sopa de cerveja escura
250g de açúcar mascavo
120g de miolo de pão
100g de farinha de trigo
120g de manteiga derretida
3 ovos
raspas da casca de 1 laranja
raspas da casca de 1 limão
1 maçã ralada
60g de amêndoas
80g de frutas cristalizadas
150g de uvas-passas brancas

Modo de preparo
Reidratar as passas em água quente, escorrer. Em um recipiente grande, misturar farinha de trigo, pão esfarelado, açúcar mascavo, manteiga derretida, gengibre, cravo, canela e noz-moscada. Acrescentar as raspas de laranja e limão. Ralar a maçã sobre a mistura e incorporar. Acrescentar os ovos levemente batidos, a cerveja; misturar bem a massa. Colocar as amêndoas trituradas, as passas e as frutas cristalizadas. Untar uma forma (de perferência um bowl, ou uma forma de bolo inglês) com manteiga e colocar a massa. Cobrir com um disco de papel-manteiga e, depois, com papel alumínio. Em uma panela grande e com tampa, adicionar água até a metade e colocar o bolo para cozinhar em banho-maria por pelo menos 6 horas. Se a água secar, acrescentar mais água até o final do cozimento. Deixar esfriar levemente e desenformar. Regar com o rum e flambar.

O tradicional pudim de Natal
Segundo Matthew Walker, o maior produtor britânico de Christmas puddings, no século XIV, o doce era originalmente uma espécie de mingau. Entre seus ingredientes, estavam a carne de boi, uvas-passas, ameixas, vinho e especiarias, e era consumido como entrada nas comemorações do Natal.
No século XVI, começou a ser chamado de plum pudding, quando bebidas alcoólicas e frutas secas em profusão começaram a ser adicionadas à receita original. Por volta de 1664, o prato foi banido pelos puritanos, sendo reintroduzido às mesas, mais tarde, em 1714 no reinado de George I (1660-1727). Conta-se que o rei, após comer uma fatia do doce, por ele se apaixonou e ordenou, imediatamente, que fosse sempre preparado na cozinha real e fora dela.
Todavia, foi no período vitoriano, século XIX, que houve uma reinvenção do Christmas pudding, tomando a forma que conhecemos hoje. É também daquela época o costume de colocar moedas de prata dentro do doce, garantindo sorte para quem as encontrasse. O felizardo poderia também fazer um pedido, pois, segundo a tradição, seu desejo seria realizado. Outra das tradições é colocar anéis de ouro na massa, garantindo casamento para quem os encontrasse, no ano seguinte.
No primeiro domingo de dezembro, o Sunday Stir-up, é o dia no qual se inicia a preparar os melhores pudins da Inglaterra. Cada membro da família mexe na rica mistura de ingredientes que compõe o pudim e faz um pedido. O pudim é cozido, resfriado e guardado em ambiente seco, à espera de ser cozido no vapor, novamente, no dia de Natal.
No livro A aventura do pudim de Natal, a dona da mansão em que Poirot está hospedado segue o costume religioso de começar o preparo no domingo do Advento, data cristã que conta o domingo a quatro semanas antes do Natal. Todas as pessoas presentes na mansão nesse dia são convidadas a dar uma mexida na mistura enquanto fazem um pedido.
Servido num prato decorado com ramos de azevinho, o pudim é flambado com conhaque, num ritual para espantar os maus espíritos. Seguem-se aplausos e assobios.
 Do livro O CÉU NA BOCA, deste que vos fala!

