sexta-feira, 25 de março de 2011

Plum Cake de passas ao rum

Ontem resolvi fazer um bolo, um daqueles bolinhos com cara de casa de vó, para se tomar com café, numa tarde de outono. Não que aqui no Rio, exatamente, a temperatura seja outonal! Enfim...
Artefatos e manuscritos culinários são objetos de possessão familiar. Autenticá-los com o nome de um parente significa, num primeiro momento, inserí-los entre as memórias e as tradições domésticas.
Também na Literatura, a vovó possuía uma histórica gastronômica e fantástica. As avós das fábulas comiam biscoitos e tortas, em geral feitas por suas filhas e levadas até elas por suas netas. Fica aqui a homenagem à minha vovó, que adorava bolos desse tipo.


 
Ingredientes
250 ml de iogurte natural
150 ml de óleo de canola
1 ovo inteiro
1 colher de sobremesa de gengibre ralado
1/2 xícara de chá de uvas passas
1/2 xícara de chá de rum branco

250 ml de farinha de trigo
125 g de açúcar
1/4 de xícara de chá de amêndoas laminadas
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de noz moscada em pó
1 colher de chá de bicarbonato
1 pitada de sal

Modo de preparar:

Antes de mais nada, coloque as passas de molho no rum e deixe-as imersas por 30 minutos. acenda o forno e deixe-o atingir a temperatura de 180 graus. Unte uma forma de bolo inglês com óleo de canola e farinha e reserve.
Numa tigela, misture todos os ingredientes secos, e em outra, os molhados, inclusive as passas já escorridas. junte as duas misturas, e incorpore-as bem com um fouet. Derrame a massa na forma previamente untada e leve ao forno por 50 minutos, ou até que o "teste do palitinho" dê resultado. Retire do forno, deixe esfriar ao menos 10 minutos antes de desenformar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Coelho à caçadora

Eis a primeira receita para o Outono. O coelho à caçadora é um prato presente nas cozinhas tradicionais da Itália (Coniglio alla cacciatora), França (Lapin a la ancienne), Portugal e Espanha (Conejo a cazadora). Muitas são as suas variações, inclusive dentro desses mesmos países. A escolha aqui foi feita entre muitas, muitas receitas encontradas em livros, revistas e na net.

Segundo muitos nutricionistas, a carne de coelho é uma das mais recomendadas ao consumo humano. Apresenta baixíssimo teor de colesterol, elevado teor de proteínas, sais minerais e vitaminas, é leve e de fácil digestão, inclusive por convalescentes e pessoas com "estômagos fracos", como dizia o gastrônomo italiano Pellegrino Artusi (Veja post sobre os 150 anos da Unificação Italiana).
França e Espanha são os maiores produtores e consumidores de carne de coelho do mundo, e aqui no Brasil, ainda há uma resistência ao seu consumo, tanto que não é muito fácil encontrá-lo à venda. Tive que rodar bastante aqui no Rio para encontrar um "coelinho". Encomendei com uma semana de antecedência numa barraca da Feira da Praça General Osório, aqui em Ipanema. O nome é sugestivo: Barraca Sangue Bom, do Reginaldo (21 9689-2129). Supere a falta de coragem - confesso que também já tive um dia- e confira a delicadeza de seu sabor.


Ingredientes:

1 coelho de 1,5 kg, aproximadamente, cortado em pedaços (peça ao seu açougueiro para fazer isso)
4 dentes de alho socados
1 colher de sobremesa de sal
1 colher de chá de pimenta-do-reino moída
1/2 cebola picada e mais 1 cebola picada
4 colheres de sopa de alecrim fresco
3 colheres de sopa de sálvia rasgada grosseiramente
4 folhas de louro
500 ml de vinho tinto de boa qualidade
4 colheres de sopa de azeite de oliva

Modo de preparar:

Com 24 horas de antecedência, prepare uma marinada. Em um recipiente com tampa, após ter lavado e retirado o excesso de gordura da carne, se for o caso, coloque os pedaços do coelho. Em um pilão, soque os dentes de alho com  um pouco de sal e pimenta-do-reino, até obter uma pasta. Esfregue essa pasta nos pedaços do coelho, coloque as folhas de louro, a sálvia rasgada e o alecrim sem os talos mais duros. Adicione o restante do sal e o vinho tinto, e deixe marinando, na geladeira, até o dia seguinte.
No dia do preparo, retire a marinada da geladeira e coloque os pedaços do coelho em um escorredor para retirar o excesso de líquido. Aqueça bem uma panela de barro grande, como aquelas para moqueca, coloque 2 colheres de sopa de azeite e sele a metade dos pedaços do coelho. Repita a operação com os pedaços restantes e reserve. Na mesma panela, refogue a cebola inteira picada, e assim que estiver bem dourada, adicione o coelho já selado. Doure por mais alguns minutos, mexa bem e coloque a marinada. Abaixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar, lentamente, por aproximadamente 45 minutos a uma hora, ou até que a carne fique bem macia e comece a soltar dos ossos. Retire a carne, filtre a marinada para eliminar os temperos e reduza essa marinada à metade, aumentando um pouco o fogo. Após a redução, recoloque o coelho, deixe por mais alguns minutos e sirva. Como acompanhamento, uma polenta cremosa ou tagliatelle temperadas com o molho do coelho.