Struffoli - doce napolitano de Natal




O strufolo é o mais napolitano de todos os doces napolitanos. A tradição indica que foram trazidos para Partenope, a antiga Nápoles, pelos gregos e que, justamente da palavra grega strongoulos, significando arredondado, é que tomou o seu atual nome. Uma outra versão afirma que deriva do verbo strofinare, esfregar, que é o gesto que se faz por quem trabalha a sua massa, fazendo primeiro um cilindro sobre o plano de trabalho antes de cortar as pequenas bolinhas que compõem o doce. Há também quem afirme que assim ele se chama, pois strofina, faz cócegas no palato graças ao seu delicado sabor. Outra corrente afirma, erroneamente, que assim ele se chama, pois se liga ao strutto (a banha), gordura que antigamente era utilizada no seu preparo. Etimologia à parte, o doce atravessou as fronteiras da região e conquistou toda a Itália e os demais países onde podemos encontrar imigrantes napolitanos. São Paulo, inclusive.
No preparo dos strufoli, cada uma de suas bolinhas é um trabalho de engenharia domestica, lapidado ao longo de centenas de anos de experimentação nas cozinhas. São muitas as suas variantes regionais, familiares e pessoais. Cada pessoa que prepara o doce insiste em afirmar que a própria receita é aquela verdadeira, autêntica. Os tradicionais preparados com a receita que passa das avós para as mães, ou através de uma tia freira, são, indiscutivelmente as melhores. A receita das tias freiras, quando se tem uma na família, é uma garantia. Um tempo, esse doce era preparado nos conventos das diversas congregações, e distribuídos como presentes de Natal às famílias nobres que haviam se distinguido por atos de caridade. Nos ambientes monásticos, a receita era mantida em absoluto segredo.

Ingredientes:
600 g de farinha de trigo
4 ovos inteiros e mais uma gema
2 colheres de sopa de açúcar
80 g de manteiga
1 cálice de licor de rum
a casca ralada de meio limão
1 pitada de sal
gordura para fritar (óleo de soja ou banha)

Para a decoração e montagem:
400 g de mel
confeitos coloridos
chocolate granulado colorido
100 g de laranja cristalizada
100 g de cidra cristalizada

Modo de preparar:

Faça um monte de farinha sobre o plano de trabalho e no seu interior, coloque os ovos, a manteiga, o açúcar, a casca de limão ralada, o rum e o sal. Amasse tudo até obter uma amassa homogênea. Faça uma grande bola com a massa e deixe-a repousar por meia hora. Após o repouso, trabalhe novamente a massa e divida-a em bolas menores do tamanho de uma laranja de onde sairão pequenos bastões da espessura de um dedo. Trabalhe esses rolos sobre uma superfície pulverizada de farinha. Dos bastões, corte pequenas bolinhas que serão colocadas sobre um pano de prato seco e enfarinhado.
Numa frigideira, acrescente bastante gordura e deixe aquecer bem. Frite poucas bolinhas por vez até que fiquem bem douradas, mas não escuras. Escorra as bolinhas em papel absorvente.
A seguir, derreta o mel em banho-maria em uma panela grande e assim que se liquefizer, retire a panela do fogo, adicione as bolinhas de massa fritas e misture tudo ate que as bolinhas fiquem impregnadas de mel. Colocar a metade das frutas cristalizadas cortadas em pedaços pequenos e dos confeitos coloridos e misture tudo novamente. Tome um prato grande de serviço, coloque no centro dele um recipiente de vidro que serve para facilitar a formação de um buraco central e disponha o composto de strufoli ao redor do vidro, como se fosse uma rosca. Enquanto o mel ainda estiver quente, decore a “rosca” com o restante da fruta cristalizada e dos confeitos criando um efeito estético agradável. Assim que o mel terá se solidificado, tire o recipiente de vidro do centro do prato e sirva.

Bacalhau a Lagareiro


Sábado, hora do almoço. Um dos melhores programas do Rio de Janeiro é ir até o Campo de São Cristovão e entregar-se aos prazeres da cozinha portuguesa. O local é o Adegão Português, fundado há 42 anos e com muita gente ilustre na galeria de seus clientes.
O bolinho de bacalhau é indescritível: difícil é resistir e não comer muitos deles.]
Pedimos o Bacalhau a Lagareiro, também maravilhoso. Eu recomendo. Mas pra quem não puder ir até lá, e ficou com vontade, segue a receita, não do restaurante, mas outra, que pesquisei na net.

Bacalhau à LagareiroPara 4 pessoas
INGREDIENTES:
2,400 kg - 4 Lombos de Bacalhau Dessalgado
( ou 2 kg de Lombos de Bacalhau Salgado e Seco )

1 xícara de leite
4 dentes de alho, cortados em rodelas finas
sal e pimenta do reino a gosto
suco de 1 limão
2 ovos batidos
farinha de rosca (pão ralado) para envolver
2 colheres de sopa (30g) de manteiga de leite
1 ³/4 xícara de azeite extra-virgem