O Outono chegou

Este ano ele começou no último domingo, 20 de março, às 20.19 horas. Naquela hora, deu-se o fenômeno chamado Equinócio de Outono, ou seja, o sol ao descrever a sua órbita ao redor da Terra, atinge o seu zênite num ponto do Equador, de modo que a área por ele iluminada  torna-se igual nos hemisférios Norte e Sul. É um tempo onde as temperaturas começam a cair, as folhas começam a mudar de cor e as feiras e mercados começam a receber delícias provindas do cultivo da terra, principalmente frutas. É tempo de grandes colheitas.

Outono - Giuseppe Arcimboldo (1573), Museu do Louvre

Outono, também, é tempo de comer bem, e em breve, postarei receitas para essa estação. Alguma sugestão?  Poste aqui.

E por enquanto, que tal esse fundo musical?

domingo, 20 de março de 2011

Zeppole di San Giuseppe

Essa receita é típica da cidade de Nápoles onde, junto com o padroeiro San Gennaro, é um dos santos mais venerados na cidade. Toda a pessoa de nome Giuseppe (José) e todos os papais - afinal dia 19 de março é o dia dos pais na Itália - , recebe esses doces como presente. Eles também estão presentes em todas as vitrines de confeitarias da cidade. (Foto do busto de prata do Santo na Basilica de San Gennaro - Nápoles)

Segundo a tradição, o doce tem origens muito antigas, no Império Romano, no início da era cristã. Quando José, Maria e o pequeno Jesus foram obrigados a fugir para o Egito, por causa da perseguição de Herodes, conta-se que São José, para prover o sustento da família, vendia rosquinhas fritas naquela terra que os acolheu. Dali em diante, a tradição se perpetuou, e essas deliciosas roscas passram a ser o doce típico da festa em comemoração ao Santo Carpinteiro.

Ingredientes (para 10 zeppole):
4 ovos inteiros
175 g de farinha de trigo
200 ml de água
100 g de manteiga
1 pitada de sal
óleo para fritura
açúcar de confeiteiro para polvilhar
para o creme:
200 ml de leite (primeiro leite)
1 colher de sopa de amido de milho
1 colher  de sopa de farinha de trigo,
1 ovo
5 gemas passadas pela peneira
300 ml de leite (segundo leite)
110 g de açúcar,
½  fava de baunilha aberta ao meio (ou gotas de baunilha),
60 g de manteiga

Preparo do creme:
Dissolva o leite, o amido de milho e a farinha de trigo. Acrescente o ovo e as gemas. Reserve. Misture os 300 ml de leite (segundo leite) com o açúcar e a fava de baunilha. Leve para ferver. Adicione a mistura do primeiro leite ao segundo (que tem amido, ovo e gema). Mexa sem parar até engrossar e começar a borbulhar. Retire do fogo e acrescente a manteiga. Leve a batedeira em velocidade baixa somente para esfriar. Passe o creme por uma peneira fina e coloque numa tigela.

Preparo das zeppole:
Coloque a água com uma pitada de sal em uma panela e leve ao fogo, quando começar ferver coloque toda a farinha e mexa tudo com uma colher de madeira, até a massa desgrudar do fundo da panela (cuidado para não encaroçar). Tire do fogo, deixe repousar e quando esfriar coloque os ovos e a manteiga e misture tudo energicamente, criando uma massa bem amalgamada. Com o saco de confeitar, coloque dentro uma boa quantidade da massa e faça círculos em forma de “rosquinhas”. Se preferir as “zeppole” menos calóricas, forre uma assadeira com papel manteiga e asse as “zeppole” em forno a 180°C por 20 minutos. Todavia, para as verdadeiras “zeppole”, frite-as em bastaste óleo quente, e retire-as ainda bem clarinhas. Depois de frias, polvilhe com açúcar de confeiteiro, corte-as ao meio, e novamente use o saco de confeitar com o creme para recheá-las com o creme.  Enfeite o centro com um pouco da geleia de sua preferência

Bolinhos de arroz para comemorar São José

Bolinhos de arroz de São José
Receita tradicional da cidade de Florença (Itália)



Ingredientes
350 g de arroz
1l de leite
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de sobremesa de açúcar de baunilha
a casca de uma laranja ralada
50 g de farinha de trigo
2 ovos
1 pitada de sal
açúcar de confeiteiro
óleo de soja ou de milho suficiente para fritar

Modo de preparar:
Cozinhar o arroz no leite, adicionando uma pitada de sal. Deixar esfriar e colocar a farinha de trigo, o açúcar de baunilha, a casca da laranja ralada, o fermento, as gemas e, por último, as claras batidas em neve, misturadas com delicadeza. Com as mãos molhadas, preparar bolinhas com a massa, passá-las na farinha de trigo e fritá-las em óleo bem quente. Escorrer os bolinhos em papel absorvente e pulverizar com açúcar de confeiteiro.



São José
Esposo da Virgem Maria e padrasto de Jesus. Ele figura na infância de Jesus conforme a narrativa de Mateus e de Lucas, e é descrito como um homem justo. Mateus descreve os pontos de vista de José, e Lucas descreve a infância de Jesus com José. Ele é descendente da casa real de David. Noivo de Maria, foi visitado por um anjo que lhe informou ser pai do filho da Virgem, e que o filho era do “Sagrado Espírito”. Ele tomou Maria e a levou para Belém onde teve lugar o nascimento de Jesus. Novamente avisado por um anjo das intenções do rei Herodes, José levou Maria e Jesus para o Egito. Eles só voltaram a Nazaré quando outro anjo apareceu a José, comunicando-lhes a morte de Herodes. A última menção feita a José nas Sagradas Escrituras é quando procura por Jesus no Templo de Jerusalém. Os estudiosos das escrituras acreditam que ele já era velho e teria morrido antes da Paixão de Cristo.
A veneração especial a José começou na Igreja moderna, onde escritos apócrifos passaram a relatar a sua história. Em 1479 ele foi colocado no calendário romano com sua festa a ser celebrada em 19 de março. São Francisco de Assis e Santa Teresa de Ávila ajudaram a espalhar a devoção e, em 1870, José foi declarado patrono universal da Igreja pelo papa Pio IX. Em 1889, o papa Leão XIII o elevou a bem próximo da Virgem Maria e o papa Bento XV o declarou patrono da justiça social. O papa Pio XII estabeleceu uma segunda festa para o santo, a festa de “São José, o trabalhador” em 1º de maio. É o padroeiro dos carpinteiros e é representado como um homem velho, com um lírio na mão, e algumas vezes, ensinando a Jesus o ofício da carpintaria.   
            Essa receita florentina é preparada para a comemoração do Dia dos Pais, celebrada na Itália, no dia de São José, ou seja, ontem, 19 de março.