MODO DE PREPARAR:( Se o bacalhau é salgado e seco, deve antes ser dessalgado conforme as instruções. )Colocar os lombos de bacalhau em um refratário com água a ferver por 5 minutos. Retirar as peles e os espinhas e cortar cada lombo em 2 postas. Em uma travessa, colocar o bacalhau, regar com leite, temperar com alho em rodelas, sal ,pimenta do reino e o suco de limão e deixe de molho por 2 horas.
Pré-aquecer o forno em temperatura média (180°C). Escorrer as postas de bacalhau, reservando o leite.  Passar nos ovos batidos e, em seguida na farinha de rosca, procurando envolvê-los por completo. Distribuir as postas de bacalhau em uma travessa (que possa ser levada ao forno), colocando sobre cada um deles um pedacinho de manteiga.
Regar com um pouco de azeite, mas sem cobrir as postas de bacalhau, e com 2 colheres(sopa) do leite reservado.
Levar ao fogo e assar, regando de vez em quando com o molho que se forma no fundo da travessa, até o bacalhau ficar bem dourado. Retire do forno e sirva com Batatas a Murro e salada.

sábado, 27 de novembro de 2010

Food design

CTRLZAK Art & Design Studio apresenta TAVOLA PERIODICA; um brunch que acontecerá neste domingo, 28 de novembro, no Appartamento Lago Milano na via Brera 30, em Milano. Tavola Periodica é uma forma di microgranting para financiar projetos culturais através de uma plataforma comum, baseada na comida e na comensalidade.
O brunch é aberto ao público, com uma adesão livre, a partir de 20 euros, e os participantes podem votar o projeto cultural apresentado pelos artistas e, após a votação, indicar a melhor proposta, que receberá a soma correspondente arrecadada no brunch.

Mais Chivas fashion

Agora foi a vez do estilista Christian Lacroix assinar a edição especial do Chivas Regal. A versão 18 anos compôe-se de uma caixa metálica que mais parece um antigo porta-joias, revestido de brocado e fundo espelhado. Já está à venda nos free-shops por US$ 495,00.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Comida francesa é patrimônio da UNESCO

Reunido em Nairóbi, Quênia, o Comitê Intergovernamental da UNESCO reconheceu no dia 16 de novembro último, que o jeito de comer dos franceses é, sim, um elemento de civilização, e portanto, foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade. a indicação levou em consideração não somente a própria cozinha, mas também o ritual em torno das refeições, o serviço impecável de talheres e louças, a harmonização entre alimentos e bebidas e, até mesmo, a arte de distribuir os comensais à mesa. A premiação é um verdadeiro reconhecimento à art de la table.

Jean-Robert Pitte, presidente da Universidade de Paris IV - Sorbonne - e da Missão Francesa do Patrimônio e Culturas Alimentares (MFPCA), fez esta definição: "A refeição gastronômica é parte da identidade profunda do povo francês. Ela existe em muitos outros países. Mas nós temos uma forma específica de gastronomia, com esse casamento de comida e vinho, a sucessão de pratos, esta maneira de pôr a mesa, de falar sobre a gastronomia, que são especificamente francesas".

(cena do filme Vatel, o cozinheiro do rei)

Whisky fashion

E mais uma da parceria do mundo da moda e dos alimentos e bebidas! A legendária estilista britânica Vivienne Westwood acaba de assinar uma edição especial do Chivas Regal 18 Years. Estará disponível nas lojas, na Europa, em breve, por 200 euros.

Macarons fashion

O estilista britânico John Galliano assinou em parceria coma Patisserie Ladurée, de Paris, uma exclusiva coleção de macarons, para adoçar o lançamento da nova versão de seu perfume Parlez-moi d´Amour. Nos sabores gengibre e rosa, as caixas são de seis, doze ou dezoito unidades, e estão à venda exclusivamente nas lojas Ladurée da França, Itália, Reino Unido, Suiça, Mônaco, Irlanda e Japão.