São José - Caravaggio

Receita do Livro O CÈU NA BOCA, Ed. Tinta Negra, 2010.

sábado, 19 de março de 2011

Bruschetta a modo mio

A bruschetta é um clássico antepasto italiano, originário das regiões centro-meridionais do Lazio e Abbruzzi. seu nome deriva da palavra  "bruscato", que quer dizer tostado ou torrado, quer seja na grelha como no forno. A clássica bruschetta é feita com pão rústico esfregado com alho e tomates picados, mas inúmeras são as suas variações. Aliás, ela é tão versátil que permite que qualquer um crie a sua própria, seguindo suas preferência, criatividade ou disponibilidade de ingredientes.


Para 8 bruschette:

8 fatias de pão italiano
4 tomates tipo italiano bem maduros picados
2 dentes de alho grandes
6 colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem
2 colheres de sopa de basilico picado
sal a gosto
pimenta calabresa moída a gosto (opcional, porém essencial, eu diria!)
folhas de basilico para decorar

Lave bem os tomates e pique-os em cubinhos. Tempere com sal e pimenta calabresa, acrescente o azeite de oliva e o basílico picado, e deixe marinando por 20 minutos. Aqueça o forno. Fatie o pão e esfregue o alho cru na superfície das fatias e reserve. Decorridos os minutos da marinada, coloque as fatias de pão no forno para que tostem um pouco, ou seja, para que criem uma primeira casaquinha crocante. Retire-as do forno e  deite sobre cada uma das fatias, uma abundante porção dos tomates temperados. Leve novamente ao forno por mais 10 minutos. Retire do forno, decore as bruschette com uma folha de basílico e sirva.

quinta-feira, 17 de março de 2011

150 Anos da Unificação da Itália - II

A Unificação da Itália não foi apenas um fato político. Foi literário também. E gastronômico.
Considerado a Bíblia da culinária italiana, o livro "A ciência na cozinha e a arte de comer bem", do renomado gastrônomo Pellegrino Artusi, foi lançado em português. A obra, que traz 790 receitas de todas as regiões da Itália, tem servido de inspiração para grandes cozinheiros e chefs de todo o mundo no último século.

Lançada originalmente em 1891 com uma tiragem de mil exemplares, custeada pelo próprio autor, a primeira edição foi um verdadeiro sucesso. A obra se tornou best-seller e já foi traduzida para o alemão, holandês, inglês e espanhol.
Com uma linguagem simples e didática, Pellegrino Artusi oferece ao leitor as receitas dos mais saborosos pratos italianos, de antepastos a carnes, passando por sopas, massas, sobremesas e drinks. Ao longo dos capítulos, o autor expõe reflexões, faz anedotas, comenta o poder nutritivo dos alimentos e apresenta explicações sobre termos do vulgar toscano que nem todos poderiam compreender. Devido a essas particularidades, as receitas também podem ser lidas pelo simples prazer em adquirir conhecimento.

Escrita e publicada em um momento em que a Itália passava por um processo de unificação, a obra de Artusi agrega também um grande valor histórico, pois contribuiu para a consolidação da língua italiana. Isso porque antes da unificação e da escolha do dialeto toscano como língua oficial, cada região da Itália utilizava um dialeto próprio para se comunicar. Embora tenha nascido na região da Emilia-Romagna, Artusi viveu na Toscana desde os 32 anos e escreveu a obra já na língua oficial.
Mais do que um livro de receitas, "A ciência na cozinha e a arte de comer bem" é uma obra rica em dissertações e criações linguísticas que recordam uma conversa informal. Trata-se de uma obra simples que exalta o prazer de comer bem.

PS - consegui encontrar o livro apenas na Saraiva on-line
Fonte: absoluta.com.br

a

quarta-feira, 16 de março de 2011

Saint Patrick´s Day


Biscoitos de São Patrício - Receita tradicional irlandesa
Ingredientes para a massa
1 xícara de manteiga
2 xícaras de açúcar
3 ovos
1 colher de chá de essência de baunilha
3 ½ xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de bicarbonato de sódio

Cobertura
1 xícara de açúcar de confeiteiro
2 a 4 colheres de chá de leite
2 a 4 colheres de chá de glicose de milho
1/4 colher de chá de essência de baunilha
Corante verde comestível