Comidas de Natal

Estava pensando aqui em fazer um novo posto, e me veio a idéia de gazer algo diferente. Que tal publicarmos aqui as receitas (com foto de preferência) das comidas de Natal que cada um costuma comer? Descendentes de italianos, de portugueses, de espanhóis, de poloneses, de ucranianos, de árabes, e de todos aqueles povos que colonizaram nosso país tem tradições culinárias diferentes no Natal. Vamos difundi-las? E porque não falar também em paranaenses, cariocas, mieiros, gaúchos, baianos, e cearenses?
Espero as contribuições!
Esta foto foi do Natal de 2008, aqui em casa. Preparamos Lombo de porco assado com alecrim e batatas coradas, bacalhau com batatas, azeitona e azeite de oliva, a tradicional farofa e uma quiche de alho-poró.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Zumbi e Dia da Consciência Negra - 20 de Novembro

                                                                Monumento a Zumbi - Av. Presidente Vargas, Rio de Janeiro

LEI Nº 4007, DE 11 DE NOVEMBRO DE 2002.


INSTITUI O DIA 20 DE NOVEMBRO, DATA DE ANIVERSÁRIO DA MORTE DE ZUMBI DOS PALMARES E DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, COMO FERIADO ESTADUAL

A GOVERNADORA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,

Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º - Fica instituído o dia 20 de novembro, data do aniversário da morte de Zumbi dos Palmares e dia Nacional da consciência Negra, como feriado Estadual.
Art. 2º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 11 de novembro de 2002.

BENEDITA DA SILVA
Governadora



O feriado lembra a morte de Zumbi dos Palmares - no ano de 1695. Zumbi foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão no Brasil. Segundo cronologia publicada no site da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Palmares surgiu a partir da reunião de negros fugidos da escravidão nos engenhos de açúcar da Zona da Mata nordestina, em torno do ano de 1600. Eles se estabeleceram na Serra da Barriga, onde hoje é o município de União dos Palmares, em Alagoas. Ali, devido às condições de difícil acesso, puderam organizar-se em uma comunidade que, estima-se, chegou a reunir mais de 30 mil pessoas.

Ao longo do século XVII, Palmares resistiu a investidas militares dos portugueses e de holandeses, que dominaram parte do Nordeste de 1630 a 1654. Segundo o historiador Pedro Paulo Funari, no artigo A República de Palmares e a Arqueologia da Serra da Barriga, em 1644, um ataque holandês matou 100 pessoas e aprisionou 31, de um total de 6 mil que viviam no quilombo.

Funari também afirma que o quilombo era chamado pelos portugueses de República dos Palmares, nos documentos da época, e termos como mocambo foram posteriormente utilizados no sentido pejorativo.

O quilombo era composto por várias aldeias, de nomes africanos, como Aqualtene, Dombrabanga, Zumbi e Andalaquituche; indígenas, como Subupira ou Tabocas; e portugueses, como Amaro; e sua capital era chamada de Macacos, termo de origem incerta. Zumbi nasceu livre, em Palmares, provavelmente em 1655, e, segundo historiadores, seria descendente do povo imbamgala ou jaga, de Angola.

Ainda na infância, durante uma das tentativas de destruição do quilombo, ele foi raptado por soldados portugueses e teria sido dado ao padre Antonio Melo, de Porto Calvo (hoje, em Alagoas), que o batizou de Francisco e ensinou-lhe português e latim. Aos dez anos tornou-o seu coroinha. Com 15 anos, Francisco foge, retorna a Palmares e adota o nome de Zumbi. Aos 20 anos, Zumbi destacou-se na luta contra os militares comandados pelo português Manuel Lopes. Nesses combates, chegou a ser ferido com um tiro na perna.

Em 1678, o governador de Pernambuco, Pedro de Almeida, propõe a Palmares anistia e liberdade a todos os quilombolas. Segundo o historiador Edison Carneiro, autor do livro O Quilombo dos Palmares, ao longo dos quase 100 anos de resistência dos palmarinos, foram inúmeras as ofertas como essa.

Ganga Zumba - possivelmente um título, pois Ganga significa sacerdote e Zumba “possui conotações militares e religiosas”, segundo Funari - então líder de Palmares, concorda com a trégua, enquanto Zumbi é contra, por argumentar que o acordo favoreceria a continuidade do regime de escravidão praticado nos engenhos.

Zumbi vence a disputa, é aclamado pelos que discordavam do acordo e, aos 25 anos, torna-se líder do quilombo. Ao longo da vida, Zumbi teria tido pelo menos cinco filhos. Uma das versões diz que ele teria se casado com uma branca, chamada Maria. Ao longo de seu reinado, Zumbi passou a comandar a resistência aos constantes ataques portugueses.