Modo de preparar
Misturar a manteiga e o açúcar até a consistência de um creme. Bater os ovos com a baunilha. Juntar tudo com farinha, bicarbonato e sal. Dividir a massa em 4 ou 5 porções, formando discos, que deverão ser embrulhados e levados à geladeira por algumas horas ou de um dia para o outro. Esticar a massa e depois cortá-la em formato de trevos. Levar ao forno pré-aquecido a 180º C, em assadeira antiaderente de 12 a 14 minutos, retirando quando as bordas estiverem levemente douradas. Quando estiverem totalmente frias, cobrir com a mistura de cobertura pincelando ou mergulhando uma das faces do biscoito e servir.
São Patrício
Lendário santo britânico nascido em um povoado das proximidades do rio Severn, na Inglaterra, admirável Apóstolo e patrono da Irlanda. Conta-se que Patrício usou o trevo de três folhas, hoje símbolo da Irlanda, para explicar o mistério da Santíssima Trindade.
De família rural cristã, foi raptado aos 16 anos e vendido como escravo na Irlanda, onde trabalhou por seis anos como pastor. Depois de fugir chegou à França e refugiar-se no mosteiro de Lérins, onde dizia ter recebido um apelo divino para voltar e pregar o evangelho de Cristo na Irlanda, transferiu-se para Auxerre, onde estudou sob a direção de são Germano e sagrou-se bispo em 432. Voltou à Irlanda com a incumbência de combater as idéias de Pelágio, consideradas heréticas, e de anular a influência local dos sacerdotes druidas. Ali construiu inúmeros templos, organizou a administração religiosa e introduziu o latim como língua da Igreja. Deixou algumas cartas e um livro de memórias, Confissões, com importantes dados sobre a época. Padroeiro da Irlanda, sua festa é celebrada em 17 de março.

Texto e receita do livro O CÉU NA BOCA, Ed. Tinta Negra, 2010.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ovos fashion

Para esta Páscoa, a exemplo de anos anteriores, a Armani Dolci, criou uma série de Ovos, edição limitada. Feitos com matérias-primas selecionadas, está disponível nas versões chocolate cremoso, ao leite e branco, nos formatos de 200 e 700g, todos com o símbolo da marca, o “A” maiúsculo. A elegante embalagem é revestida de papel de seda azul e fechada com um duplo laço de fita de cetim, tor sur ton. A coleção Spring 2011 propõem também a clássica Colomba Pascal, de 1 kg.

E mais ovos

Belo trabalho de pintura em ovos da Romênia. Foto de Bogdan Cristel/ Reuters

Uma renda feita de cálcio e paciência


O esloveno Franc Grom enxergou muito além da casca de um ovo, transformando cada uma delas em verdadeiras esculturas. Talvez a pequena vila na Eslovênia, onde Grom cresceu, o tenha inspirado em suas obras. Ele nunca acreditou que poderia fazer carreira com a arte. E até que se aposentou – ele era eletricista -  assim foi, quando percebeu que o seu talento o faria ser reconhecido no mundo todo. Ele trabalha com uma furadeira, e seus ovos chegam a ter uma média de 2500 furos. Uma verdadeira renda feita de cálcio e paciência.
 

Pêssankas - ovos tradicionais ucranianos

Para muitos paranaenses, principalmente curitibanos, e catarinenses, esses ovos são encontrados com facilidade durante o ano todo, mas principalmente na época da Páscoa. Mas pra quem não é nem paranaense e nem catarinense, ai vai um pouco da história dessa arte. Em geral são feitos com ovos de codorna, de galinha, de pato e de avestruz. Cheios de simbologia e de um colorido marcante, acabam por se tornar objetos colecionáveis.
Foto de Leandro Taques

Na história do povo que habitou as estepes sempre esteve presente uma tradição de colorir ovos na época em que o Sol voltava triunfante, eliminando a neve que cobria a rica terra negra da Ucrânia. Em escavações arqueológicas, foram encontrados indícios desta arte a mais de 3.000 anos antes de Cristo, sendo que naquela época, eram utilizadas ferramentas muito rústicas para se confeccionar uma pêssanka. A explicação para o interesse do ser humano antigo pelo ovo está no fato dele possuir uma magia incrível, pois de uma forma simples e rude, surge uma vida.
Com o passar dos anos, as ferramentas gradativamente evoluíram e com elas o homem conseguiu melhorar suas condições materiais e também os resultados da suas pinturas em ovos, surgindo melhores definições daquilo que desejava expressar.

Os ucranianos, em paridade com todos os povos antigos, veneravam a natureza e os regentes dos elementos. Assim como outros povos antigos veneravam o Sol com Apolo e seu carro puxado por leões, os ucranianos reconheciam no mesmo astro, o Dajbóh, e a ele ofereciam homenagens, pois novamente traria luz e calor para a Terra. O verde substituiria o branco da neve, as flores voltariam a desabrochar, as árvores ofereceriam seus frutos novamente e o povo poderia trabalhar a terra para obter seu sustento.
A festa da Primavera era um evento alegre, acendia-se uma grande fogueira no meio da aldeia e todos comemoravam a chegada de Dajbóh, no exato momento do Solstício de Primavera. Desde o início deste dia o povo estava em festa. Oferecia seus presentes ao regente Dajbóh e entre os mesmos estavam as pêssankas. Nelas estavam gravados os raios de luz que seriam oferecidos à terra, a partir desta importante data do povo antigo.
Também nesta festa eram oferecidas pêssankas aos entes da natureza, fazendo seus agradecimentos pelas colheitas e também firmando seus pedidos para que a terra continuasse produzindo aquilo que necessitavam para viver. Estas pêssankas eram enterradas no campo, nas lavouras, pois deveriam ser presentes aos amados entes da natureza.
Neste tempo anterior ao cristianismo, o povo tinha suas crenças voltadas para aquilo que via e sentia. Era uma época em que mais do que nunca, o ucraniano estava ligado à natureza, sua fonte de vida e energia. Em 988, através do Príncipe Volodymir, a Ucrânia é batizada nas margens do Rio Dnipró, passando a adotar o cristianismo como religião oficial. O povo absorveu essa mudança, mas não aceitou abandonar seus antigos rituais, como as Festas da Primavera.
A solução encontrada pelo clero foi a adaptação destes antigos costumes, como símbolos cristãos, ou seja, permitiam e até apoiavam o povo à manter essas tradições consideradas pagãs, mas lhes incutiam um simbolismo correlato ao cristianismo.