Em 1692, o bandeirante paulista Domingo Jorge Velho, uma espécie de mercenário da época, comandou um ataque a Palmares e teve suas tropas arrasadas. O quilombo foi sitiado e só capitulou em 6 de fevereiro de 1694, quando os portugueses invadem o principal núcleo de resistência, a Aldeia do Macaco. Ferido, Zumbi foge. Resistiu na mata por mais de um ano, atacando aldeias portuguesas, e em 20 de novembro do ano seguinte, depois de ser traído pelo antigo companheiro, Antonio Soares, Zumbi é localizado pelas tropas portuguesas.

Preso, Zumbi é morto, esquartejado, e sua cabeça é levada a Olinda para ser exposta publicamente. Um dos objetivos de terem feito isso com a cabeça dele, era o de acabar com os boatos que corriam entre os negros escravizados de que o líder quilombola era imortal. (Agência Estado)


SARAPATEL
Ingredientes

• 1 fissura de carneiro (conjunto de traquéia, pulmões e fígado), rim, tripas e coração

• Sangue de porco já cozido e coagulado

• 10 limões

• 2 cebolas grandes picadas

• 6 dentes de alho picados

• 4 colheres de sopa de hortelã picada

• 4 colheres de sopa de salsinha picada

• 1/4 de xícara (de chá) de vinagre

• 4 pimentas-de-cheiro

• 4 colheres de sopa de banha

• Sal a gosto

• pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparar:

Lavar bem os miúdos em água corrente. Em seguida, colocá-los numa panela. Cobrir com água. Juntar à panela o sumo de 6 limões. Depois de levantar fervura, trocar a água. Juntar a ela o sumo de outros 4 limões. Ferver novamente. Descartar a água, picar os miúdos e colocar em uma bacia. Juntar as cebolas, o alho, a salsinha, a hortelã, o vinagre e a pimenta-de-cheiro. Deixar os ingredientes marinando na geladeira de um dia para o outro. No dia seguinte, derreter a banha e refogar os temperos do marinado. Juntar os miúdos. Refogar. Cobrir com água e cozinhar por duas a três horas ou até os miúdos ficarem bem macios. Juntar o sangue e deixar engrossar. Corrijir, se necessário, o sal e pimenta-do-reino. Polvilhar um pouco de salsinha picada e servir com arroz branco

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Jantares em comemoração aos 200 anos da chegada da Corte Portuguesa

7 de Março de 2008: O Presidente da República Portuguesa Aníbal Cavaco Silva e a D. Maria Cavaco Silva participaram num jantar oferecido pelo Presidente Brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e Sua Mulher, D. Marisa Letícia, no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, noo Palácio das Laranjeiras, residência oficial do Governador do Estado do Rio de Janeiro.
8 de Março de 2008: O Presidente da República de Portugal e Sua Mulher ofereceram um almoço no Palácio de São Clemente (residência do Cônsul-Geral de Portugal no Rio de Janeiro), em honra do Presidente da e da Senhora Lula da Silva.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mais banquetes - Inglaterra

Pela primeira vez e apenas no período compreendido entre 31 de Julho e 29 de Setembro de 2008, foi possível, a quem visitou o Palácio de Buckingham, ver também a Sala “Ballroom”, devidamente preparada e ornamentada para um Banquete de Estado. Aos visitantes foi, igualmente, mostrado um filme com imagens dos empregados preparando a mesa para um Banquete.
Os Banquetes de Estado, em Buckingham, são organizados quando a Rainha recebe um Chefe de Estado estrangeiro e o agracia com um Banquete. Os Banquetes de Estado são oferecidos a cerca de cento e setenta convidados da Rainha e acontecem, normalmente, na primeira noite da Visita de Estado. Durante o já longo reinado da Rainha Isabel II foram organizados, em Buckingham, setenta e sete Banquetes de Estado, no Castelo de Windsor dezessete e apenas um no Palácio de Holyroodhouse.
Os Banquetes de Estado sempre integraram as cerimônias reais e são uma forma de assinalar ocasiões significativas, embora nos últimos dois séculos se verifiquem muitas diferenças na organização dos mesmos. O formato atual dos Banquetes de Estado, no Palácio de Buckingham, segue o modelo usado pela Rainha Victória, que introduziu a cerimônia da “Procissão Real” antes do início do Banquete propriamente dito. Os convidados são recebidos pela Rainha e pelo Chefe de Estado visitante, na sala de música do Palácio. Daí seguem para o “Ballroom” onde decorre e é servido o Banquete. A “Procissão Real” é conduzida pela Rainha e pelo Chefe de Estado seguido pelo Lord Chamberlain e pelo Lord Stewward. Antes do jantar ser servido, a Rainha faz um brinde ao convidado de honra que agradece e retribui desejando saúde à Rainha. Normalmente, este momento é antecedido pelos habituais discursos.