A antiga e tradicional Festa da Primavera transformou-se na Páscoa cristã, por se tratar da mesma época. O povo continuava com os antigos festejos, mas mudava-se gradativamente o sentido da ocasião festiva. As pêssankas continuaram existindo, o povo não deixou o costume de colorir ovos para expressar seus sentimentos, mas o clero fez com que se abandonassem as crenças nos entes da natureza, deviam ser extintos os costumes tidos como pagãos.
As pessoas passaram então a fazer pêssankas para dar aos parentes e amigos respeitados, na época da Páscoa, para demonstrar tudo aquilo que desejavam para seus entes queridos. As pequenas obras de arte também passaram a aparecer em datas importantes, como casamentos e nascimentos, como materialização das boas intenções que se queria expressar.
Na conturbada história da Ucrânia, o povo passou por muitos períodos de instabilidade social, tendo muitas vezes a miséria e a opressão imperando sobre seus lares. Domínios russos, poloneses, austríacos, húngaros, duas guerras mundiais, o comunismo ... e as pêssankas continuam acompanhando a vida desta gente, que veio para o Brasil em busca de um futuro melhor para seus filhos, trazendo na bagagem uma cultura milenar, que hoje respira a liberdade.
A Ucrânia, em 1991 finalmente adquiriu sua independência, exigida pela população que saiu às ruas e hoje, além de seu valor cultural, simbólico e artístico, as pêssankas passaram a ser um símbolo de longevidade para uma Ucrânia livre e independente.

Adaptado de:  www.pessanka.com.br

Ovos que são jóias

Os Ovos Fabergé são obras-primas da joalharia produzidas por Peter Carl Fabergé e seus assistentes no período de 1885 a 1917 para os czares da Rússia.
Os ovos, cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas, escondiam surpresas e miniaturas, encomendados e oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial russa.



Disputados pelos colecionadores em todo o mundo, os famosos ovos da Páscoa criados pelo joalheiro são admirados pela perfeição e considerados expoentes da arte joalheira.
Fabergé e os seus ourives desenharam e construíram o primeiro ovo em 1885. Ele foi encomendado pelo czar Alexandre III como um presente de Páscoa para a sua esposa Maria Feodorovna.
Exteriormente parecia um simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo, revelava-se uma gema de ouro, que dentro de si possuía uma galinha, que por sua vez continha um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial. A imperatriz Maria ficou tão impressionada com o presente, que Alexandre acabou por nomear Fabergué como o “fornecedor da corte” e passou a encomendar um ovo por ano, sob a determinação de que este fosse único e contivesse uma surpresa.
O seu filho, Nicolau II, deu sequência à tradição e anualmente presenteava a sua esposa, Alexandra Feodorovna.
Cinquenta ovos imperiais foram produzidos para os czares Alexandre III e Nicolau II, e outras dessas jóias também foram encomendadas por membros da nobreza.
Assim que um tema era escolhido, uma equipe de artesãos – dentre os quais Michael Perkhin, Henrik Wigström e Erik August Kollin – começava a trabalhar no Projeto. Dezenas de clientes particulares apareceram com a fama despertada pelos ovos imperiais.


A Páscoa era uma data muito especial na Rússia czarista: todos se beijavam e diziam “Cristo ressuscitou”, recebendo a resposta “Verdadeiramente, Cristo ressuscitou” e um presente. Os ovos representavam a nova vida que surgia, o renascer das esperanças.
Conta-se que esses ovos eram cuidadosamente guardados junto com o tesouro da família Romanov. Apesar da tragédia que se abateu sobre essa família com a chegada da Revolução Russa, o tesouro dos Romanov milagrosamente caiu no esquecimento.
Em 1921, um jovem médico americano, Armand Hammer, esteve na Rússia prestando serviços voluntários, e retirou do país a maior coleção privada de peças de Fabergé hoje conhecida. Conhecedor de arte, percebeu que um dos maiores tesouros de uma grande dinastia tinha sido esquecido. Junto com telas de grandes mestres, ele reuniu algumas centenas de peças das finas criações de Fabergé, como jóias em formatos de flor, animais produzidos com pedras semi-preciosas e grande variedade de bibelôs. Em negociações diretas com o governo russo, Hammer conseguiu comprar os 11 ovos imperiais de Páscoa criados por Fabergé que havia encontrado, junto com outras jóias da Coroa russa.

Este foi o primeiro ovo imperial feito por Fabergé, composto primariamente de ouro,  esmalte branco opaco , rubis e outras colorações de ouro. As surpresas, agora desaparecidas, eram uma coroa e um pendante, feitos de diamantes e rubis. O primeiro ovo Galinha, de 1885, marca a celebração do 20° aniversário de casamento do czar Alexandre III e Maria Fyodorovna. O czar precisava de um presente especial para sua noiva, e fez o pedido para o jovem joalheiro Peter Karl Fabergé.
O ovo foi revestido com um esmalte opaco de cor branca, para lembrar um ovo de galinha. As duas partes do ovo se abrem e revelam uma gema de ouro, contendo uma galinha, também feita de ouro, de várias tonalidades e olhos de rubi. Originalmente, continha uma réplica da coroa imperial, feita de diamantes, que escondia um pequeno pendante de rubi.
Esse ovo é uma variação do ovo existente na coleção real dinamarquesa, que Fabergé provavelmente viu durante suas viagens pela Europa. Seja a idéia de criar esse ovo de Fabergé ou do czar, Maria apreciou tanto o presente, que a tradição durou por mais de 30 anos, até a revolução Russa em 1917.
Em 1920 o ovo Galinha foi vendido pelos oficiais russos para um negociador em Paris ou Berlim. Em 1934 foi então vendido para Suenson-Taylor, conhecido como Lord Grantchester. Em 1976 foi adquirido pela La Vieille Russie, Nova York. Em 1978 foi vendido para Malcolm Forbes, o colecionador da revista Forbes, junto com o ovo imperial Ressurreição. Em fevereiro de 2004 foi vendido pela família Forbes, junto com outros 8 ovos imperiais e várias outras obras de Fabergé para a Fundação Link of Times na Rússia.

sábado, 12 de março de 2011

Iscas de fígado ao vinho do Porto e ervas

O fígado de boi é um alimento nutritivo e rico em vitaminas, e recentemente foi classificado como um dos “superalimentos”, recomendados para serem incluídos em nossa alimentação. O fígado de um animal novo é teoricamente mais saudável por ter acumulado menos toxinas como pesticidas, hormônios e antibióticos que podem estar presentes em maior quantidade no fígado de um animal mais velho; portanto é importante que se obtenha o fígado de um animal criado organicamente, reduzindo assim o risco da presença destes químicos indesejáveis. Na Europa, o fígado de boi é considerado uma iguaria, e o Fígado à Veneziana é um dos pratos mais famosos da culinária de Veneza.
Entre as vitaminas e compostos benéficos presentes no fígado de boi constam as vitaminas  A, B12, B5, B6 e C, folato (ácido fólico), riboflavina, selênio, cobre e zinco, e apesar do fígado de boi apresentar um alto grau de colesterol e gorduras saturadas, ele é tão rico em outros nutrientes benéficos que continua sendo considerado um alimento saudável. Em apenas 100g de fígado conseguimos obter 50% da nossa necessidade diária de proteínas.
 As vitaminas B e seus compostos – incluindo folato, riboflavina e niacina- são todas vitais para a produção de energia; processam os carboidratos e quebram o glicogênio. O ácido pantotênico dá apoio às funções das glândulas adrenalínicas que ajudam no controle dos níveis de estresse. As vitaminas B12, B6 e o folato transformam a homocisteína, que está associada com riscos de ataque cardíaco e derrames, em um composto não-prejudicial à saúde. A riboflavina ajuda a gerar glutationa, um importante antioxidante, e a niacina contribui para reduzir os níveis de colesterol.
Os compostos vitamínicos contidos no fígado de boi são particularmente efetivos na redução do risco de câncer. A fumaça carcinogênica do cigarro induz à deficiência de vitamina A, que pode levar ao enfisema. No entanto, estudos recentes mostraram que se a dieta for rica em vitamina A, isto pode contra-atacar os efeitos da fumaça do cigarro, reduzindo assim o risco de enfisema; nem todos os fumantes são afetados por essa doença, mas pode ser que aqueles que consomem uma maior quantidade desta vitamina específica estejam mais protegidos contra ela.
A vitamina A também ajuda no nosso sistema imunológico, juntamente com o zinco e a vitamina C, encontradas em alto grau no fígado de boi. Como antioxidantes e nutrientes de suporte à imunidade, eles destroem os radicais livres, que potencialmente podem causar câncer às células, principalmente nas partes do corpo onde existe uma alta rotatividade de células, como no cólon; alta concentração destas vitaminas diminui consideravelmente o risco de câncer de cólon.
O fígado de boi também é rico em selênio, composto B12, e pode reduzir certas condições inflamatórias como a asma e a artrite, além de ajudar o DNA a restaurar as células. O cobre, presente no fígado, contribui na recuperação dos tecidos e, como um antioxidante, também beneficia a condição das pessoas que sofrem de artrite.



Ingredientes:
400 g de fígado cortado em tiras
1 cebola média picada
2 dentes de alho picados
2 colheres de sopa de sálvia picada
2 colheres de sopa de salsinha picada
2 colheres de sopa de cebolinha picada
2 colheres de sopa de azeite de oliva
50 ml de vinho do Porto
Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparar:
Retire a membrana do fígado – se o seu açougueiro já não fez isso – e corte-o em tiras (iscas). Numa panela funda, aqueça o azeite de oliva refogue o alho picado e, em seguida, coloque as iscas de fígado para fritar. Assim que estiverem quase no ponto, ou seja, assim que não liberarem mais líquido, adicione a cebola picada, a sálvia, a salsinha e a cebolinha picadas. Mexa bem, refogue até a cebola amolecer, acrescente o vinho do Porto, deixe evaporar e, finalmente tempere com pimenta e sal. O sal deve ser colocado no final, pois, ao contrário, endurece o fígado. Sirva com arroz branco e farofa como prato principal, ou com torradinhas como tira-gosto,  e vença o preconceito: além de saudável é delicioso.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Começa a temporada do chocolate

Todavia aqui falaremos do chocolate como bebida. Era uma mania nas cortes européias do século XVII.