Durante o Banquete a orquestra militar interpreta o programa musical pré-definido para a ocasião. No final do Banquete tocam-se gaitas de foles. Após este momento, a Rainha e o Chefe de Estado convidado, bem como os demais convidados, dirigem-se para a Sala de Jantar de Estado e para a Sala Azul onde é servido o café.

Os Banquetes da República no Palácio do Catete - RJ

Este depoimento foi registrado no Museu da República, no dia 11 de julho de 2000. Nele, Alice fala sobre o trabalho de seu pai, o italiano Vitório Falcone, como banqueteiro oficial do Palácio do Catete durante a presidência de Epitácio Passoa.





Vitório Falcone, o italiano que fez a América
Vitório Falcone, italiano de Turim, veio para o Brasil com pouco menos de 20 anos, acompanhado de seus pais e irmãos, nos últimos anos do Império, com o objetivo de “fazer a América”. A família Falcone já lidava na Itália com o preparo de pães e doces e, assim, resolveu experimentar aqui o seu talento nesse ramo de negócio. Um dos irmãos de Vitório fundou no Rio de Janeiro uma fábrica de chocolate, a primeira do país, e ele resolveu abrir uma confeitaria, que logo depois transferiu para Petrópolis, buscando um clima mais ameno para morar.
A qualidade de seus produtos e a simpatia do dono logo fizeram com que a confeitaria FALCONE ficasse famosa entre a elite carioca que veraneava na cidade. Sua fama era tanta que chegou rapidamente ao Palácio Rio Negro, residência de verão da presidência da República. Inicialmente Nilo Peçanha e posteriormente Epitácio Pessoa, ambos os presidentes contratavam seus serviços para as festas realizadas em Petrópolis.
O presidente Epitácio Pessoa encantou-se de tal forma com os serviços prestados por Falcone, que ele passou a ser o banqueteiro oficial da presidência da República, também no Rio de Janeiro, no Palácio do Catete. Nesse tempo Vitório Falcone já tinha expandido seus negócios e montado uma equipe competente, escolhendo a dedo os seus funcionários, a quem dava treinamento constante e que com o tempo tornava seus sócios no empreendimento. Outra medida importante que tomou se refere à compra de cristais e prataria para melhor servir clientela tão requintada.
Os banquetes realizados no Palácio do Catete exigiam uma verdadeira “operação de guerra”, pois Falcone e sua equipe traziam absolutamente tudo de Petrópolis, dos mantimentos aos cristais, passando por garçons, cozinheiros e ajudantes. O grupo saía bem cedinho de Petrópolis, no primeiro horário do trem, sendo que tinham passado a noite anterior embalando tudo, além de trazerem as comidas semi-prontas, tudo no maior cuidado. A viagem durava duas horas.

A mesa costuma estar posta, e exibe, como podemos ver nas fotos de Alex Sven, os cristais Saint Louis e o aparelho de procelana de Limoges com o brasão da República, o belo faqueiros de prata e os adornos franceses. o mobiliário da sala foi comprado pelo Barão de Nova Friburgo, construtor e primeiro proprietário da casa.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

56a. Feira do Livro de Porto Alegre - estarei lá

A Feira do Livro de Porto Alegre é uma das mais antigas do País. Sua primeira edição ocorreu em 1955 e seu idealizador foi o jornalista Say Marques, diretor-secretário do Diário de Notícias. Inspirado por uma feira que visitara na Cinelândia no Rio de Janeiro, Marques convenceu livreiros e editores da cidade a participarem do evento.


O objetivo era popularizar o livro, movimentando o mercado e oferecendo descontos atrativos. Na época, as livrarias eram consideradas elitistas. Por esse motivo, o lema dos fundadores da primeira Feira do Livro foi: Se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo.

A Praça da Alfândega era um local muito movimentado na Porto Alegre dos anos 50 e de 400 mil habitantes. E, no dia 16 de novembro de 1955, era inaugurada a 1ª Feira do Livro, com 14 barracas de madeira instaladas em torno do monumento ao General Osório.

Na segunda edição do evento, iniciaram as sessões de autógrafos. Na terceira, passaram a ser vendidas coleções pelo sistema de crediário. Nos anos 70, a Feira assumiu o status de evento popular, com o início da programação cultural. A partir de 1980, foi admitida a venda de livros usados.

Foi nos anos 90 que a Feira ampliou-se, obrigando aos seus visitantes algumas voltas a mais, com um número maior de barracas e usos de novos espaços, incorporando a suas atividades encontros com autores, além dos tradicionais autógrafos. Em 94, algumas alamedas ganham coberturas, pois é histórica a relação da Feira com a chuva. No ano seguinte, 95, passa por uma processo de profissionalização, buscando o apoio decisivo das Leis de incentivo à Cultura e, também, criando um espaço para os novos leitores, crianças, jovens e adultos em fase de alfabetização. A Feira acompanha a transformação e internacionalização da cidade de Porto Alegre, que passa a receber grandes festivais e exposições (como o Porto Alegre em Cena e a Bienal do Mercosul).

No inicio dos anos 2000, a partir de conquistas na área do patrimônio e criação de novos centros culturais no entorno da Praça da Alfêndega (como o Santander Cultural, o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, além dos já existentes Margs e Memorial do RS), a programação cultural da Feira do Livro cresce em número de autores participantes e público visitante.


Dia 12/11/2010 – 18.30h

Título do evento: Delícias do céu e da terra - a cozinha dos monastérios e de personalidades mundo afora

Local: Sala O Retrato - CCCEV - Área Geral

Participantes: Fabiano Dalla Bona, Mediação de José Antônio Pinheiro Machado

A comida dos céus. Livro de gastronomia se debruça sobre as cozinhas dos monastérios, conventos e abadias

sábado, 30 de outubro de 2010

O Último Baile do Império - 9 de novembro de 1889

Cai o Rei mas não cai a Monarquia”

Essas teriam sido as palavras do Imperador D. Pedro II após tropeçar no desembarque do barco que o levava para a Ilha Fiscal, na noite de 9 para 10 de novembro de 1889, por ocasião do último grande baile do Império.
No livro Esaú e Jacó, o grande Machado de Assis recorda que ao anoitecer os cariocas se dirigiram ao Cais Pharoux, atual Praça XV, para ver “as cesta de lustres no meio da escuridão tranqüila do mar”. Foram distribuídos cerca de 3 mil convites. O baile era uma homenagem do governo imperial à República do Chile. Estava ancorado no porto o encouraçado chileno “Cockrane”, e a grande demonstração visava seu comandante e oficialidade.