O chocolate dominou a Europa. Seu consumo mais comum era como bebida servida em xícaras de fina porcelana nos faustosos salões. Era ingrediente de bolos e doces e também de iguarias salgadas.
Contrariamente ao gosto de Girolamo Benzoni, milanês que na sua Historia del Mondo Nuovo afirma que o chocolate “o qual mais parece beberagem de porcos que de homens”, é necessário afirmar que o fascínio indiscreto do chocolate inspirou a criatividade de grandes homens e “pequenas” mulheres a realizar verdadeiras obras de arte da alta gastronomia.

A hora do banho com o chocolate - anônimo séc. XVII

O preparo do chocolate líquido para ser servido em xícaras, e sucessivamente, sólido em forma de barras ou blocos, passou de nação em nação, e cada país enriqueceu e adaptou a sua receita segundo os próprios gostos e as teorias salutísticas de cozinheiros e boticários locais.
  No poema datado de 1736, chamado Il cioccolato, o cremonês Francesco Arisi (1702 – 1741) fala da nova bebida com certa desconfiança, afirmando ser uma “intemperança” bebê-lo em demasia, quase ao limiar da dependência:
São alguns tão tolos/Que a espuma que se eleva/Às bordas da xícara,/Sopram-na fora./.../Cuidam tornar a aguardente/Mais gostosa ao paladar/Misturando-lhe chocolate/E criando uma nova bebida./A mim causa desprazer,/É uma péssima invenção/Estragar boa bebida/Com mistura de massa preta,/E se é caso de economia,/Ela não me parece justa./Nem estou persuadido/Por aqueles que, às vezes,/Com chocolate perfumam/Seu tabaco, e pitadeiam./Não costumo ver sem náusea/Certos grupos de glutões/Que recusando água pura/Com o creme gordo a bebem./.../Até os cozinheiros, a seu grado,/O colocam nos seus bolos/E entre outras ninharias,/Nas caixinhas de pastilhas/O aprisionam./.../Nos torrões já é usado,/Nas tortas é o principal./Penso, pois, que ainda um dia,/Vão servi-lo com codornas,/Desdenhando o santo pão/Ou colocando-o de parte.

O chocolate matinal - Pietro Longhi 1775

«Nos mosteiros espanhóis do Novo Mundo, utilizava-se um recipiente bojudo (...) de barro ou de cobre estanhado, materiais que conservavam o calor. Tal como os astecas, batia-se o chocolate até fazer espuma com uma varinha de madeira chamada molinete.
                                                                 O serviço de chocolate - Luiz Melendez, 1770, Museu do Prado

No século XVII, a propagação em Espanha de uma receita mais açucarada foi naturalmente acompanhada por uma transformação dos recipientes. As chocolateiras tiveram então o requinte do líquido que enfeitiçava as mulheres.

Chocolateira em porcelaqna de Sévres e bronze - séc. XVIII

A folha de Flandres ou o estanho, muito utilizados, foram substituídos por materiais mais dignos de irem à mesa dos nobres, como a prata “(...). Uma pega horizontal feita de madeira preciosa evitava que se queimassem os dedos. O bico era colocado na parte superior (...) e um orifício no meio da tampa permitia enfiar o molinete de buxo. Três pés alteavam a chocolateira (...)”.
A primeira chocolateira de prata conhecida foi oferecida a Luís XIV pelo embaixador do Sião, em 1686. “(...) Possuir uma chocolateira era apanágio da alta sociedade, e Madame de Sévigné não imaginava sequer poder passar sem ela. (...)».

Chocolateira em prata - França, 1760

Naquele mesmo século, na Espanha, surgiram as primeiras sícaras para beber chocolate. Por iniciativa do Marquês de Mancera, Pedro de Toledo y Leiva (1585 – 1654) foi inventada a mancerina ou trembleuse, que tinha a particularidade de se aconchegar num prato côncavo, que lhe dava estabilidade. No século XVIII, com o aperfeiçoamento do fabrico da porcelana, foram elaborados luxuosos serviços para chocolate; a Manufacture de Sèvres se transformou na referência mais prestigiada.


Trembleuse do séc. XVII -  Musée National de Céramique de Sévres - foto Martine Beck-Coppola
Trembleuse austríaca, 1740 - J. Paul Gatty Museum




Fonte: Katherine Khodorowsky e Hervé Robert (2000).

E mais algumas imagens sugestivas:

 
O chocolate quente - Raimundo de Madrazo y Garreta, séc. XIX


La belle chocolatiére - Jean-Etienne Liotard - 1744
La belle chocolatiere - porcelana de Meissen, Museu de Capodimonte, Nápoles


                                                                                    Jean-Etienne Liotard - 1754

Delicadeza feita de areia e fogo


Em 17 de fevereiro de 1767, o rei Luis XV através de uma carta de patente, autoriza a retomada de uma cristaleria ativa no século XVI, levando o nome de Verreries Royales de Saint-Louis, a mais antiga cristaleria francesa. Foi uma resposta francesa ao monopólio da produção de cristal pela Boêmia, e desde então, transformou-se num ícone. A delicadeza de sua lapidação é uma de suas principais características.
  Pintura de Édouard Pinguet, 1836, vista geral da fábrica em Saint Louis-les-Bitches