Eis a descrição da ilha Fiscal naquela noite festiva. Era de êxtase a impressão que produzia a vista daquele grande foco de luz. Destacava-se na baía a ilha fantástica, iluminada por milhares de luzes e fogos cambiantes, refletindo em vidros de variadíssimas cores, batida constantemente pelos jatos da luz elétrica projetada dos encouraçados “Cockrane”, “Riachuelo” e “Aquidaban”. Da torre do edifício fiscal um poderoso holofote projetava sobre o mar e em terra uma luz da intensidade de 60.000 velas. “Impossível descrever o mágico encanto que ofereciam a ilha, os encouraçados, as lanchas e botes sem conta com fachos iluminativos que coalhavam o mar e cruzavam em todas as direções”. A barca “Ferry”, que conduzia os convidados, estava garbosamente enfeitada e iluminada “a giorno”, o cais Pharoux repleto de povo. Tocava aí a banda de música do Corpo Policial do Rio de Janeiro em grande uniforme. Às 8 1/2 partia a “Primeira”, fazendo depois cinco viagens, e chegando à ilha Fiscal, na última, às 11 1/2. Havia conduzido cerca de quatro mil pessoas, número aumentado pelas que tinham ido em outras embarcações.
SS. MM. Imperiais dirigiram-se para a ilha na barca que partiu às 9 1/2, e SS. AA. a Sra. Condessa e o Sr. Conde d’Eu na seguinte, que deixou o cais pouco depois das 10 horas.
A ilha estava deslumbrante. “Em volta, número avultado de bandeiras chilenas e brasileiras em mastros e hastes, e nas janelas, portas do edifício, terraços, pátio, e dependência, número extraordinário de lanternas venezianas de variadíssimas cores e feitios. Em frente ao cais de desembarque destacava-se um lindo bosque”. Nunca se havia visto festa igual! Dançava-se em seis salas. As duas maiores eram forradas de tapetes encarnados, e estavam ornadas com bandeiras chilenas e brasileiras. As quatro menores estavam mais simplesmente ornadas, mas também com muito gosto. “Nelas havia festões, coroas, âncoras de flores e ornatos”. Todas as portas e janelas tinham preciosíssimas cortinas. A sala reservada à Família Imperial, “e em cujas portas havia amplas cortinas, estava ricamente mobiliada, luxuosamente ornada e profusamente iluminada”. “Havia no interior do edifício bem servido “bufet”. Todo o serviço de iluminação “a giorno” e elétrica foi muito bem feito pela casa Leon Rodde. Era superior a 10.000 o número de lampiões venezianos e copos de cores”. “Era avultadíssimo o número de senhoras, ostentando umas riquíssimas e luxuosas toiletes”. (Indicação de ordem geral que deveria inspirar as particularidades das crônicas futuras). O imperador — não o relata o jornal, mas convidados do festim — passeou durante muito tempo no salão, de um lado para outro, apresentando-lhe nessa ocasião o visconde de Ouro Preto os novos deputados, recentemente reconhecidos. Figurava entre estes, contando 27 anos de idade, o representante do Espírito Santo, Sr. Moniz Freire, que iniciava sua carreira política. Suas Majestades e Altezas retiraram-se pouco depois de meia-noite, “tendo penhorado os nossos hóspedes pela afabilidade e delicadeza com que os trataram”. S. A. o príncipe D. Pedro, que tinha ido com Suas Majestades — jovem e belo, como o mostravam as fotografias — demorou-se ainda algum tempo. “O cardápio era variadíssimo (o decano já não usava a palavra “menu”, preferindo o neologismo de Castro Lopes) e havia em profusão as mais delicadas iguarias”.
Ao servir-se o champagne, o visconde de Ouro Preto, presidente do Conselho, recordou os serviços prestados ao Brasil pelo almirante Cockrane, dirigindo-se depois “em termos os mais afetuosos” ao ministro e oficiais da nação amiga, “levantando um viva à República do Chile”. O comandante Bannem respondeu à saudação, “mostrando-se grato e reconhecido pelas gentilezas dispensadas”. Eram 6 horas da manhã quando se retiraram os últimos convidados da memorável festa, “impossível de descrever com minúcias pela sua invejável grandiosidade”. Foi seu organizador o barão de Sampaio Viana “que depois a entregou ao Sr. Comendador Hasselmann”.
(A República Que a Revolução Destruiu de Sertório de Castro)

No lugar, 150 copeiros trabalhavam sem parar. Quarenta e oito cozinheiros se dedicaram durante três dias seguidos para preparar o banquete. Segundo os jornais da época, enormes toldos abrigavam várias mesas de buffet e, no lado oeste, havia enormes mesas para a ceia enfeitadas com coroas de flores artificiais. O serviço foi feito pela empresa Casa Pascoal. Toda a porcelana usada foi produzida especialmente para a ocasião. Existia um buffet separado para as senhoras e outro exclusivo para a família imperial.
O coquetel tinha sanduíches com foie gras e sorvete de frutas, a grande novidade da época. O anfitrião da festa foi o presidente do Conselho de Ministros, Visconde de Ouro Preto, que propôs um brinde depois que o champanhe foi servido. “Viva o Chile” foram as últimas palavras do discurso. Depois, o jantar foi servido. Entre os pratos, badejo e bijupirá com purê, perdiz com licor e língua de boi. Jacutingas (ave da Mata Atlântica muito usada na culinária da época), pombo selvagem e peru recheado com castanhas e presunto também foram oferecidos. Os doces do último banquete também foram feitos para agradar ao monarca. Eram europeus com toques brasileiros. Foram servidas frutas e castanhas açucaradas, bombons, manjares, creme de chocolate e frutas cobertas com fondant.

A República foi proclamada seis dias depois do baile, e o imperador embarcou para o exílio no mesmo Cais Pharoux de onde partiam os ferry-boats para levar os convidados para o baile.