E algumas peças que merecem destaque:
Modelo Thistle em cristal e ouro - séc. XX

 Modelo Stella d´Or - cristal e ouro - séc. XX

Detalhe da marca


  Goblet em cristal e ouro - séc. XIX

Salas de banquete - Palácio Nacional da Ajuda de Lisboa

Implantado no local onde a família real portuguesa construiu a "Real Barraca" após o terremoto de 1755, assim designada por ser de madeira, o Palácio da Ajuda iniciou-se em 1795 segundo um projeto de Manuel Caetano de Sousa. Pouco depois o plano sofreria uma evolução significativa, com a introdução da estética neoclássica e as novas formulações dos arquitetos Francisco Xavier Fabri e José da Costa e Silva.
Apesar da magnificência do plano e dos avultados recursos financeiros, o Palácio foi habitado com muitas interrupções, até que D. Luís aqui se instalou definitivamente. Sua mulher, D. Maria Pia de Sabóia, empreendeu então obras de atualização estética, contratando para tal Joaquim Possidónio Narciso da Silva, que dotou o Palácio de novos espaços exóticos e outros de caráter funcional. Encerrado após a implantação da República, foi parcialmente transformado em Museu em 1968, servindo ainda como sede do Ministério da Cultura. (Fonte: IPPAR)
Sala da Ceia
Esta sala, imponente pelas suas dimensões e decoração, era utilizada para banquetes de grande gala. O teto, da autoria de José da Cunha Taborda, ostenta uma alegoria ao aniversário natalício do rei D. João VI. Os aparadores intercalados por grandes espelhos de madeira entalhada, expõem um variado núcleo de peças de ourivesaria das antigas coleções reais. As cadeiras, encomendadas pelo rei D. Carlos por ocasião da visita oficial do rei Eduardo VII de Inglaterra a Portugal em 1903, são lacadas de branco e ouro e forradas em seda creme. Antes da sua transformação em sala de banquetes serviu de Sala das Cortes e foi cenário de alguns acontecimentos históricos como a aclamação do rei D. Miguel em 1828. (Fonte: Itinerário: Palácio Nacional da Ajuda, 1988, pp. 55-56)

Sala da Tapeçarias Espanholas

"Até 1862 foi Sala de Audiências ou Sala do Dossel; após esta data passou a chamar-se Sala das Tapeçarias Espanholas pois foram adaptadas a esta divisão as tapeçarias da Real Fábrica de Santa Bárbara de Madrid, oferecidas pela coroa de Espanha a Portugal em 1785, quando do casamento do futuro rei D. João VI com a princesa D. Carlota Joaquina de Bourbon. As tapeçarias foram executadas segundo desenhos de Francisco Goya e do seu discípulo Giner Andreias de Aguirre apresentando cenas bucólicas.
As pinturas do teto são de autoria de Cirilo Wolkmar Machado tendo Manuel Piolti sido encarregado da perspectiva, Joaquim Gregório da Silva Rato das figuras e André Monteiro da Cruz dos ornatos." (Fonte: Itinerário: Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa, IPPC, 1988, p.14). Fotografias do Estúdio Mário Novais, arquivo da Fundação Calouste Gulbenkian

quinta-feira, 10 de março de 2011

À mesa com a família imperial brasileira

Após ser decretada a expulsão dos Jesuítas de Portugal e de seus domínios coloniais, através da carta régia de 4 de outubro de 1759, as terras da fazenda de São Cristóvão, do Engenho Velho e do Engenho Novo – como todas as propriedades jesuítas – foram subdivididas em grandes chácaras. Um dos lotes foi adquirido por Elias Antônio Lopes, em 1803, para a construção de uma casa grande, que passou a ser conhecida como “Chácara do Elias”.

Em 1808, com a vinda da família real portuguesa, foi criada a lei das aposentadorias para acolher os transmigrados. Os fidalgos da comitiva real escolheram as moradias já ocupadas e o juiz aposentado fazia as intimações transformando-as em propriedade real.
Elias Antônio Lopes, pela ambição de ser generosamente recompensado, apresentou sua casa grande a D. João VI, que aceitou o grandioso presente. A residência real, denominada Paço de São Cristóvão, passou a ser a preferida de D. João VI, que levou para sua companhia três de seus filhos: D. Miguel, D. Pedro I e D. Maria Tereza.
A partir de 1810, a residência passou por algumas reformas para ser transformada em aposentos reais e outras chácaras foram incorporadas ao terreno. No Paço de São Cristóvão, viveram D. João VI, D. Pedro I e D. Miguel e, posteriormente, as imperatrizes D. Leopoldina, D. Amélia e D. Teresa Cristina. Ali nasceram D. Pedro II, D. Maria da Glória e a Princesa Isabel. Homens ilustres como José Bonifácio de Andrada e Silva freqüentaram o Palácio e participaram da História do país.
O Palácio foi residência da Família real de 1808 a 1821; pertenceu à família imperial de 1822 a 1889; abrigou a primeira Assembléia Constituinte Republicana de 1889 a 1891 e é sede do Museu desde 1892.


O Paço de São Cristóvão foi tombado em 11 de maio de 1938, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e atualmente abriga o Museu Nacional, uma das unidades da Universidade Federal do Rio de Janeiro, contribuindo para o ensino, a pesquisa e a extensão, em sua condição de instituição pioneira nas áreas das ciências naturais e antropológicas no Brasil.

fonte:
http://www.museunacional.ufrj.br/MuseuNacional/Principal/paco.htm

E eis algumas peças do serviço da família imperial no Paço de São Cristovão, no Rio de Janeiro:

Prato raso do serviço P II grande, em porcelana de Limoges


Molheira do mesmo serviço


Bule, também do serviço P II Grande


Serviço chamado Coroa Roxa, também utilizado no Paço de São Cristóvão


Prato do Serviço de Caça. do mesmo Paço


D. Pedro II e DSona Teresa Christina sentados, a Princesa Isabel e o Conde d´Eu à esquera, e à direita, D. Leopoldina e Augusto de Saxe-Gogurgo-Gotha